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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Ainda sobre Camões nos seus 500 anos

Publicações coevas das obras de Camões:
• Os Lusíadas (poesia épica, 1572, 1584, 1591, 1597, 1609, 1612, 1639, 1817) [ref];
• El-Rei Seleuco (teatro, 1587, 1616, 1654); 
• Auto de Filodemo (teatro, 1587); 
• Anfitriões (teatro, 1587);
• Rimas (poesia lírica, 1595, 1598, 1616, 1668, 1685-1689, 1861, 1932, 1953);
• Cartas (prosa epistolar, 1595).

Epopeia:
• Os Lusíadas
Teatro:
• El-Rei Seleuco
• Auto de Filodemo
• Anfitriões
Rimas:
• Canções
• Éclogas
• Elegias
• Epigramas
• Odes
• Oitavas
• Redondilhas
• Sextinas
• Sonetos
Cartas:
• Carta de Ceuta
• Carta de Goa
• Outra carta de Goa

«A conclusão a tirar é a de que tudo o que se pode com segurança dizer sobre as origens sociais de Camões é que era filho do cavaleiro-fidalgo Simão Vaz e era, ele próprio, homem sujeito a foro plebeu. São obscuros os pontos do sangue ― se cristão-novo ou velho ― e da filiação, se legítima se ilegítima. A pobreza é certa. E entre esses negrumes ― pobreza, bastardia, sangue hebraico ― se hão-de procurar as infelizes estrelas do nascimento.» (JHS, Vida ignorada, p. 47)

«Pode, portanto e por agora, dar-se por assente o seguinte (JHS, Vida ignorada, p. 185):
a) Camões manteve uma ligação amorosa com uma jovem, que era a imagem e semelhança da sua ama, D. Violante de Andrade;
b) Isso valeu-lhe uma perseguição, o desamor da ama, antiga amante, e o ciúme entre esta e a amada jovem;
c) A jovem morreu muito nova e foi sepultada no mar;
d) A essa jovem chama Camões, na écloga, Natércia e, em dois sonetos, Dinamene;
e) Foram cometidas falsificações de documentos para ocultar a identificação quer de Violante de Andrade, quer da jovem amada, filha dela;
f) O autor de uma dessas falsificações (a da Igreja das Chagas) foi Diogo Paiva de Andrade, sobrinho de D. Violante e primo direito da filha desta;
g) Há alguns indícios de as falsificações terem todas e mesma origem, sendo possível encontrar relações entre qualquer delas e Diogo Paiva.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Cronologia de Luís Vaz de Camões (1524-1580)

Quando que se começar a ler o que vem abaixo, ficar-se-á sem qualquer dúvida: eu segui o ponto de vista de José Hermano Saraiva. Estando longe de ser o definitivamente estabelecido, parece-me que é, ao menos, o mais conservador, o que não multiplica desnecessàriamente as entidades (Ockham's razor). Por exemplo, JHS só vê duas mulheres na poesia de Camões: Violante (= ama, Belisa, Aurora, Circe, Dóris) e Joana (= Aónia, Diana, Ana, Natércia, Nise, Alcida, Dinamene, Tétis). Não vê Caterinas, nem Isabéis, nem infantas Marias, nem Tin-Nam-Menes. Também não se desvia das poucas certezas que se podem ter sobre Camões: foi preso na prisão dos plebeus, o Tronco, logo não era fidalgo; a tença de 15 000 réis por ano em 1572 dava 42 réis por dia, tanto quanto um mendigo poderia esperar ganhar (era uma esmola, portanto), logo não viveu os seus últimos anos confortàvelmente; etc. A partir daqui, é tudo conjectura, mas JHS guia-se pelos costumes e leis do século XVI português, pela ética das grandes famílias nobiliárquicas (Camões está indelèvelmente ligado aos Noronhas) e pelo que o poeta diz de si próprio nos seus textos, mesmo nalguns de atribuição duvidosa ― tudo coisas que JHS conhece bem. E assim comemoro eu, modestamente, o qüinqüicentenário do nascimento do poeta, se aceitarmos a data de 1524 como certa.

1524
Nasce em data incerta neste ano ou no seguinte (ou certamente algures entre os anos de 1517 e 1525). A família é de Vilar de Nantes, concelho de Chaves, onde ele pode ou não ter nascido. Nasce plebeu e nada tem em parentesco com os fidalgos galegos de apelido Camões. Filho de Simão Vaz (que aparece como morador em Lisboa, à Mouraria, em 1550, e como cavaleiro-fidalgo num documento autêntico de 1553) e de Ana de Sá, é possível que tenha apenas usado o nome Luís Vaz e só mais tarde adicionado Camões.

