terça-feira, 21 de março de 2017

Coleções de História Natural em Portugal


Herbários........................ 1 501 948                                                      
Zoologia........................ 0 450 061                                                      
Geologia........................ 0 122 029                                                      
Arqueologia........................ 0 021 702                                                      
Antropologia........................ 0 017 879                                                      

http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=710:museus-de-historia-natural-tem-dois-milhoes-de-especimes-&catid=11:noticias&Itemid=85



1. Universidade de Coimbra, Coimbra
Cerca de 1 048 400 objetos. O Herbário tem cerca de 800 000 exemplares. O Museu da Ciência tem cerca de 248 400 objetos. A coleção do Museu reparte-se pelas seguintes disciplinas:
Zoologia.................................................. 200 000                           
Mineralogia e Geologia.......................... 020 000                           
Antropologia........................................ ~ 014 000                           
Medicina.............................................. > 005 000                           
Botânica.................................................. 003 400                           
(excluindo o Herbário)                           
Física................................................... > 003 000                           
Química............................................... > 001 000                           
Astronomia.......................................... ~ 001 000                           
(+ 30 000 espectros solares)                           
Farmácia................................................. 001 000                           
Como só as disciplinas de Zoologia, Geologia, Antropologia e Botânica são tradicionalmente consideradas História Natural, só haverá 237 400 objetos de História Natural sensu stricto no Museu. Mas mesmo assim, com mais de 1 milhão de objetos entre o Museu e o Herbário, a Universidade de Coimbra tem as maiores coleções de História Natural do país. E tem ainda a Algoteca, isto é, a coleção de algas vivas, que contém cerca de 4 000 tubos de cultura.

http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=collections&action=description



2. Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa
Cerca de 662 000 objetos, dos quais 520 000 espécimes biológicos e geológicos, e 142 000 artefactos arqueológicos e etnográficos. Fora da História Natural, mas para referência (e dada a sua inquestionável importância), faço notar que o IICT tem ainda 210 000 mapas e cartas, 730 000 fotografias e cerca de 16 km de documentação no Arquivo Histórico Ultramarino...

http://icom-portugal.org/documentos_dm,129,407,detalhe.aspx



3. Museu Nacional de História Natural e da Ciência, Lisboa
Cerca de 644 236 objetos. A coleção reparte-se pelas seguintes disciplinas:
ZOOLOGIA.........................................total 303 630                    
Peixes............. ~ 075 000                    
Insectos............. ~ 066 000                    
Crustáceos............. ~ 058 000                    
Invertebrados não-artrópodes............. ~ 045 000                    
Tecidos e ADN............. ~ 026 000                    
Larvas de peixe............. ~ 017 000                    
Mamíferos............. ~ 006 000                    
Aracnídeos............. > 003 000                    
Aves............. ~ 002 700                    
Antropologia................ 001 830                    
Répteis............. ~ 001 700                    
Anfíbios............. ~ 001 400                    
BOTÂNICA.........................................total 251 280                    
Herbário de vasculares.............. 120 000                    
Herbário de briófitas.............. 070 000                    
Líquens.............. 040 000                    
Fungos.............. 012 000                    
Objetos naturais........... ~ 004 000                    
Sementes............. ~ 003 700                    
Carpoteca................ 001 580                    
GEOLOGIA..........................................total 089 326                    
Estratigrafia............. ~ 032 330                    
Coleções didáticas............. ~ 020 000                    
Paleontologia................ 017 989                    
Mineralogia................ 010 699                    
Petrologia................ 008 308                    

http://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecoes
http://memoria.ul.pt/index.php/Especial:Pesquisa/Colec%C3%A7%C3%B5es_do_MNHN
https://midas.revues.org/804?lang=pt
https://www.academia.edu/9384595/As_Cole%C3%A7%C3%B5es_Zool%C3%B3gicas_do_Museu_Nacional_de_Hist%C3%B3ria_Natural_e_da_Ci%C3%AAncia._The_zoological_collections_at_the_National_Natural_History_and_Science_Museum_

