quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Colégios Universitários em Coimbra

Este post teve tradução para inglês em The Lost Colleges of the University of Coimbra, e tem seguimento noutros sobre colégios neste mesmo blogColégios Universitários em Coimbra (mais uma actualização...)Colégios Universitários em LisboaUniversidades em Portugal e A Alta de Coimbra Reconstituída.


Quem passa na Rua da Sofia, em Coimbra, e se pode dar ao luxo de ignorar os automóveis, as multidões, os gases intoxicantes dos escapes, e levanta a cabeça e olha para as "paredes" da rua, fica certamente intrigado com a profusão de igrejas que aí existe. Igrejas quase do mesmo estilo que se repetem quase regularmente de ambos os lados da rua.

Bom, eu já me dei a esse luxo e, a mim, intrigou-me. E foi por isso que decidi ir pesquisar o porquê (ou melhor ainda, o como) da questão. Eu sabia que Portugal foi, e é, um dos mais católicos países do mundo, que foi (e é?) o país mais clerical da Cristandade, aquele onde os clérigos mais exerceram influência nos mais variados aspectos diários do país; mas, bolas, em plena cidade, com o Mosteiro de Santa Cruz ali ao pé, com tamanha regularidade, não conseguia perceber assim de imediato o que ocasionou tantas igrejas...

Fachadas Nordeste e Sudoeste da Rua da Sofia.

Comecei pelo mapa da cidade que se consegue grátis em qualquer posto de Informações da cidade e procurei o nome das igrejas. Com isso já pude pesquisar na net. Li umas coisas e comecei a notar uma palavra associada às igrejas: colégio. "Igreja e Colégio" de tal, é o que aparecia. Fui aos livros e percebi que havia mais Colégios Universitários (sim, porque Coimbra teve Colégios, mais ou menos como Oxford ou Cambridge, até ao liberalismo) do que os que eu conhecia e que hoje albergam departamentos da Universidade: o Colégio de Jesus (Departamento de Zoologia e Departamento de Ciências da Terra), o Colégio de São Jerónimo (Hospital Velho), o Colégio das Artes (Departamento de Bioquímica e Departamento de Arquitectura) e o Colégio de São Bento (Departamento de Botânica e Departamento de Antropologia).

Colégios na Rua da Sofia.

E aqui estava a explicação para a regularidade de igrejas na Rua da Sofia: eram as igrejas dos Colégios! A maior parte dos Colégios foi criada no século XVI, durante e imediatamente a seguir à Reforma da Universidade durante o reinado d'El-Rei Dom João III. Destinavam-se a clérigos que desejavam estudar na Universidade e pertenciam a ou eram geridos por ordens religiosas (daí se chamarem muitas vezes Colégios Monásticos). Para construir os edifícios dos Colégios abriu-se uma nova rua em Coimbra, a Rua "da Sophia", ou seja, da Sabedoria, exactamente por ser a rua dos Colégios.

O Estudo Geral (Universidade) foi instalado definitivamente em Coimbra no ano de 1537, primeiro ocupando anexos do Mosteiro de Santa Cruz (que era ao tempo uma autêntica universidade rival), icluindo os Colégios Crúzios de São Miguel e de Todos-os-Santos, e depois a Alcáçova Real (comprada finalmente ao rei em 1597), onde hoje ainda se encontra. Os Colégios foram instituídos por Frei Brás de Barros em 1535 (ainda que já tivessem sido sugeridos pelo Infante Dom Pedro, 1º Duque de Coimbra, quase um século antes) para permitir os estudos preparatórios à entrada na Universidade, albergar os estudantes e, vá lá, permitir as aulas da Universidade, que sofria de falta de instalações adequadas. A coisa não correu muito bem, mas as razões para tal dão certamente para uma tese de doutoramento e eu não me vou meter nisso. Posso dizer que os Colégios, como estavam nas mãos da Igreja, foram dissolvidos aquando da extinção das ordens religiosas em 1834 e os edifícios nacionalizados ou vendidos para diferentes fins, ficando a Universidade a funcionar sem eles.

Foto da Alta de Coimbra antes das demolições de 1942.

Eu agora, já não intrigado pelas igrejas mas pelos Colégios, continuando a pesquisa, consegui encontrar os nomes de muitos, de muitos mais do que estava à espera, tando da Baixa como da Alta. E partindo dos nomes tentei encontrar 1) a data de estabelecimento (não exactamente a de construção do edifício), e 2) a localização aproximada do edifício (a Alta de Coimbra foi destruída nos anos 1940 para a construção dos actuais edifícios da Faculdade de Letras, da Biblioteca Geral, da Faculdade de Medicina, do Departamento de Física, do Departamento de Química e do Departamento de Matemática).

Aqui fica o resultado da minha pesquisa, uma cronologia dos Colégios Universitários em Coimbra e umas breves notas sobre eles.

