domingo, 9 de agosto de 2015

Arquitetura em Portugal entre o Gótico e o Barroco

Tenho estado a ler qualquer coisa sobre História da Arte e experimento alguma dificuldade em compreender os estilos artísticos dos séculos XVI e XVII em Portugal. Parece-me que a cronologia dos estilos não corresponde em nada àquela que se pode encontrar quando se lê sobre o Renascimento Italiano, ou sobre o Maneirismo, um estilo largamente descrito como internacional mas sem que os autores se dignem a explicar porquê... As coisas complicam-se ainda mais pela existência de um estilo exclusivamente português, o Manuelino, que só se costuma aplicar à Arquitectura, e que é substâncialmente diferente tanto do estilo renascentista italiano, como dos góticos [inter]nacionais...

Então decidi coligir uma lista de obras arquitectónicas pertencentes a estes três estilos em Portugal, como referência e para consulta futura. A atribuição das obras a um estilo definitivo nem sempre é consensual, portanto esta lista é o meu consensus, se tal me é permitido no meu blog pessoal (não tem valor académico). As fontes (que não vou listar) são vastas e vão desde simples páginas em linha até artigos científicos, passando pelo excelente site http://www.monumentos.pt/ e por grandes calhamaços de divulgação. No fim, uma lista de arquitectos e escultores que trabalharam no território português no século XVI.

Manuelino (estilo gótico manuelino ou gótico nacional português)
1390-1540 Sé Catedral da Guarda
1490-1510 Mosteiro de Jesus, Setúbal
1499-1533 Sala do Capítulo do Convento de Cristo, Tomar
1501-1528 Arcadas do Claustro Real do Mosteiro da Batalha
1501-1563 Mosteiro dos Jerónimos (igreja, sacristia), Lisboa*
1502-1520 Galeria das Damas, Palácio Dom Manuel, Évora*
1514-1520 Torre de Belém, Lisboa
1514-1538 Convento do Bom Jesus de Valverde, Évora*
1517-1522 Capela da Universidade de Coimbra*
1518-1533 Portal e Entrada das Capelas Imperfeitas, Batalha*
1522-1526 Portal do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra
1523-1523 Casa dos Bicos (portais), Lisboa*

Janela do claustro manuelino escondido por detrás do claustro maneirista. 
Convento de Cristo de Tomar. Foto de Hugo Carriço.

Renascentista (estilo renascentista italiano ou clássico "à antiga")
1513-15?? Jardim e Casas Pintadas, Évora
1517-1541 Mosteiro dos Jerónimos (claustro), Lisboa*
1523-1523 Casa dos Bicos (fachada), Lisboa*
1525-1556 Galeria das Damas, Palácio Dom Manuel, Évora*
1528-1554 Quinta da Bacalhoa, Azeitão
1528-1528 Claustro da Manga, Coimbra
1530-1540 Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra
1531-1537 Aqueduto da Água de Prata, Évora
1533 Loggia (varanda) das Capelas Imperfeitas, Batalha
1535-1573 Ermida de Nossa Senhora da Conceição, Tomar
1537-1540 Igreja da Graça, Évora
1538-1545 Capela e Claustro da Mitra, Convento de Valverde, Évora*
1554-1583 Capela das Onze Mil Virgens, Alcácer do Sal
1558-1562 Portais da Igreja da Misericórdia de Braga
1565-1586 Igreja de São Roque (estrutura e exterior), Lisboa
1583-1635 Fachada Principal do Paço Ducal de Vila Viçosa

Interior da Ermida de Nossa Senhora da Conceição, Tomar. Imagem recortada da página do fotógrafo Sotero Ferreira, onde se pode ver todo o interior em panorâmica. 