Aparentemente fora do Museu Nacional, vários Departamentos e Faculdades da Universidade de Lisboa (da antiga Universidade Clássica de Lisboa, in fact) têm coleções de História Natural repartidas pelas disciplinas de Entomologia, Antropologia, Zoologia, Botânica, Petrologia, Farmácia e Medicina, num total de mais de 34 080 objetos.
http://memoria.ul.pt/index.php/Patrim%C3%B3nio_Hist%C3%B3rico,_Cient%C3%ADfico_e_Art%C3%ADstico_da_Universidade_de_Lisboa



4. Museu Geológico, Lisboa
Cerca de 500 000 objetos. A coleção reparte-se pelas seguintes disciplinas:
Geologia de Lisboa............. 000 000
Paleontologia...................... 000 000
Mineralogia......................... 000 000
Arqueologia......................... 000 000

http://www.patrimoniocultural.pt/pt/museus-e-monumentos/rede-portuguesa/m/museu-geologico/
http://observador.pt/especiais/museu-geologico-lisboa-um-segredo-espera-descoberto/
http://www.lneg.pt/MuseuGeologico/



5. Museu de História Natural da Universidade do Porto, Porto



6. Museu de História Natural do Funchal, Funchal
Cerca de 41 166 objetos, ou > 47 000 registros (100 000 espécimes).

http://www1.cm-funchal.pt/ciencia/index.php?option=com_content&view=article&id=637:colecoes-cientificas-do-museu-de-historia-natural-do-funchal-cefalopodes&catid=216:novembro=&Itemid=332



7. Museu Carlos Machado, Ponta Delgada
Herbário 32 232 exemplares.

http://www.moura.uac.pt/ficheiros/catalogo_exposicao.pdf



8. Museu de História Natural de Sintra, Sintra
Cerca de 12 207 objetos. A coleção reparte-se pelas seguintes disciplinas:
Paleontologia..................................... 9 416                                 
Malacologia........................................ 1 347                                 
Mineralogia....................................... 0 900                                 
Petrografia......................................... 0 544                                 
Possui coleções de paleontologia (fósseis, incluindo trilobites e alguns exemplares raros e bem conservados de dinossáurios), mineralogia (minerais incluindo alguns lapidados), malacologia (conchas de bivalves e gastrópodes), petrografia (rochas, incluindo meteoritos, entre os quais célebre Meteorito de Nantan – China - cujo impacto com a Terra foi referenciado em documentos do séc. XVI) e uma pequena biblioteca especializada. A principal atração é o esqueleto do dinossáurio, Braseodactylus sp., proveniente da Chapada do Araripe (Ceará, Brasil).

http://www.natural.pt/portal/pt/Infraestrutura/Item/137



Museu do Aquário Vasco da Gama, Oeiras (Dafundo)


Museu da Lourinhã, Lourinhã


Museu Marítimo de Ílhavo, Ílhavo
Malacologia (a maior coleção do país).


NOTA sobre as Coleções de História Natural Brasileiras:
Cerca de 26 milhões de espécimes. Dom João VI criou em 1818 a Casa dos Pássaros, que deu origem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro. Em 1866 foram criadas as coleções científicas do Museu Paraense Emílio Goeldi, e em 1886 as do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Hoje, estas três instituições abrigam o maior acervo da diversidade biológica brasileira.

http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000300017&script=sci_arttext



Referências:
- Cartaxana et al. (2014) Ecologi@ 7: 15-21. http://speco.fc.ul.pt/revistaecologia_7_art_1_1.pdf
-

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Voici que des mages arrivèrent