1527 Mosteiro de Santa Cruz (reforma)
1535 Colégio de São Miguel
1535 Colégio de Todos-os-Santos
1537 Universidade de Coimbra (refundação)
1539 Colégio de São Tomás
1540 Colégio de Nossa Senhora do Carmo
1540 Colégio de São Pedro *
1542 Colégio das Onze Mil Virgens ou de Jesus
1543 Colégio de Nossa Senhora da Graça
1545 Colégio de São Bernardo ou do Espírito Santo
1545 Colégio de São Domingos
1548 Real Colégio das Artes
1548 Colégio de São João Evangelista ou dos Lóios
1549 Colégio de São Jerónimo
1550 Colégio de São Paulo Apóstolo
1550 Colégio de São Boaventura ou dos Pimentas **
1552 Colégio da Santíssima Trindade
1552 Colégio Novo, de Santo Agostinho ou da Sapiência
1555 Colégio de São Bento
1566 Colégio de Nossa Senhora da Conceição, de Tomar ou de Cristo
1572 Colégio dos Franciscanos Calçados, dos Terceiros ou dos Borras *
1602 Colégio de Santo António da Pedreira
1603 Colégio de São José dos Marianos
1615 Colégio dos Militares
1616 Colégio de São Boaventura **
1707 Colégio de Santo António da Estrela
1755 Colégio de Santa Rita, dos Agostinhos Descalços ou dos Grilos
1779 Colégio de São Paulo Eremita

Mapa da localização dos Colégios Universitários em Coimbra.

Colégio de São Miguel - Estabelecido em 1535. Pertencente ao Mosteiro de Santa Cruz. Destinava-se a alunos canonistas e teólogos para fidalgos abastados. Deixa de existir em 1566 e no seu edifício e no do Colégio de Todos-os-Santos funcionou até 1821 o Tribunal da Inquisição.

Colégio de Todos-os-Santos - Estabelecido em 1535. Pertencente ao Mosteiro de Santa Cruz. Destinava-se a alunos honrados e pobres. Deixa de existir em 1566 e no seu edifício e no do Colégio de São Miguel funcionou até 1821 o Tribunal da Inquisição.

Colégio de São Tomás - Estabelecido em 1539 perto do rio, transferiu-se para a recentemente aberta Rua da Sofia, por causa das inundações, em 1546. Pertencente à Ordem Dominicana. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício passou para mãos privadas e sofreu sucessivas remodelações até se tornar o actual Palácio da Justiça, que, obviamente, já nada tem a ver com o edifício original quinhentista.

Colégio de São Tomás antes de ser transformado em Palácio da Justiça (sem data).

Colégio de Nossa Senhora do Carmo - Estabelecido em 1540, construído em 1541 pelo bispo do Porto, Frei Baltasar Limpo, para residência de clérigos que desejavam frequentar a Universidade. Em 1547 foi doado à Ordem dos Carmelitas Calçados. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício passou para a Venerável Ordem Terceira de São Francisco (1837), que nele tem hoje um Hospital-Asilo.

* Colégio de São Pedro - Estabelecido em 1540 pelo bispo de Miranda, Dom Rodrigo de Carvalho, para que 12 clérigos pobres mirandeses pudessem estudar. O edifício na Baixa foi construído entre 1543 e 1548. Em 1572, El-Rei Dom Sebastião I concedeu a este Colégio o edifício junto à Alcáçova Real (a Sul do que é hoje a Porta Férrea), passando o Colégio de São Pedro a usufruir de dois edifícios, um na Baixa, outro na Alta. O edifício da Baixa acabou por passar para a Ordem Terceira Regular de São Francisco (frades Franciscanos Calçados ou frades Terceiros, vulgo "Borras"). Na Alta, o Colégio destinava-se a doutores e licenciados para estágio via ensino, ou seja, para quem após completados os estudos pretendia ser lente na Universidade mas ainda não tinha lugar.

Colégio das Onze Mil Virgens ou de Jesus - Estabelecido em 1542 pela Companhia de Jesus (frades Jesuítas). Foi o primeiro Colégio Jesuíta em todo o Mundo e o maior de Coimbra. A sua finalidade era preparar missionários, principalmente para o Oriente. Tinha capacidade para mais de 200 alunos, corpo docente e pessoal auxiliar. Com a expulsão da Companhia em 1759, os bens do Colégio foram anexados à Fazenda da Universidade. A sua igreja passou à categoria de Sé Catedral (Sé Nova) de Coimbra em 1772, e o seu edifício, com a reforma pombalina da Universidade, foi adaptado entre 1773 e 1775 para albergar o Museu de História Natural (Museu Zoológico), que lá se mantém ainda hoje.

Colégio de Jesus numa foto antiga (sem data).

Colégio de Nossa Senhora da Graça - Estabelecido em 1543 por Frei Luís de Montoia para a Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. A planta do edifício (do arquitecto Diogo de Castilho) foi o protótipo para os futuros colégios monásticos da cidade. Por carta régia, o Colégio é incorporado na Universidade em 1549. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício passou para a Irmandade do Senhor dos Passos e para o Colégio do Exército. Hoje é um Quartel Militar.

Colégio do Espírito Santo ou de São Bernardo - Estabelecido em 1545. Patrocinado pelo Cardeal Infante Dom Henrique. Pertenceu à Ordem de Cister. No século XIX foi transformado num palacete.

Colégio de São Domingos - Estabelecido em 1545, funcionou apenas até 1566, ainda com o edifício inacabado.

