domingo, 18 de janeiro de 2015

Os Colégios Jesuítas e as Casas Oratorianas em Portugal e no Império Português 1542-1834

Nestes colégios e casas ensinavam-se os Estudos Menores (médios, actuais básico e secundário, e preparatório), e não Maiores (superiores ou universitários). Estas duas listas foram tiradas essencialmente dos textos de Teresa Rosa [1] (principalmente no que toca a Portugal Continental, Madeira e Açores); no fim de cada lista vou transcrever alguns parágrafos desses textos por falta de tempo para construir um texto meu adaptado. Provàvelmente ambas as listas estão incompletas e, portanto, this post is a work in progress.

Colégios Jesuítas fundados nos sécs. XVI e XVII:
1542 Colégio de Santo Antão, em Lisboa
1542 Colégio de Jesus, em Coimbra
1548 Colégio de São Paulo, em Goa, Índia
15?? Colégio de São Salvador, em Coulão, Índia
1549 Colégio de São Vicente, em São Vicente, Brasil
1549 Colégio de Jesus, em Salvador da Bahia, Brasil
1551 Colégio do Espírito Santo, em Évora
1554 Colégio de São Paulo, em São Paulo de Piratininga, Brasil
1555 Real Colégio das Artes, em Coimbra (fundado em 1547)
1560 Colégio de São Paulo, em Braga
1560 Colégio de São Lourenço, no Porto
1561 Colégio do Santo Nome de Jesus, em Bragança
1563 Colégio de São Manços, em Évora
1570 Real Colégio São João Evangelista, no Funchal
1570 Real Colégio da Ascensão de Cristo, em Angra
1573 Colégio de São Sebastião, no Rio de Janeiro, Brasil
1576 Colégio de Nossa Senhora da Purificação, em Évora
1576 Colégio de São Gregório, em Évora
1583 Colégio da Madre de Deus, em Évora
1590 Colégio de São Patrício, em Lisboa
1591 Residência de São Miguel, em Ponta Delgada
1594 Colégio da Madre de Deus (ou de São Paulo), em Macau
1599 Colégio de São Tiago, em Faro
1605 Colégio de São Sebastião, em Portalegre
1621 Colégio de Todos os Santos, em Ponta Delgada
1621 Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Santarém
1644 Colégio de São Tiago, em Elvas
1652 Colégio de São Francisco Xavier, no Faial
1655 Colégio de São Francisco Xavier, em Setúbal
1660 Colégio São Francisco Xavier, em Portimão
1662 Escola da vila de Pernes fundada por uma fidalga, Dona Ana da Silva, que deixou uma renda para se abrir uma escola de latim, anexa ao Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Santarém
1670 Colégio São Francisco Xavier, em Beja
1679 Colégio São Francisco Xavier, em Lisboa
1693 Residência da Santíssima Trindade, em Gouveia

"A obra educativa dos jesuítas situava-se especialmente nos níveis de ensino médio e superior, não sendo o ensino elementar considerado como parte indispensável do seu programa educativo. Ensinar a ler e a escrever seria também considerado obra de caridade; contudo, tal só se verificaria se os inacianos tivessem gente suficiente que pudessem acudir a tudo." [2]

"[O Colégio das Artes] era destinado a administrar o ensino preparatório de ingresso na Universidade de Coimbra e a licenciatura em Artes e bacharelato em Filosofia." [3]

"[Até à sua expulsão em 1759] em Portugal o ensino era maioritariamente ministrado por Jesuítas. O ensino era também ministrado em algumas escolas dos Oratorianos e em escolas geralmente pequenas, a cargo das câmaras, da igreja e de congregações religiosas, nas localidades onde tal ensino não chegava. Nelas eram leccionadas especialmente o latim e as primeiras letras. Podemos considerar ainda a existência de professores particulares." [4]

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Casas Oratorianas fundadas nos sécs. XVII e XVIII:
1645 Casa de Nossa Senhora das Necessidades, em Lisboa
1658 Casa dos Oratorianos, em Freixo de Espada à Cinta
1659 Casa do Espírito Santo, em Lisboa
1685 Casa dos Oratorianos, no Porto
1689 Casa dos Oratorianos, em Viseu
1690 Casa dos Oratorianos, em Braga
1701 Casa dos Oratorianos, em Estremoz

"Por sua vez, a 16 de Julho de 1668, [estabelecia-se] em Lisboa a Congregação do Oratório de São Filipe [Néri]. Esta Congregação, fundada em Roma, em 1550, e introduzida em Portugal pelos Padres Bartolomeu de Quental e Francisco Gomes, revelou-se uma instituição preponderante e charneira na edificação de uma nova matriz cultural em Portugal. Embora quase tão antiga como a Companhia de Jesus, aquela Congregação revelou-se sempre mais permeável às tendências modernas. Não olvidou os seus deveres quando veio a ser participante activa das reformas pedagógicas pombalinas. Ainda antes das Reformas Pombalinas a Congregação do Oratório chegou a ter, em Portugal, casas nas quais também era ministrado o ensino secundário de humanidades e, em várias delas, o de filosofia e de teologia. Destas destacam-se: a Casa do Espírito Santo, fundada em Lisboa, no ano de 1659 e que veio a ser destruída pelo terramoto de 1755; a Casa de Nossa Senhora das Necessidades, em Lisboa, fundada no ano de 1645; em 1658, em Freixo de Espada à Cinta; em 1685, na cidade do Porto; em 1689, em Viseu; em 1690, em Braga; em Estremoz, em 1701. Refere Santos (1982) que estes religiosos não possuíam estabelecimentos especialmente dedicados ao ensino. No entanto [...] esta situação foi alterada pelo Decreto Régio de 9 de Fevereiro de 1745, pelo qual foi atribuído à Congregação o cargo de manter “perpètuamente quatro classes de ensino: doutrina cristã, ler, escrever e contar; gramática e retórica; teologia moral e filosofia” (Adão, 1997)." [5]

Referências
[1] Rosa, T. (2005). O Colégio da Ascensão de Angra do Heroísmo: uma análise pedagógica da Companhia de Jesus. Um contributo para a História da Educação em Portugal. Tese de doutoramento, apresentada na Universidade dos Açores; Rosa, T. (2013). História da Universidade Teológica de Évora (Séculos XVI a XVIII). Lisboa: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa; Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores e as Reformas PombalinasInteracções 10(28):40-54.
[2] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 42.
[3] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 43.
[4] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 45.
[5] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 44; Santos, E. (1982). O Oratório no Norte de Portugal. Contribuição para o estudo da história religiosa e social. Porto: INIC; Adão, A. (1997). O Estado Absoluto e o ensino das primeiras letras. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

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