Mt 2:1-11
01 Jésus était né à Bethléem en Judée, au temps du roi Hérode le Grand. Or, voici que des mages venus d’Orient arrivèrent à Jérusalem 02 et demandèrent : « Où est le roi des Juifs qui vient de naître ? Nous avons vu son étoile à l’orient et nous sommes venus nous prosterner devant lui. » 03 En apprenant cela, le roi Hérode fut bouleversé, et tout Jérusalem avec lui. 04 Il réunit tous les grands prêtres et les scribes du peuple, pour leur demander où devait naître le Christ. 05 Ils lui répondirent : « À Bethléem en Judée, car voici ce qui est écrit par le prophète : 06 Et toi, Bethléem, terre de Juda, tu n’es certes pas le dernier parmi les chefs-lieux de Juda, car de toi sortira un chef, qui sera le berger de mon peuple Israël. » 07 Alors Hérode convoqua les mages en secret pour leur faire préciser à quelle date l’étoile était apparue ; 08 puis il les envoya à Bethléem, en leur disant : « Allez vous renseigner avec précision sur l’enfant. Et quand vous l’aurez trouvé, venez me l’annoncer pour que j’aille, moi aussi, me prosterner devant lui. » 09 Après avoir entendu le roi, ils partirent. Et voici que l’étoile qu’ils avaient vue à l’orient les précédait, jusqu’à ce qu’elle vienne s’arrêter au-dessus de l’endroit où se trouvait l’enfant. 10 Quand ils virent l’étoile, ils se réjouirent d’une très grande joie. 11 Ils entrèrent dans la maison, ils virent l’enfant avec Marie sa mère ; et, tombant à ses pieds, ils se prosternèrent devant lui. Ils ouvrirent leurs coffrets, et lui offrirent leurs présents : de l’or, de l’encens et de la myrrhe.

Bible liturgique officielle en français, 2013, http://www.aelf.org/bible-liturgie

domingo, 25 de dezembro de 2016

Or, voici comment fut engendré Jésus Christ

Mt 1:18-25
18 Or, voici comment fut engendré Jésus Christ : Marie, sa mère, avait été accordée en mariage à Joseph ; avant qu’ils aient habité ensemble, elle fut enceinte par l’action de l’Esprit Saint. 19 Joseph, son époux, qui était un homme juste, et ne voulait pas la dénoncer publiquement, décida de la renvoyer en secret. 20 Comme il avait formé ce projet, voici que l’ange du Seigneur lui apparut en songe et lui dit : « Joseph, fils de David, ne crains pas de prendre chez toi Marie, ton épouse, puisque l’enfant qui est engendré en elle vient de l’Esprit Saint ; 21 elle enfantera un fils, et tu lui donneras le nom de Jésus (c’est-à-dire : Le-Seigneur-sauve), car c’est lui qui sauvera son peuple de ses péchés. » 22 Tout cela est arrivé pour que soit accomplie la parole du Seigneur prononcée par le prophète : 23 Voici que la Vierge concevra, et elle enfantera un fils ; on lui donnera le nom d’Emmanuel, qui se traduit : « Dieu-avec-nous » 24 Quand Joseph se réveilla, il fit ce que l’ange du Seigneur lui avait prescrit : il prit chez lui son épouse, 25 mais il ne s’unit pas à elle, jusqu’à ce qu’elle enfante un fils, auquel il donna le nom de Jésus.