1530
O 1.º conde de Linhares contratou o casamento do seu filho segundo, Dom Francisco de Noronha (c. 1504-1574) com Violante Andrade (c. 1522-c. 1600), filha mais velha de Fernand'Álvares (14??-1552, v. JHS, Vida ignorada, p. 237), tesoureiro-mor do rei. O dote da noiva seria entregue «ao marido logo que o matrimónio se consumasse, o que deveria suceder até ao São João de 1534, que era quando a noiva fazia 12 anos» (JHS, Vida ignorada, pp. 102s).

1534
Foi servir como escudeiro na casa de Francisco e Violante, provàvelmente em São Martinho do Bispo (Coimbra) onde aquele tinha uma comenda da Ordem de Cristo; Fernand'Álvares já chamava genro a Francisco em 1533, e é certo que já estariam casados nos princípios de 1535. Como o próprio poeta diz, foi criado nas margens do Mondego.

1535
Neste ano ou no seguinte, nasce o primeiro filho de Francisco e Violante, António, que morrerá com 17 anos em 1553 e a quem Camões há-de fazer várias poemas que são, na verdade, cartas destinadas a Violante.

1538
Neste ano ou no seguinte, nasce o segundo filho de Francisco e Violante, Fernando (morrerá aos 70 anos em 1609).

1540
Entre 1539 e 1541, nasce Joana, terceira filha de Francisco e Violante, que, segundo JHS, é a Dinamene de Camões, «imagem e semelhança da sua ama» (JHS, Vida ignorada, p. 165), e que morrerá na viagem para a Índia em 1550. 
Entretanto, Francisco é nomeado (24 de Novembro de 1540) embaixador junto do rei de França, e no fim do ano parte para Paris. Violante fica em Portugal; é nesta época que nasce o sentimento de Luís Vaz pela ama (a mulher do amo), que seria apenas dois anos mais velha do que ele. 
Início dos períodos criativos de Camões; primeiros textos conhecidos do poeta.

1541
Neste ano ou no seguinte começam os amores de Camões com Violante (JHS, Vida ignorada, p. 176); ele teria uns 16 ou 17 anos, e ela 18 ou 19 (mas já era mãe de três crianças).

1544
Francisco regressa de França e instala-se com a família (incluindo o escudeiro Camões) em Lisboa. Para o poeta, esta terra era triste sítio, entre gente estranha ― isto parece indicar que ele nunca lá teria estado.
É improvável que Camões, enquanto viveu perto de Coimbra, tenha estudado quer na universidade, quer no mosteiro de Santa Cruz. Não se encontra o seu nome nas listas de matriculados e Dom Bento de Camões, que «[o]s biógrafos clássicos (...) julgaram, sem razão, ter sido seu tio e protector» (MLS, Sonetos, p. 253) e que era à época prior de Santa Cruz e cancelário da universidade, nada deve ter tido a ver com Luís Vaz. Os livros que o poeta terá lido em jovem (Petrarca, Garcilaso) deveriam pertencer à biblioteca da casa de Francisco e Violante; Camões só terá sido instruído informalmente e/ou autodidàcticamente, como JHS constantemente lembra e ele próprio o diz n'Os Lusíadas (canto X, estrofe 154): nem me falta na vida honesto estudo, /com longa experiência misturado, /nem engenho (...) ― estudou na vida, com experiência e engenho.

1547
No período 1544-1547, em Lisboa, é possível que os amores entre Violante e Camões tenham sido descobertos na côrte e causado o desterro do poeta em Ceuta (JHS, Vida ignorada, p. 214). Parte para Ceuta, onde está 2 anos. O capitão-geral de Ceuta é Dom Afonso de Noronha (de 1540 a 1549), primo co-irmão de Dom Francisco de Noronha, e que havia de ser vice-rei da Índia.
Nos meados do ano, Francisco faz a sua segunda viagem a França (em 3 de Novembro de 1547 está em Melun), de onde regressa antes do Verão de 1548 (o rei dá-lhe licença para regressar em 13 de Março; em 2 de Julho já estava em Lisboa); é possível que ele tenha achado mais prudente fazer-se acompanhar da mulher («a adúltera senhora», v. JHS, Vida ignorada, p. 166). 
Fim do primeiro período criativo de Camões, o «ciclo idílico» (1540-1547), segundo a periodização de JHS. «As imitações de Petrarca marcam a primeira fase poética de Camões; é provável que tenha feito a sua aprendizagem dos poetas mais em voga no seu tempo» (MLS, Sonetos, p. 51). «(...) ciclo da descoberta do amor» (MLS, Sonetos, p. 53). «A ingenuidade temática e a simplicidade da construção são muito características da fase juvenil» (MLS, Sonetos, p. 54). Serão deste período
as éclogas:
• Cantando por um vale docemente (écloga IV)
as elegias:
• Correntes águas frias do Mondego (datável de 1544)
as odes:
• Pode um desejo imenso (ode VI)
os sonetos:
• Amor é fogo que arde sem se ver
• Criou a Natureza damas belas
• Eu cantarei de amor tão docemente
• Onde mereci eu tal pensamento
• Quando da bela vista e doce riso
• Quem diz que Amor é falso ou enganosos
• Quem quiser ver d'Amor uma excelência
• Se em mim, ó Alma, vive mais lembrança
• Tanto de meu estado me acho incerto
• Um mover de olhos, brando e piedosos