Real Colégio das Artes - Estabelecido em 1548, funcionou inicialmente nas instalações do Colégio de São Miguel e do Colégio de Todos-os-Santos (pertencentes ao Mosteiro de Santa Cruz). Em 1555 é confiado à Companhia de Jesus (frades Jesuítas); em 1566 é transferido para casas junto do Colégio de Jesus (pertencente aos Jesuítas); em 1568 inicia-se a construção do edifício definitivo, que ainda hoje existe. Em 1759 os Jesuítas são expulsos e o edifício do Colégio é incorporado na Universidade. Era um Colégio um pouco diferente dos outros, não só por ter sido criado pelo Estado, mas porque exerceu funções específicas: as Artes corresponderiam ao actual Ensino Secundário e eram ensinadas na Universidade como preparação para a frequência de qualquer uma das três Faculdades ditas Faculdades Maiores em contraposição à "Faculdade" de Artes, a Faculdade Menor; para retirar as Artes da alçada directa da Universidade, El-Rei Dom João III cria o Colégio das Artes. Virtualmente todos os propensos estudantes da Universidade deveriam estudar primeiro neste Colégio antes de se matricular nela. Isto não funcionou bem e o Rei acabou por entregar o Colégio a uma ordem religiosa.

Colégio de São João Evangelista ou dos Lóios - Estabelecido em 1548. Pertencente aos Cónegos Seculares de São João Evangelista (padres Lóios). Em 1597 os Lóios passam para a Alta mas só constroem um edifício entre 1631 e 1638, no Largo da Feira, hoje sensìvelmente o Largo da Sé Nova. Foi extinto em 1834 e no edifício funcionaram o Governo Civil e outras repartições do Estado até ser demolido em 1942.

Colégio dos Lóios (fachada do Governo Civil) antes de 1942.

Colégio de São Jerónimo - Estabelecido em 1549, construído a partir de 1565. Extinto em 1834, em 1836 o edifício passou para a Universidade que, em 1848, o transformou no seu Hospital.

Colégio de São Paulo Apóstolo - Estabelecido em 1550, o edifício só foi inaugurado em 1563, sensìvelmente onde hoje é a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Era destinado originalmente a clérigos pobres e posteriormente a doutores e licenciados para estágio via ensino, ou seja, para quem após completados os estudos pretendia ser lente na Universidade mas ainda não tinha lugar. Foi extinto em 1834 e o edifício entregue à Universidade, que em 1912 aí instalou a Faculdade de Letras.

Edifício do Colégio de São Paulo Apóstolo entre 1888 e 1912.

** Colégio de São Boaventura (na Baixa) ou dos Pimentas - Estabelecido em 1550. Pertencente aos Franciscanos Conventuais da Província de Portugal ("Venturas"), depois aos Capuchos de Santo António e finalmente aos Franciscanos do Algarve ("Pimentas"). A existência na Alta de outro Colégio diferente também chamado "de São Boaventura" suscita confusão sobre a distinção entre os dois: que descrição pertence a qual, que datas pertencem a qual? Só consegui ficar com a certeza de que o da Baixa era o "dos Pimentas" e que foi criado em 1550, e que foi o da Alta que, no século XIX, foi transformado em Museu Antropológico.

Colégio da Santíssima Trindade - Estabelecido em 1552, construido a partir de 1562 na Couraça de Lisboa. Pertencente à Ordem da Santíssima Trindade da Redenção dos Cativos. Era na sua igreja que o culto religioso da Universidade se realizava quando a Capela da Universidade estava impedida. Extinto em 1834, o edifício foi vendido a particulares. Hoje encontra-se em ruínas para serem restauradas.

Colégio Novo, de Santo Agostinho ou da Sapiência - Estabelecido em 1552 pelo bispo de Coimbra, Dom Afonso Castelo Branco. Pertencente ao Mosteiro de Santa Cruz, que viu vantagem em construir um Colégio na Alta: na altura os Colégios de São Miguel e de Todos-os-Santos já não existiam, existindo apenas o "Colégio" de Santa Cruz. A construção durou de 1593 a 1604. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício passou para uma instituição na dependência da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. Hoje é propriedade da Misericórdia, e nele funcionam a igreja, o museu e o arquivo desta instituição, e a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

Colégio de São Bento - Estabelecido em 1555 por Frei Diogo de Murça, reitor da Universidade. A construção começou em 1576. Pertencente à Ordem de São Bento (frades Beneditinos). Extinto em 1834, foi entregue à Universidade.

Colégio de Nossa Senhora da Conceição, de Tomar ou de Cristo - Estabelecido em 1566 para a Ordem de Cristo. Inicialmente instalados no Colégio de São Jerónimo, os monges-estudantes decidem instalar-se "nuns cerrados" fora de portas. Extinto em 1834, passa por muitas peripécias até ser demolido para se fazer a Penitenciária de Coimbra.

Colégio da Conceição onde hoje é a Penitenciária; são reconhecíveis no centro da foto o Aqueduto de São Sebastião e as estufas do Jardim Botânico (sem data).

* Colégio dos Franciscanos Calçados, dos Terceiros ou dos Borras - Estabelecido em 1572 (ver Colégio de São Pedro). Em 1834 foi extinto.

Colégio de Santo António da Pedreira - Estabelecido em 1602 por frades Franciscanos Reformados ou Capulhos ("Pedreiras") Extinto em 1834, o edifício passou para particulares e hoje é a Casa de Infância Dr. Elísio de Moura, na Rua dos Grilos.

Colégio de São José dos Marianos - Estabelecido em 1603. Construído a partir de 1606. Extinto em 1834, no edifício instalaram-se sucessivamente o Hospital dos Lázaros, o Real Colégio Ursulino das Chagas (das Ursulinas, para educação de meninas, não universitário) em 1851, e o Hospital Militar em 1910, que se mantém até hoje.