Lc 2:1-18
01 En ces jours-là, parut un édit de l’empereur Auguste, ordonnant de recenser toute la terre – 02 ce premier recensement eut lieu lorsque Quirinius était gouverneur de Syrie. – 03 Et tous allaient se faire recenser, chacun dans sa ville d’origine. 04 Joseph, lui aussi, monta de Galilée, depuis la ville de Nazareth, vers la Judée, jusqu’à la ville de David appelée Bethléem. Il était en effet de la maison et de la lignée de David. 05 Il venait se faire recenser avec Marie, qui lui avait été accordée en mariage et qui était enceinte. 06 Or, pendant qu’ils étaient là, le temps où elle devait enfanter fut accompli. 07 Et elle mit au monde son fils premier-né ; elle l’emmaillota et le coucha dans une mangeoire, car il n’y avait pas de place pour eux dans la salle commune. 08 Dans la même région, il y avait des bergers qui vivaient dehors et passaient la nuit dans les champs pour garder leurs troupeaux. 09 L’ange du Seigneur se présenta devant eux, et la gloire du Seigneur les enveloppa de sa lumière. Ils furent saisis d’une grande crainte. 10 Alors l’ange leur dit : « Ne craignez pas, car voici que je vous annonce une bonne nouvelle, qui sera une grande joie pour tout le peuple : 11 Aujourd’hui, dans la ville de David, vous est né un Sauveur qui est le Christ, le Seigneur. 12 Et voici le signe qui vous est donné : vous trouverez un nouveau-né emmailloté et couché dans une mangeoire. » 13 Et soudain, il y eut avec l’ange une troupe céleste innombrable, qui louait Dieu en disant : 14 « Gloire à Dieu au plus haut des cieux, et paix sur la terre aux hommes, qu’Il aime. » 15 Lorsque les anges eurent quitté les bergers pour le ciel, ceux-ci se disaient entre eux : « Allons jusqu’à Bethléem pour voir ce qui est arrivé, l’événement que le Seigneur nous a fait connaître. » 16 Ils se hâtèrent d’y aller, et ils découvrirent Marie et Joseph, avec le nouveau-né couché dans la mangeoire. 17 Après avoir vu, ils racontèrent ce qui leur avait été annoncé au sujet de cet enfant. 18 Et tous ceux qui entendirent s’étonnaient de ce que leur racontaient les bergers.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Zamora, aos 5 dias de Outubro de 1143

Ases de cartas de jogar portuguesas de 1770 representando a Serpe, timbre de Portugal. Ás de ouros (serpe com moeda de ouro), ás de espadas, ás de copas e ás de paus. 
Imagem tirada da Guarda Gozosa.

Na conclusão do encontro entre Dom Afonso Henriques e o seu primo Dom Afonso VII, rei de Leão e Castela, em Zamora, este reconhece aquele como rei (título que, aliás, o mesmo já usava desde 1140) perante o legado do Papa. Conhece-se o evento como Tratado de Zamora, embora talvez nenhum documento tenha chegado a sair desse encontro. A data é 5 de Outubro de 1143. É, para todos os efeitos, uma das datas-chave na história da autodeterminação de Portugal.

Já agora, aqui ficam algumas outras datas-chaves:

24/06/1128, Batalha de São Mamede
25/07/1139, Batalha de Ourique
05/10/1143, "Tratado" de Zamora
23/05/1179, Bula Manifestis probatum
14/08/1385, Batalha de Aljubarrota
01/12/1640, Aclamação de Dom João IV

domingo, 3 de julho de 2016

Livros e Manuscritos de Cozinha em Portugal

"Livro de Cozinha da Infanta Dona Maria". 
Receita de Dom Luís de Moura para os dentes.

149? Anónimos (pelo menos seis)
Tratado de cozinha portuguesa. [manuscrito]
Conhecido como o "Livro de Cozinha da Infanta Dona Maria." Códice I. E. 33 da Biblioteca Nacional de Nápoles.

1680 Domingos Rodrigues
Arte de cozinha dividida em quatro partes, a primeira trata do modo de cozinhar varios guizados de todo o genero de carnes, e conservas, tortas, empadas, e pasteis. A segunda de peixes, mariscos, frutas, hervaa, ovos, lacticinios, doces, conservas do mesmo genero. A terceira de preparar mezai em todo o tempo do anno, para hospedar principes, e embaixadores. A quarta de fazer pudins, e preparar massas. Cópia digital da edição de 1821 na BNP.
Conhecido como "Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues."