1548
Regressa de Ceuta. Foi depois do serviço em Ceuta que descobriu a «beleza da pálida violeta que amanhecia (...) É pois entre 1547 e 1550 que a vida de Camões é dominada pelos amores daquela em quem via a imagem e semelhança da sua ama» (JHS, Vida ignorada, p. 167), ainda que o casamento com a filha não devesse interferir no sentimento que o poeta tinha para com a mãe.

1550
Sofre uma perseguição judiciária. As razões são desconhecidas, mas é possível que estejam relacionadas com Joana, que Violante lhe teria prometido em casamento, o que seria socialmente (e judicialmente) impossível. Joana foi despachada para a Índia na armada que partiu em Abril (sob o comando do novo vice-rei, Dom Afonso de Noronha) e Camões foi preso (ainda pretendeu embarcar também para a Índia, mas foi impedido: teve de apresentar fiador porque já estava condenado, e foi o seu pai, Simão Vaz, que foi o fiador; JHS, Vida ignorada, p. 197, p. 264); como escudeiro de um comendador da Ordem de Cristo, o cárcere seria um dos da Ordem (e à beira-Tejo, a uma areia de rochas coroada, por exemplo, Almourol), e não um dos do rei; a tradição situa-o em Punhete (hoje Constância) e JHS diz que só pode ter sido nos calabouços do velho castelo (em prisões baixas fui um tempo atado; v. MLS, Sonetos, pp. 203-204). 

1551
Foi libertado da prisão depois do Verão, talvez no fim do ano. A notícia da morte de Joana teria chegado com a volta da armada da Índia, entre Julho e Setembro; com a morte da «vítima», a sentença judicial perdeu efeito.

1552
Um documento prova que, no dia 16 de Junho (dia do Corpo de Deus), em Lisboa, Camões dá uma cutilada num criado do paço e é preso na cadeia do Tronco de Lisboa (a prisão dos plebeus; se fosse fidalgo teria ido para o Limoeiro); isto também indica que teria deixado de servir o comendador da Ordem de Cristo, já que foi preso numa prisão real. De acordo com as Ordenações, todos os acusados eram submetidos à tortura; é improvável que Camões tenha sido isentado. «A tortura normalmente usada na instrução judiciária era o trato da polé. O preso era estendido numa tábua e amarrado a cordas que eram esticadas por uma polé (...) Em geral, a polé não matava, sobretudo se o preso era jovem. Mas deixava vestígios para a vida inteira. Os ossos desengonçavam-se, os ligamentos musculares rompiam-se e, com os anos, surgiam artroses, deformidades ósseas, insensibilidade de tecidos. (...) A marcha tornava-se penosa e, com a meia-idade, podia ter de ser auxiliada com muletas.» (JHS, Vida ignorada, p. 249). 

1553
Apresenta ao rei uma petição de perdão (23 de Fevereiro) e é libertado em troca do pagamento de 4000 réis, de fiador (Belchior Barreto, um financeiro; o pai, Simão Vaz, ou já tinha morrido ou se tinha incompatibilizado com o filho pelas prisões) e de serviço na Índia (três anos, mínimo), para onde parte na armada que saiu em 24 de Março; chega a Cochim em Setembro. O vice-rei em Goa (de 1550 a 1554) é Dom Afonso de Noronha, primo co-irmão de Dom Francisco de Noronha, que tinha sido capitão-geral de Ceuta.
Já na Índia, no fim do ano, o poeta escreve a elegia O poeta Simónides a António, filho de Francisco e Violante, poema que é na verdade uma carta para Violante, e que enviou na armada que saiu de Goa em Janeiro de 1554; mas António tinha morrido no dia 18 de Abril de 1553, em Ceuta (para onde tinha sido mandado para que «não casasse com uma dama a que era afeiçoado»; JHS, Vida ignorada, p. 199) e Camões só pode ter recebido a notícia com a chegada a Goa (Março de 1554) da armada que tinha saído de Lisboa em 3 de Outubro de 1553 (JHS, Vida ignorada, p. 268).

Retrato de Camões feito em Goa por autor desconhecido em 1556, presume-se que tirado do natural. Pergaminho medindo 217 × 145 mm, pela técnica da iluminura e cartografia do séc. XVI. «O chamado retrato de Camões na prisão foi revelado por Maria Antonieta Soares de Azevedo em 1972 e parece anterior ao de Fernão Gomes e ao da casa Rio Maior.» ― Vasco Graça Moura, Diário de Notícias de 09 Outubro 2013.