Colégio dos Militares - Estabelecido em 1615 a Norte do Colégio de São Bento. Destinava-se aos membros fidalgos das Ordens Militares de Santiago de Espada e São Bento de Avis. Foi extinto em 1834 e o edifício passou para a Universidade (que lá instalou o Hospital dos Lázaros em 1853, vindo do Antigo Colégio de São José dos Marianos) e foi demolido nos anos 1940.

** Colégio de São Boaventura (na Alta) - Estabelecido em 1616 (ver Colégio de São Boaventura na Baixa ou dos Pimentas). Em 1625, os frades Venturas obtiveram licença pontifícia para adquirir o edifício de um antigo colégio e casas vizinhas na Rua Larga. O conjunto foi remodelado como Colégio entre 1665 e 1678. Foi extinto com as ordens religiosas em 1834. Foi nele que se formou o primeiro núcleo do Museu Antropológico da Universidade; foi demolido em 1942.

Colégio de Santo António da Estrela - Estabelecido em 1707 pelo provincial Frei Ambrósio de Santo Agostinho, iniciou-se a construção em 1715. Pertencente aos frades Fanciscanos. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício passou para mãos privadas, passando por várias remodelações e um incêndio. Hoje só resta a antiga igreja, onde funciona a Junta de Freguesia de Almedina.

Colégio de Santa Rita, dos Agostinhos Descalços ou dos Grilos - Estabelecido em 1755. Pertencente à Ordem dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho ("Grilos"). Extinto em 1834, no edifício instalaram-se colégios masculinos.

Colégio de São Paulo Eremita - Estabelecido em 1779 na Rua Larga. Extinto em 1834, o edifício foi sucessivamente sede do Conselho Superior de Instrução Pública, do Instituto de Coimbra, de um Museu de Antiguidades e Arqueologia e da Associação Académica de Coimbra até à sua demolição em 1942.

Colégios na Baixa (Rua da Sofia).

Podem encontrar mais fotos e melhores descrições em http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=503390, um thread d' O Prof. Godin.

Colégios na Alta.

Daqui se pode ver que (à parte os de Santa Cruz) havia três Colégios diferentes dos outros: o das Artes, o de São Paulo Apóstolo e o de São Pedro. O primeiro era como que uma "Escola Secundária" ou "Preparatória à entrada na Universidade"; os outros dois, chamados Colégios "Seculares", eram o que hoje se poderia chamar Colégios "Graduados", para estudantes graduados (bacharéis, licenciados, mestrandos/mestres, doutorandos/doutores) que pretendessem ficar com um lugar na Universidade, assim que tal lugar vagasse. Uma vez que a maior parte dos Colégios (todos os outros além destes) pertenciam a ordens religiosas e se destinavam a monges estudantes principalmente de Teologia, pode dizer-se que o sistema de Colégios de Coimbra funcionava apenas para a Faculdade de Teologia, enquanto que os estudantes das outras Faculdades (claramente em maior número no total da Universidade) tomavam alojamento no meio da população coimbrã (Taveira, 2002).

Colégios visíveis na foto da Alta antes das demolições.

Percebi que foram criados ao todo 19 Colégios no século XVI, 4 no século XVII e 3 no século XVIII. Ainda não percebi se houve mesmo um Colégio de Santa Cruz, pertencente ao Mosteiro de Santa Cruz, se "Colégio de Santa Cruz" é expressão sinónima de Mosteiro de Santa Cruz. De qualquer maneira, fiquei com a certeza que o Mosteiro de Santa Cruz tinha Colégios próprios, o Colégio de São Miguel e o Colégio de Todos-os-Santos (que Frei Brás de Barros fundou em 1535), extintos em 1566, e posteriormente o Colégio Novo; porém, encontrei no texto do Prof. Fernando Taveira (2002) mais dois nomes associados a Santa Cruz, Colégio de Santo Agostinho e Colégio de São João Batista, que se situavam "um à direita e outro à esquerda do Mosteiro" de quem olha de frente para a igreja. Ainda não tenho mais informação àcerca destes hipotéticos Colégios, se são má interpretação do texto, se é um erro do próprio autor, se é uma confusão com outros Colégios de nome ou de localização semelhante, se, portanto, sequer existiram; porém, na GEPB está explícito que à data de implantação da Universidade em Coimbra, o Mosteiro de Santa Cruz teria quatro Colégios, não apresentando qualquer informação sobre os mesmos, nem sequer os seus nomes; uma vez que dois dos quais são claramente São Miguel e Todos-os-Santos, estes outros dois podem muito bem ser os restantes, o que também poderia explicar o porquê do Colégio de Santo Agostinho na Alta ser chamado Colégio Novo (Colégio Novo de Santo Agostinho, talvez). Tentarei encontrar algo mais sobre eles e incluí-los na tabela cronológica.

Encontrei ainda mais dois nomes de Colégios Universitários associados a Coimbra: Colégio de Santa Bárbara e Colégio dos Carmelitas Descalços. O primeiro, apesar de ser pràticamente português, não se situava em território nacional: era um Colégio da Universidade de Paris, arrendado por Diogo de Gouveia em 1520 para alojar estudantes portugueses; dele tentarei falar noutro post. Sobre o segundo não encontro qualquer informação; só coloco três hipóteses: 1) é de facto Colégio Universitário "per se" sobre o qual ainda não consegui encontrar informação fidedigna; 2) é nome alternativo a outro Colégio já descrito; e 3) é colégio não universitário.