Maneirista (estilo renascentista final ou "à maneira italiana")
1528 Portal da Igreja de Atalaia, Vila Nova da Barquinha
1529-1548 Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes
1544~1702 Edifícios dos Colégios Universitários, Coimbra
1550-1609 Sés Catedrais de Leiria, Miranda e Portalegre
1554-1564 Convento de Cristo (clautro de Dom João III), Tomar
1557-1563 Igreja de Santo Antão, Évora
1562-1619 Sé Catedral de Goa, Velha Goa
1565-1656 Azulejos da Quinta da Bacalhoa, Azeitão
1571-1601 Mosteiro dos Jerónimos (capela-mor nova etc), Lisboa*
1572-1657 Ampliações de fortificações militares
1575-1596 Igreja da Luz em Carnide, Lisboa
1580-1759 Igrejas e Colégios da Companhia de Jesus
1582-15?? Igreja do Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa
1585-1594 Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo
1605-1613 Altar e Azulejos da Capela da Universidade de Coimbra*
1610-1622 Parte terminal do Aqueduto da Amoreira, Elvas
1660-1678 Palácio e Jardins dos Marqueses de Fronteira, Lisboa

Fonte com embrechados nos Jardins do Palácio Fronteira, Lisboa. Foto de Franck Ripert.

*obras que são uma mistura dos três estilos.

O Barroco em Portugal só existe mesmo no século XVIII, com pouca expressão no século anterior (a Igreja da Divina Providência em Lisboa, segundo planos de Guarini dos anos 1650, parece que nunca chegou a ser construída; a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa começou a ser construída em 1682, mas só foi acabada em 1966...), mas a convivência de estilos clássicos ou classicisantes com o estilo barroco ocorreu ao longo de todo o século XVII fora de Itália (por exemplo, na França de Luís XIV, cf. Vaux-le-Vicomte vs. colunata do Louvre).

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Arquitectos em Portugal no Século XVI
14??-1512 Olivier de Gand
14??-1515 Mateus Fernandes
14??-1519 Jean d'Ypres
14??-1521 Marcos Pires
1460-1527 Diogo Boitaca [Jacques Boytac]
14??-1531 Diogo de Arruda
14??-1547 Francisco de Arruda
1470-1551 Nicolau Chanterene [Nicolas de Chantereyne]
1470-1552 João de Castilho [Juan de Castillo]
1???-1563 Miguel de Arruda
1500-1566 Diogo de Torralva
14??-1574 Diogo de Castilho [Diego de Castillo]
1500-1580 João de Ruão [Jean de Rouen]
15??-1580 Afonso Álvares
1517-1585 Francisco d'Olanda
1520-1590 António Rodrigues
1520-1597 Filipe Tércio [Filippo Terzi]
1560-1630 Baltasar Álvares

sábado, 8 de agosto de 2015

Citações Intelectuais

"Il n'y avait pas à attirer le désir. Il était dans celle qui le provoquait ou il n'existait pas. Il était déjà là dès le premier regard ou bien il n'avait jamais existé. Il était l'intelligence immédiate du rapport de sexualité ou bien il n'était rien."
- Marguerite Duras, in L'Amant, 1984, p. 28.

"(...) mankind, so incomparably better known than any other animal."
- Charles Darwin, in On the Origin of Species, 1859 (1st ed.), p. 67.

"One of the essential lessons, as well as the pleasures, of the study of history is that the past is always changing -- its profile shifts and new features are thrown into relief as the light of each different present catches it."
- David Cottington, in Modern Art: A Very Short Introduction, p. 98.

"Não me interessa ter razão, não tenho apetência para esse tipo de poder, de marcar uma posição, dar um murro na mesa. Se entro numa discussão é à maneira chinesa, simplesmente para sugerir que pode haver outra maneira de olhar para as coisas."
- Mia Couto em entrevista à RA-Rede Angola, 30 de Junho de 2014.

"(...) mas apesar disso lá tinha calcanhar o nosso Aquiles. Era homem como os outros, outros Aquiles andam por aí que são da cabeça aos pés um imenso calcanhar."
- Machado de Assis, in Contos Fluminenses "1. Miss Dolar", p. 7.

"(...) nem só os cegos precisam de bengala (...) um homem não vai menos perdido por caminhar em linha recta."
- José Saramago, in O Ano da Morte de Ricardo Reis, p. 75 (Col. Mil Folhas).

Imagem de autor e local desconhecidos.