1715 Francisco Borges Henriques
Receitas de milhores doces e de alguns guizados particullares e remedios de conhecida expiriencia que fes Francisco Borges Henriques para uzo da sua caza. No anno de 1715. Tem seo alfabeto no fim. [manuscrito]
Chamado "receituário manuscrito", "manual doméstico" ou "livro de cozinha" de Francisco Borges Henriques. BN Cod. 7376.

1729 Maria Leocádia Monte do Carmo, freira clarissa
Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste convento de Stta. Clara d'Evora. Soror Maria Leocadia Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de 8bro de 1729. [manuscrito]
BN Cod. 10763.

1780 Lucas Rigaud
Cozinheiro moderno, ou nova arte de cozinha, onde se ensina pelo methodo mais facil... / dado a' luz por Lucas Rigaud. Cópias digitais das edições de 1780 e de 1807 na BNP. 

1788 Anónimo
Arte nova, e curiosa, para conserveiros, confeiteiros e copeiros e mais pessoas.
Anunciado na Gazeta de Lisboa em 30 de Dezembro de 1788, supl. 3 de Janeiro de 1789.

18?? Anónimo
"Receitas Culinárias" [manuscrito]
Texto em Inglês. BN Cod. 158.

1836 Anónimo
Receitas de licores e de geleias. [manuscrito]
Textos em Francês e em Português encontrado numa colectânea compilada por Jacob Frederico Torlade Pereira de Azambuja entre 1836 e 1839.

1841 Anónimo [1.º Visconde de Vilarinho de São Romão]
Arte do cozinheiro e do copeiro, compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente, dada à luz por Um Amigo dos Progressos da Civilização.

1870 Paulo Plantier
O Cozinheiro dos Cozinheiros.

1875 O Manual do Conserveiro e Confeiteiro

1876 João da Mata
Arte de Cozinha.

1889 Novíssima Arte de Cozinha

1890 O Manual da Conserveira

1894 O Cozinheiro Indispensável

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No século XX, os principais livros de cozinha portuguesa teriam sido, talvez, na minha opinião:

1946 Berta Rosa-Limpo e Jorge Brum do Canto
O Livro de Pantagruel (1.ª edição).
Com 1500 receitas.

1981 Maria de Lourdes Modesto
Cozinha Tradicional Portuguesa.

1997 Maria Manuel Limpo Caetano, Berta Rosa-Limpo e Jorge Brum do Canto
O Livro de Pantagruel (49.ª edição).
Com 5000 receitas.

Por fim, é indispensável mencionar a obra de Alfredo Saramago (1938-2008), o maior antropólogo e historiador da gastronomia portuguesa.

Bibliografia sumária para este post:
Livros portugueses de cozinha.
Blog Arpose.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Dioceses em Portugal e no Império Português

Chamadas mais comummente "Bispados" até ao século XIX, eis uma cronologia das dioceses territoriais criadas em Portugal e no Império Português até à Independência do Brasil em 1822 e ao fim de facto do Padroado Ultramarino Português em 1838. Mais uma vez, tudo isto é informação fàcilmente encontrada na Internet e apenas reorganizada aqui por mim.

Nave da Sé Catedral de Braga. Foto de http://arte.vmribeiro.net/?tag=se-de-braga

Século III Diœcesis Bracarensis [Bracara Augusta, Braga]
Século IV Diœcesis Betecensis [Betecas, Boticas]
Século IV Diœcesis Eborensis [Ebora Liberalitas Iulia, Évora]
Século IV Diœcesis Olissiponensis [Olissipo, Lisboa]
Século IV Diœcesis Ossonobensis [Ossonoba, Faro]
Século IV Diœcesis Salariensis [Salacia, Alcácer do Sal]
Século V Diœcesis Aquæflauiensis [Aquæ Flauiæ, Chaves]
Século VI Diœcesis Conimbricensis [Conimbrica, Condeixa]
Século VI Diœcesis Dumiensis [Dumio, Dume]
Século VI Diœcesis Ægitaniensis [Ægitania, Idanha]
Século VI Diœcesis Lamecensis [Lamecum, Lamego]
Século VI Diœcesis Magnetensis [Magneto, Meinedo]
Século VI Diœcesis Pacensis [Pax Iulia, Beja]
Século VI Diœcesis Portus Calensis [Portus Cale, Porto]
Século VI Diœcesis Visensis [Viseo, Viseu]
Século VII Diœcesis Caliabriensis [Caliabria, Ciudad Rodrigo]