Para quem tem interesse na orgânica dos Colégios Universitários actuais aconselho vivamente o site http://collegiateway.org/. O seu autor defende vigorosamente a adopção do sistema de Colégios por qualquer Universidade com ou sem passado colegiado, e eu penso que ele tem razão... mas isso é um outro post!



Como curiosidade,:
Em 1540 havia 537 matriculados na Universidade
Em 1570 havia 693 matriculados na Universidade.
Em 1573 havia 1.000 matriculados na Universidade.
Em 1674 havia 1.100 matriculados na Universdiade.
Em 1684 havia 1.700 matriculados na Universidade.
Em 1720 havia 2.500 matriculados na Universidade.
Em 1765 havia 4.629 matriculados na Universidade e 3.371 nos Colégios.
Em 2006 havia c. 20.000 matriculados na Universidade.

Fontes consultadas:
-Almeida, Á. D. & Belo, D. 2007. Portugal Património, Vol. III. Lisboa: Círculo de Leitores.
-Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vols. 7 e 33. Lisboa: Editorial Enciclopédia. s/d.
-Guia de Portugal, Vol. III. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1941 (1984, 2ª ed.).
-http://www.cm-coimbra.pt
-http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=368636
-http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=503390
-http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=9567659
-Lexicoteca, Vol. XVIII. Lisboa: Círculo de Leitores. 1988.
-Mattoso, J. (coord.) 1993. História de Portugal, Vol. III. Lisboa: Círculo de Leitores.
-Taveira, F. 2002. Early Modern Coimbra: The Town and the University. http://www.chsc.uc.pt/biblioteca/digital/008.htm

Não consultados:
-"Conteúdo" Comunicação sobre a influência dos colégios da "Alta" e o desenvolvimento da arte em Coimbra e sua região.
-Gonçalves , A. Nogueira. 1982. Os Colégios Universitários de Coimbra e o Desenvolvimento da Arte, in A Sociedade e a Cultura de Coimbra no Renascimento, Actas do Simpósio Internacional Organizado Pelo Instituto de História da Arte da Universidade de Coimbra. Coimbra: Epartur.
-Revista Monumentos Nº 25. 2006.
-Santana, P. 2003. Identidade e globalização: uma geografia da memória da Alta de Coimbra. Cadernos de Geografia Número Especial, pp. 21-35.

15 comentários:

Joana Serrado disse...

Caro Miguel. Parabens pelo artigi sobre os Colégios. está realmente muito interessante. Eu estou a estudar um texto manuscrito cisterciense que foi entregue ao colégio do Espirito Santo para publicacao, nos finais do séc XVII. Sabe onde eu posso arranjar mais informaçao sobre este Colegio? (E o seu arquivo?)

Cumprimentos

Joana Serrado

Miguel Pires Prôa disse...

Cara Joana,

Muito obrigado pelo seu comentário. Lamento por só ter visto agora e, portanto, responder com quase um mês de atraso.

Esta informação que eu coligi foi principalmente retirada da net e de enciclopédias por curiosidade minha. Sei que existem algumas monografias sobre os colégios em geral (cito-as no artigo) mas ainda não tive o prazer de por os olhos nalguma! Na biblioteca do Departamento de Antropologia de Coimbra, que costumo frequentar, já encontrei alguns volumes sobre Arquitectura e História que falam marginalmente dos colégios. Suponho que na Faculdade de Letras ou na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (que talvez conheça melhor que eu) possa haver alguma tese ou monografia esquecida... Porém, as melhores fontes directas, certamente não estudadas, devem estar na antiga biblioteca do Colégio de São Pedro, cujo espólio está acumulado na Biblioteca Geral. Sinceramente, ainda não consegui reunir paciência suficiente para enfrentar a burocracia daquilo! Infelizmente também, os trabalhos que ainda se vão encontrando versam sobretudo sobre o Património, o restauro dos edifícios dos colégios, etc., e não sobre a orgânica e a História da orgânica dos mesmos.

Sugiro que, para já, consulte o seguinte (o que se calhar já fez):
http://web.bg.uc.pt/Bibliotecadigital/
http://webopac.sib.uc.pt:2082/search~S17
http://www.uc.pt/bguc/biblioteca/DocumentosDiversos/ColegioUniversitarioSaoPedro

Quanto ao Colégio do Espírito Santo em particular penso que não há nada (o único colégio que acaba sempre por merecer atenção particular é o das Artes); ainda por cima, como foi vendido em hasta pública em 1834 e passou para mãos particulares que o transformaram em palacete que hoje está desabitado (tirando umas lojas no rés-do-chão), não me admirava nada que o seu espólio documental esteja disperso, inacessível ou mesmo desaparecido. Esgotadas todas as hipóteses só restaria contactar o proprietário do edifício e perguntar... E saber quem é o proprietário se calhar só mesmo perguntando nas lojas do rés-do-chão quem é o senhorio!

Bom, espero que esta extensa resposta lhe tenha sido minimamente útil. Se eu entretanto conseguir encontrar mais alguma coisa devo postar no blog. Não falo neerlandês, mas ainda assim:

Tot ziens,

Miguel Pires Prôa

noneg disse...