"Your function is to establish the fact and reveal its mechanism; you can't obligate it merely by inventing unlikely corollaries."
- Rex Stout, in  Some Buried Caesar, p. 28. Words of Nero Wolfe.

"Since only simply structured explanations can be successfully transfered to students, you are forced to distill your work into a small number of dimensions. The pay off is that not only the students understand what you are doing, but, at last, you do too! If you are not teaching and only present your work to specialists, you can get by with explanations that are a vast tangle of multidimensional jargon and you never really understand what is going on in your work."
- Patrick Cavanagh, in Current Biology 24(7): R260-R262, 2014, Q&A.

"For my part, I have found that when I wish to write a book on some subject, I must first soak myself in detail, until all the separate parts of the subject-matter are familiar; then, some day, if I am fortunate, I perceive the whole, with all its parts duly interrelated. After that, I only have to write down what I have seen."
- Bertrand Russell, in A History of Western Philosophy, 1945, p. 145.

"An orderly, upright man with a well-ordered erudition and a gift for communication is more suitable to become a professor that a scholarly monster who labours only for himself and the world or who does little for his students, or a genius who has offensive morals and who does not think it worth the labour to employ diligence on lectures for his students, or a rhapsodic polymath who strews everything together without any connection and has no proper method of instruction."
- L. H. Jacob, 1798 [in W. Ruëgg, A History of the University in Europe, Vol. II, p. 214].

"Nothing I have ever done is of the slightest practical use."
- G. H. Hardy, FRS, mathematician, Copley Medal, etc.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ana Hatherly (1929-2015)

"É preciso compreender", texto visual n.º 9, in "A reinvenção da leitura: breve ensaio crítico seguido de 19 textos visuais", 
Editorial Futura, Lisboa, 1975, p. 38.

domingo, 2 de agosto de 2015

Listas Várias de Várias Coisas

Os Doze Apóstolos:
Simão Pedro
João Evangelista
Tiago Maior
Tiago Menor
Bartolomeu
Filipe
André
Simão Alfei
Judas Tadeu
Judas Iscariotes
Mateus Evangelista
Tomé
[Matias]
[Paulo]

As Três Virtudes Teologais:
Fé (fides)
Esperança (spes)
Caridade (caritas)

As Quatro Virtudes Cardeais:
Fortaleza (fortitudo)
Justiça (iustitia)
Temperança (temperantia)
Prudência (prudentia)

As Cinco Virtudes Intelectuais:
Razão (nous)
Ciência (episteme)
Sabedoria (sophia)
Prudência (phronesis)
Arte (techne)

As Sete Artes Liberais:
Gramática (trivii)
Rètórica (trivii)
Dialética (trivii
Aritmética (quadrivii)
Geometria (quadrivii)
Astronomia (quadrivii)
Música (quadrivii)
[Filosofia Moral]
[Filosofia Natural]

Os Quatro Humores:
Sangue
Fleuma
Bílis Amarela
Bílis Negra

As Nove Musas:
Calíope
Clio
Euterpe
Érato
Melpómene
Polímnia
Terpsicore
Tália
Urânia

Os Doze Deuses Olímpicos
Zeus > Júpiter
Hera > Juno
Possídon/Possídão > Neptuno
Deméter > Ceres
Atena > Minerva
Apolo > Apolo ou Febo ou Hélio
Artémis/Ártemis/Artemísia > Diana
Ares > Marte
Afrodite > Vénus
Hefesto > Vulcano
Hermes > Mercúrio
Héstia > Vesta
[Dioniso > Baco]
[Hades > Plutão]

A Numeração das Artes Modernas:
1.ª Música (som)
2.ª Dança e coreografia (movimento)
3.ª Pintura (cor)
4.ª Escultura e arquitectura (volume)
5.ª Teatro e mímica (representação)
6.ª Literatura (palavra)
7.ª Cinema (soma de todas as outras)
8.ª Fotografia (imagem)
9.ª Banda desenhada (cor, palavra, imagem)
10.ª Jogos de vídeo
11.ª Arte digital
[Modelismo]
[Televisão]
[Poesia]
[Culinária]