Do ano de 711 em diante os bispos cristãos saíram de suas dioceses e ao longo da Reconquista foram-se recriando as dioceses com bastas modificações. Como nota territorial, um código de cores: preto para a Metrópole, encarnado para Áfricalilás para o Oriente e verde para o Brasil; em itálico estão dioceses fora dos territórios sob domínio português, mas sob padroado português.

1070 Arcebispado de Braga
1080 Bispado de Coimbra [sucessora de Condeixa]
1114 Bispado do Porto
1143 Bispado de Lamego
1147 Bispado de Lisboa [1394 Arcebispado, 1716 Patriarcado]
1147 Bispado de Viseu
1166 Bispado de Évora [1540 Arcebispado]
1189 Bispado de Silves [sucessora de Faro]*
1199 Bispado da Guarda [sucessora da Idanha]
1382 Administração Apostólica de Valença do Minho [1514 extinta]
1417 Bispado de Ceuta [1640 para Espanha, 1851 Cádis e Ceuta]
1468 Bispado de Tânger [1630 Prefeitura Apostólica de Marrocos]
1499 Bispado de Safim [1542 extinto?]
1514 Bispado do Funchal [Arcebispado 1533-1551]
1533 Bispado de Goa [1557 Arcebispado; 1928 Goa e Damão]
1533 Bispado de Santiago do Cabo Verde
1533 Bispado de São Tomé na Ilha
1534 Bispado de Angra
1545 Bispado de Leiria [extinto 1882-1918]
1545 Bispado de Miranda do Douro [1780 extinto]**
1549 Bispado de Portalegre***
1551 Bispado de São Salvador da Bahia [1676 Arcebispado]
1557 Bispado de Cochim [1838 anexado ao Vicariato Apostólico de Verapoly, 1886 restaurada, 1952 fim do bispado português]
1558 Bispado de Malaca [1838 extinto]
1570 Bispado de Elvas [1881 extinto]
1575 Prelazia de São Sebastião do Rio de Janeiro [1676 Bispado]
1576 Bispado de Macau
1577 Bispado de Faro*
1588 Bispado de Funai [1625 extinto]
1596 Bispado de Angola e Congo [1716 para Luanda, 1940 Arcebispado]
1599 Bispado de Angamalé [1608 Arcebispado; 1610 transferido para Cranganor; 1838 extinto]
1606 Bispado de São Tomé de Meliapor [1952 extinto]
1612 Administração Apostólica de Moçambique [1783 Prelazia, 1940 Arcebispado de Lourenço Marques, depois Maputo]
1614 Prelazia de Olinda (Pernambuco) [1676 Bispado]
1659 Vicariato Apostólico do Malabar [1709 de Verapoly, 1886 Arcebispado]
1659 Vicariato Apostólico de Nanquim [1690 Bispado]
1677 Bispado de São Luís do Maranhão
1719 Bispado de Belém do Grão-Pará
1745 Bispado de Mariana (Minas Gerais)
1745 Bispado de São Paulo de Piratininga
1745 Prelazia de Goiás
1745 Prelazia de Cuiabá (Mato Grosso)
1770 Bispado de Beja
1770 Bispado de Bragança**
1770 Bispado de Penafiel [1778 extinto]
1770 Bispado de Pinhel [1881 extinto]
1771 Bispado de Castelo Branco [1881 extinto]***
1774 Bispado de Aveiro [extinto 1882-1938]

* Faro sucedeu a Silves que tinha sucedido à Ossonoba romana.
** Miranda do Douro e Bragança fundidas na de Bragança-Miranda.
*** Portalegre e Castelo Branco fundidas na de Portalegre-Castelo Branco.