Caro Miguel Prôa:

Ao procurar localizar o Colégio dos Bentos e na falta do "tradicional material de apoio" recorri à internet e encontrei uma "Gaveta com Saber".
Um saber com sabor atento, airoso e simpático, que por certo não só os colégios apreciam, como também os interessados por estes assuntos agradecem.
Um obrigada de alguém que também vai acumulando saberes na gaveta e que escreve de uma outra cidade com muitos colégios universitários.
MMP

Miguel Pires Prôa disse...

My very dear noneg/MMP,

Muitíssimo obrigado pelo delicioso comentário! Fico muito contente por saber que o meu blog está a ser tão bem degustado.

E esses seus saberes na gaveta, tire-os de lá, tenho a certeza de que valem a pena ser sabidos!

Felicidades para si nesse fantástico mundo de Oxbridge, se é nele que está!

Miguel

Anónimo disse...

Procurando a "alta desaparecida de Coimbra" descobri a sua Gaveta com Saber. Gostei imenso do estudo, tão bem estruturado sobre todos os colégios de Coimbra.
Como curiosa que sou, agradeço-lhe sinceramente.
Cumprimentos

Miguel Pires Prôa disse...

Obrigado cara Anónima,

Isto é apenas um meroo esboço, mas fico contente que tenha gostado (e que o tenha achado bem estruturado, eu fiz por isso).

Felicidades,

Miguel

eusei disse...

Os anónimos são assim, quem devia fazer estas coisas não faz, gasta o dinheiro de todos nós mal gasto. Está de parabens, gostei muito do que vi, peço que deixe de ser anómimo comigo, também gosto de Coimbra e faço coisas por minha conta que coloco em www.eusei.pt e www.tvcoimbra.eu.Não leve a mal mas coloquei o link em eusei. Envie e-mai para eusei.pt@gmail.com. Até breve

Helford disse...

O seu artigo sobre os Colégios Universitários de Coimbra, é bastante detalhado e revela um trabalho digno de mérito. O âmbito central e essencial do seu artigo é a história dos Colégios Universitários durante o tempo em que estes estiveram na mão de diversas Ordens Religiosas. Aqui, em princípio, não existe nenhum reparo a fazer: o detalhe e o rigor são absolutos.
Acontece que esta história terminou, para quase todos eles, em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas por Decreto de Joaquim António de Aguiar e a posterior venda dos seus bens (valiosíssimos!)em hasta pública. Muita coisa foi para as mãos do Estado, mas foi muito mais o que se perdeu, indo para as mãos de particulares ou mesmo sendo destruído pouco depois ou ao longo de décadas de má conservação e roubo. A partir daqui, começava outra "História" para estes extintos Colégios Universitários, que nem sempre fez justiça a esse "passado" no qual o Senhor centrou a sua investigação. Precisamente, por esta "História", posterior a 1834, não ser o elemento central da sua pesquisa, podem ter ocorrido algumas pequenas imprecisões, pelo menos do ponto de vista cronológico.
Não pretende isto ser uma crítica, mas antes um elemento enriquecedor da sua investigação e o ponto de partida para outras investigações futuras.
Seguem-se algumas adendas minhas.
-O Colégio de S.João Evangelista ou dos Lóios não foi demolido em 1942. É verdade que, nesse ano, tal como aconteceu com todos os edifícios sacrificados nas ditas "Obras da Cidade Universitária", a sua demolição estava já prevista. As demolições propriamente ditas só começaram em na Primavera de 1943. O que aconteceu foi que o Colégio dos Lóios, conhecido então por "Governo Civil", ardeu quase na sua totalidade em Novembro de 1943. Há quem diga que foi fogo posto. As ruínas começaram a ser demolidas no começo de 1944.
-O Colégio dos Militares, após a Reforma de 1834, foi alvo de remodelações arquitectónicas profundas, que o descaracterizaram completamente, para se fazer a sua adaptação a "Hospital dos Lázaros", nome pelo qual passaria a ser conhecido a partir de 1853 e ainda hoje é lembrado por quem conheceu a "Velha Alta" original. Este edifício era o elemento central da "Feira dos Lázaros" que se realiza, todos os anos pouco antes da Páscoa. Todavia, no começo do Século XX, este edifício foi alvo de uma nova série de remodelações, que lhe deram o aspecto final de que alguns ainda se lembram e que aparece na maioria das fotografias actualmente existentes. O edifício, nos seus últimos anos de existência, era conhecido também por "Hospital do Castelo" e destinava-se a albergar todo um conjunto de serviços, com destaque para as doenças infecto-contagiosas. A maioria das demolições das obras da Cidade Universitária (que só terminariam, de facto, em 1975), já tinha sido executada, quando o muito alterado Colégio dos Militares ainda permanecia de pé. A sua demolição deu-se em 1961 e, desta forma, acabou por ser o último dos Colégios "condenados" a desaparecer.
-O Colégio de S.Paulo, o Eremita, albergou, de facto, toda uma sequência de instituições, antes de se converter, com pleno direito, em sede da Associação Académica de Coimbra (A.A.C.). Foi com a "Tomada da Bastilha" em 1920,que este edifício passou a ser totalmente ocupado pela A.A.C. Daí que o antigo Colégio dos Paulistas também é relembrado como a "Bastilha". A sua demolição iniciou-se em Setembro de 1949.
-De referir que o Colégio de São Boaventura, que passou a ser conhecido por "Instituto de Antropologia" ou "Museu Antropológico", foi demolido em Dezembro de 1949. Durante algum tempo, esteve instalada uma "prisão académica" na sua cave. Esta desapareceu com a grande remodelação do edifício de 1912 e que lhe deu o aspecto final. Só o pórtico e o claustro se mantinham do Colégio dos Venturas original.
Mais alguns elementos posso referir mas, para já, penso que são estes os mais importantes.

Helford disse...

Mais alguns elementos a acrescentar:
-O Colégio de S.Paulo, o Apóstolo,após a sua extinção e entrega à Universidade, entrou numa fase de degradação inexorável. Já em 1834 era um edifício de construção muito antiga a dar sinais de necessitar de algumas reparações. Mesmo assim, aproximadamente 40 anos depois, a sua utilização estava na mão dos estudantes de Coimbra, que o utilizavam para espetáculos e diversos eventos de índole cultural e académica. Foi aí que se fundou o "Teatro Académico", nome pelo qual o edifício era então popularmente conhecido. É neste edifício que é fundada a Associação Académica de Coimbra no ano de 1887. Mas foi a sua 1ª sede apenas durante 2 anos, pois a Academia vê-se obrigada a abandonar este espaço, pois o "Teatro Académico" encontrava-se em risco de ruína eminente. Decide-se, então, proceder-se à sua demolição no ano de 1889. Ficou no ar a promessa de construir, nesse mesmo espaço, um novo Teatro Académico ou qualquer outro edifício para uso exclusivo da comunidade estudantil. A verdade é que isso nunca veio a acontecer...
Durante vários anos, o terreno onde havia assentado o antigo Colégio de S.Paulo, o Apóstolo, esteve ocupado pelos respectivos destroços. Depois, já no Século XX, após uma espera sem fim à vista, é tomada a decisão de se construir nesse espaço a primeira Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A Academia já se havia resignado à promessa não cumprida e foi ocupando diversos lugares, até conseguir instalar-se no antigo Colégio de S.Paulo, o Eremita ou Colégio dos Paulistas, de onde foi desalojada em 1949, com as demolições das obras da "Cidade Universitária".
Quanto à Faculdade de Letras, as obras foram-se atrasando, tendo este espaço permanecido rodeado por um tapume de madeira, que chegou a apodrecer (!) durante os longos anos, que foi necessário esperar, até conseguir entrar em funcionamento mais ou menos a partir de 1912, quando os retoques finais ainda não estavam concluídos. O projecto era ambicioso, mas, apesar de tudo, havia valido a espera, dado que o resultado final foi um edifício de grande beleza arquitectónica. O seu estilo "neoclássico", apesar de ser hoje uma mera recordação, suplanta o estilo arquitectónico "indefinível" que hostenta a actual Biblioteca Geral da Universidade que lhe "sucedeu".
Mesmo assim, é preciso reconhecer que a Universidade estava, no final da década de 1940, a necessitar de uma nova biblioteca, dotada de uma ampla sala de leitura, para suceder ao exíguo edifício a que estava confinada. Esta antiga "Biblioteca Moderna" estava localizada no preciso espaço que o grande Auditório da Faculdade de Direito hoje ocupa. A sua demolição deu-se no começo da década de 1970, tendo este espaço ficado desocupado durante mais ou menos 30 anos, pois descobriram-se aí algumas ruínas de valor patrimonial, pertencentes à velha "Alcáçova".

Helford disse...

Um reparo necessário:
-A fotografia que o Senhor diz ser do desaparecido Colégio de S.Paulo, o Apóstolo, é, na verdade, da fachada da tal Faculdade de Letras em estilo "Neoclássico" a que me referi no anterior comentário.
A fotografia fala por si, quanto a saber-se qual é o estilo arquitectónico mais bonito...

Do Colégio de S.Paulo, o Apóstolo, estranhamente, não existem fotografias conhecidas do tempo em que este estava inteiro... É uma falta grave para a História de Coimbra! Se existe alguém que tenha uma só que seja, por mais desfocada que esteja, tem a OBRIGAÇÃO de a dar a conhecer!!!

Miguel Pires Prôa disse...

Caro Helford,

Obrigadíssimo pelos seus comentários. São elementos valiosos que nos está a proporcionar. Sugiro-lhe que deixe algumas fontes bibliográficas para melhor os corroborar.

O meu propósito neste texto dos Colégios, como V. reconhece, não era escrever a História recente dos edifícios dos antigos Colégios: era fazer um breve apanhado da génese e vida dos Colégios como entidades não-patrimoniais (no sentido britânico do termo, em que um colégio é um aglomerado de mestres e estudantes e não um edifício). Isso verificou-se muito difícil de fazer uma vez que a História dos Colégios em Coimbra ainda está por escrever e eu não tinha (nem tenho) tempo disponível para investigar directamente as fontes primárias. Como tal, a menção do património edificado tornou-se quase fatal. Porém, pessoalmente, continuo muito mais interessado na orgânica dos Colégios como entidades vivas, pré-1834, do que no destino dos edifícios após essa data. Não me interprete mal, a História dos edifícios após 1834 é uma história interessantíssima, quase rocambolesca, feita de mudanças, adaptações, demolições, etc, como V. muito bem explica.