Como referência, as dioceses ainda criadas sob tutela portuguesa:
1886 Diocese de Damão (Índia) [1928 extinta]
1922 Diocese de Vila Real
1940 Diocese de Díli (Timor-Leste)
1940 Diocese de Nova Lisboa [depois Huambo] (Angola)
1940 Diocese de Silva Porto [depois Kwito-Bié] (Angola)
1940 Diocese da Beira (Moçambique)
1940 Diocese de Nampula (Moçambique)
1940 Missão Sui Iuris da Guiné Lusitana [1955 Prefeitura Apostólica]
1954 Diocese de Quelimane (Moçambique)
1955 Diocese de Sá da Bandeira [depois Lubango] (Angola)
1957 Diocese de Malanje (Angola)
1962 Diocese de Inhambane (Moçambique)
1962 Diocese de Tete (Moçambique)
1963 Diocese do Luso [depois Lwena] (Angola)
1967 Diocese de Carmona-São Salvador [depois Uije] (Angola)
1970 Diocese de Benguela (Angola)
1970 Diocese de Xai-Xai (Moçambique)
1975 Diocese de Santarém
1975 Diocese de Setúbal
1977 Diocese de Viana do Castelo

terça-feira, 3 de maio de 2016

As Academias Científicas e Literárias em Portugal e no Brasil nos Séculos XVII e XVIII

Com excepção das academias reais (com apoios do Estado), que duraram décadas, as academias eram particulares (sem apoios do Estado) e duravam pouco tempo, mesmo quando se muniam de estatutos detalhados e de um programa de investigação ambicioso. A maioria das academias teve uma produção reduzida ou nula, e talvez só a Arcádia Lusitana tenha sido de real influência na literatura. Também noto que várias academias apareceram pela vontade de um único patrono, criando novas academias em reacção a divergências ou ao desinteresse dos próprios membros de academias velhas (ex. o Conde da Ericeira, que criou ou recriou três; Monravá y Roca, que criou uma e tentou criar outra; e as três ou quatro academias médicas portuenses que foram todas obra do mesmo grupo de académicos).

Para referência incluo em itálico as academias militares, que foram também criadas no século XVIII, mas essas funcionaram desde o início como autênticas escolas práticas do exército e da marinha, com objectivos científicos mas práticos, e nunca com os objectivos diletantes ou culturais das academias particulares; todas as academias militares eram reais (com apoio do Estado), enquanto que apenas duas (ou três) das literárias e científicas o eram. Nota: a Academia de Portugal em Roma [ou Academia Portuguesa das Artes em Roma], fundada em 1712 com privilégio real, era também uma escola prática de belas artes e não uma associação diletante (v. post anterior).


Academias Literárias e Científicas Reais e mais importantes:
1720/12/08, Academia Real da Historia Portugueza
1747, Academia Litúrgica Pontifícia em Portugal [aulas só em 1756, de facto só em 1758]
1752, Arcádia Lusitana ou Ulissiponense
1779/12/24, Academia Real das Sciencias de Lisboa
1790, Academia das Bellas-Letras de Lisboa [Nova Arcádia] (de Dom José Luís de Vasconcelos e Sousa, 6.º Conde de Pombeiro jus uxoris, 1.º Marquês de Belas)