Tem toda a razão quanto à foto do Colégio de São Paulo Apóstolo, um facto que eu só vim a descobrir após ter publicado o post; pensava eu que o edifício se teria mantido na mesma, mas como V. muito bem explica, isso não foi verdade. Achei por bem manter post como está, esperando eventualmente postar outro mais detalhado e correcto. Muitas outras imprecisões serão certamente encontradas no meu texto (eu próprio já encontrei várias).

Agradeço-lhe os comentários e peço-lhe que continue: os elementos que está a proporcionar sobre os edifícios dos Colégios pós-1834 são tão importantes como os elementos sobre os Colégios "per se" pré-1834 que eu proporcionei.

Os melhores cumprimentos,

Miguel Pires Prôa

EduLemos disse...

Caro Miguel Pires Prôa:
O seu blogue refere-me como http://http://www.skyscrapercity.com/qualquer coisa que remete para um dos meus artigos de investigação e divulgação…eu não me importo nada desde que refiram correctamente, cientificamente, de acordo com as regras que bem conhece. Tal tem sido o uso e abuso que eu escrevi o seguinte:

NOTA PRÉVIA: a todos aqueles que consultam este thread e utilizam as imagens, texto e informação, nas suas provas finais, em mestrado ou doutoramento, as regras que se aplicam a toda a reprodução são as normas definidas na área da investigação…o conhecimento é para ser partilhado mas devem ser referenciadas correctamente as fontes. O Título principal desta fonte é, Coimbra - Iconografia, plantas, cartas e mapas. (no seu caso é outro sobre a Rua da Sofia) O seu autor principal é, na ausência da referência à minha pessoa (que eu dou a todos os que se me dirigem, identificando-se), O Prof Godin. A publicação é http://www.skyscrapercity.com/, Forúm Português. Assim a referência completa será, O Prof Godin "Coimbra - Iconografia, plantas, cartas e mapas" (no seu caso é outro como já referi), in, www.skyscrapercity.com/, Forúm Português, acedido em tantos do tal. Se não me quiserem escrever podem sempre perguntar aos moderadores. Contudo, referirem a fonte como http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=764154, (no seu caso é outro) é incorrecto e desagradável para a minha pessoa, quando encontro essa referência nas teses das provas públicas, que como sabem ficam disponíveis online, esse facto.
Eu sou arquitecto, professor universitário, doutorado na área da arquitectura e urbanismo, especialidade de reabilitação urbana. Fiz este thread com a intenção de facilitar o acesso a fontes quase elementares, que de outra forma dariam muito trabalho a aceder. Gosto de partilhar, porque a partilha do conhecimento é o grande principio da investigação.
Deixo aqui o pedido de contribuírem, dentro do possível, com as vossa própria experiência e conhecimento, resultado da vossas teses. Este thread é aberto a todos, por definição, pois isto não é um blog ou um blogue, mas sim um site internacional dedicado à arquitectura e ao urbanismo, com todos os ramos e derivações colaterais.
Tudo o que eu disse aqui se aplica, por definição, aos numerosos threads que fiz, onde desenhos meus e outras fontes foram publicados.

Cumprimentos

Eduardo Mascarenhas de Lemos

Miguel Pires Prôa disse...

Caro Eduardo Mascarenhas de Lemos,

Tem toda a razão naquilo que diz. Todo este post está errado no que respeita às citações (ou ausência delas) e referências e eu hoje reconheço isso. Mas o post é muito antigo (de 2007), de um tempo em que eu desconhecia sequer o que significava citar ou referenciar, quanto mais citar ou referenciar corretamente.

Eu não sou investigador profissional em Arquitectura, História ou áreas afins, nem este post foi alguma vez usado numa tese, ensaio, paper ou qualquer documento oficial. Sou apenas um investigador amador e este post foi o resultado de uma pesquisa não exaustiva sobre o tema dos colégios em Coimbra por pura curiosidade pessoal. Tornou-se um post num blog quase por acaso, num período em que eu tinha tempo para manter um blog.

Penalizo-me e lamento tê-lo ofendido por o ter referenciado erradamente. Penalizo-me também se usei alguma imagem/fotografia sua sem pedir autorização nem sequer referir a fonte, o que, quanto a mim, é um problema ainda mais grave do que a questão da referenciação incorreta. Reconheço estes meus erros, mas vou manter o post assim até decidir se elimino o blog completamente (está moribundo há anos) ou se tenho tempo para transformar este e outros posts em verdadeiros textos com princípio meio e fim, e citações e referências robustas e corretas.

Aproveito para lhe agradecer os seus threads no www.skyscrapercity.com que tanto gosto me têm dado a ler.

Os melhores cumprimentos,

Miguel

Portugalredecouvertes disse...

boa tarde fiquei muito feliz por ter encontrado o seu blogue porque procurava indícios dessas construções de onde se espalhou a cultura da Europa por muitas partes do mundo
não se importará que retire do seu artigo alguma informação para um post no meu blog sobre o assunto!
parabéns pelas suas buscas tanto material histórico que continua escondido e merece ser divulgado
abraço
Angela

http://portugalredecouvertes.blogspot.com

Miguel Pires Prôa disse...

Cara Ângela,

Ainda bem que gostou do meu blog. É por haver ainda pessoas interessadas nele que eu o mantenho, ainda que com muito poucos posts novos.

Esteja à vontade para usar informações do meu para o seu blog (que, aliás, é também extremamente interessante, pelo que pude ver!). Se puder pôr um link no seu post para o meu post original, eu agradeço.

À bientot,

Miguel