Academias Literárias e Científicas Particulares:
1647-1667, Academia dos Generosos [1.ª vez] (de Dom António Álvares da Cunha)
1663-1665, Academia dos Singulares de Lisboa
1664-1???, Academia dos Solitários de Santarém
1673-1683, Academia Instantânea (de Dom Fernando Correia de Lacerda, Bispo do Porto)
1685-1686, Academia dos Generosos [2.ª vez] (de Dom Luís da Cunha)
1693-1693, Academia dos Generosos [3.ª vez] (de Dom Francisco Xavier de Meneses, 4.º Conde da Ericeira)
1696-1704, [Academia das] Conferências Discretas e Eruditas [ou Academia dos Generosos, 4.ª vez] (de Dom Francisco Xavier de Meneses, 4.º Conde da Ericeira)
1701, Academia Militar da Praça de Viana
1707, Academia Militar da Corte
1714-1725, Academia dos Anónimos ou dos Ocultos
1715-1716, Academia do Núncio Monsenhor Firrau
1716-1720, Academia dos Ilustrados
1717-1720, Academia Portuguesa [ou Academia dos Generosos, 5.ª vez] (de Dom Francisco Xavier de Meneses, 4.º Conde da Ericeira), incorporada na Academia Real da História
1720-17??, Academia de Retórica (do Padre José Leite, no Colégio de Santo Antão)
1721-17??, Academia dos Laureados de Santarém
1721-17??, Academia Problemática de Setúbal
1721-17??, Academia Problemática de Guimarães
1724-1725, Academia Brasílica dos Esquecidos (no Brasil)
fl. 1724...?, Academia dos Aplicados
1728-17??, Academia dos Aquilinos de Aveiro
1730-17??, Academia dos Unidos de Torre de Moncorvo
1731-17??, Academia Bracarense
1732, Academia Militar da Praça de Elvas
1732, Academia Militar da Praça de Almeida
1734-17??, Academia dos Renovados
fl. 1735...?, Academia Latina e Portuguesa (de Filipe José da Gama)
1736-173?, Academia dos Felizes (no Brasil)
1739-174?, Academia das Quatro Ciências (do Dr Don Antonio de Monravá y Roca)
fl. 1742...?, Academia dos Escolhidos de Lisboa
1748-1749, Academia Cirúrgica Protótipo-Lusitânica Portuense (Porto)
1749-1752, Academia Medico-Portopolitana [ou Academia dos Escondidos] (Porto)
1752-175?, Academia dos Selectos (no Brasil)
1756-17??, Academia Mariana (de Frei Manuel do Cenáculo)
1759-1760, Academia Brasílica dos Renascidos (no Brasil)
1759-1764, Academia Real Cirúrgica Portuense (Porto)
1772-17??, Academia Científica do Rio de Janeiro (no Brasil)
1777-1798, Academia dos Obsequiosos (de João Dias Talaya Sotomaior)
1779, Academia Real de Marinha
1790, Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho
- Academia dos Insignes
- Academia Literária (Brasil)

Fontes consultadas:
- J. Mendes dos Remédios (1914) História da Literatura Portuguesa. Lisboa: Lumen. [pp. 424ss]
- J. Silvestre Ribeiro (1871-1914) História dos estabelecimentos scientificos em Portugal. 19 tomos. Lisboa: Academia Real das Sciências. [Tomo I, pp. 154ss]
- J. Silvestre Ribeiro (1853) Primeiros traços d'uma resenha de litteratura portugueza. Lisboa: Imprensa Nacional. [pp. 138ss]
- J. Martins e Silva (2002) Anotações sobre a história do ensino da Medicina em Lisboa, desde a criação da Universidade Portuguesa até 1911 – 1ª Parte. Revista da Faculdade de Medicina de Lisboa 7(5): 237-249.
- A. A. Banha de Andrade (1966) Vernei e a cultura do seu tempo. Coimbra: Imprensa de Coimbra [pp. 60ss]
- I. Drummond Braga (2001) As realidades culturais. In Nova História de Portugal (dir. J. Serrão e A. H. Oliveira Marques), vol. VIII Portugal da Paz da Restauração ao Ouro do Brasil (coord. A. Freitas Meneses). Lisboa: Editorial Presença.