1554
Fim do segundo período criativo de Camões, o «ciclo dramático» (1547-1554), «uma fase diferente na lírica, mais dramática, com uma estrutura filosófica concentrada e uma atitude fundamentalmente pessimista» (MLS, Sonetos, p. 113). «O ciclo da crise sentimental, que antecede a fase intelectualizada da poesia do exílio (...), é o de maior altura lírica e mais comunicativa beleza verbal» (MLS, Sonetos, p. 115). Serão deste período 
as canções:
• Junto de um seco, fero e estéril monte (datável de 1554 ou 1555).
as éclogas:
• De quanto alento e gosto me causava (datável de 1552).
• Nas ribeiras do Tejo, a uma areia.
as elegias:
• O poeta Simónides (datável de 1554);
os sonetos:
• Ah! minha Dinamene, assim deixaste
• Alma minha gentil, que te partiste
• Aquela triste e leda madrugada
• Cara minha inimiga, em cuja mão
• Em prisões baixas fui um tempo atado
• O cisne, quando sente ser chegada
• Outro Sol, outra Aurora, outro Oriente (datável de 1550-1551)
• Presença bela, angélica figura
• Suspiros inflamados, que cantais

1567
Regressa de Macau para Goa, na qual viagem acontece o naufrágio na foz do rio Mècongue.

Retrato de Camões (fac-símile) feito em Lisboa pelo pintor Fernão Gomes (1548–1612), presume-se que tirado do natural em 1570, isto é, pouco depois da sua chegada da Índia. Cópia de Luis José Pereira de Resende (1760–1847), feita em 1830/40. Desenho aguarelado sobre papel, 460 × 310 mm. Lisboa, Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo, Inv.nº: C.F. 200 / 3347. Imagem compulsada daqui.

1569
Regressa a Lisboa, «capitulado», com culpas estabelecidas. Tem de passar tempo na ilha de Moçambique. Na mesma viagem de regresso vem o cronista Diogo do Couto, amigo de Camões e que nos dá a notícia de Moçambique (JHS, Vida ignorada, p. 181).

1571
Diogo do Couto deixou Camões em Lisboa. «Os Lusíadas mereceram aprovação do Santo Ofício e aparece um mecenas que financia a custosa edição» (JHS, Vida ignorada, p. 184).

1572
Saem dos prelos as duas primeiras edições d'Os Lusíadas. 
Fim do terceiro período criativo de Camões, o «ciclo elegíaco» (1555-1572). Serão deste período o épico Os Lusíadas, e 
as odes:
• Aquele único exemplo (datável de 1563)
os sonetos:
• Busque amor novas artes, novo engenho
• Em prisões baixas fui um tempo atado,
• Erros meus, má fortuna, amor ardente
• Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
• No mundo, poucos anos e cansados (datável de 1554 ou 1555)
• Sete anos de pastor Jacob servia.

1578
Dom Martinho de Castelo Branco, filho do conde de Vila Nova de Portimão, morreu na batalha de Alcácer Quibir; no inventário dos seus bens aparecem «hum lliuro que se chama do Camoins» e «outro liurinho», e noutra lista do espólio «hum liuro de Luis de Camoes; outro liuro piqueno dorlando em Italiano», sendo esta último o Orlando Furioso de Ariosto, que se sabe ter sido uma das fontes d'Os Lusíadas. O «livro que se chama do Camões» seriam, verosìmilmente, Os Lusíadas, e a forma como se designava o poeta mostra que o nome de Camões era conhecido; por ele se identificava a obra (JHS, Vida ignorada, pp. 80-81).
Uma anedota sobre Camões encontrada nos Ditos Portugueses «constitui talvez a mais antiga referência a'Os Lusíadas que até nós chegou» (JHS, Vida ignorada, p. 252). Como os Ditos Portugueses nunca referem a batalha de Alcácer Quibir, esta notícia será posterior a 1572, mas anterior a 1578. 

Retrato de Camões feito em Goa por autor desconhecido em 1581 (portanto, forçosamente póstumo). «Trata-se de uma miniatura, pertencente à colecção dos marqueses de Rio Maior, bastante reproduzida, mas ainda não estudada, pelo menos com a mesma minúcia com que Maria Antonieta Soares de Azevedo estudou o primeiro.» ― Carmo Azevedo, e vale a pena ler este seu excelente texto sobre os 3 retratos coevos de Camões.

1580
Morre em Lisboa, provàvelmente no dia 10 de Junho. A tradição mantém, sem provas, que é inumado na igreja de Santa Ana; em 1594, Dom Gonçalo Coutinho, único protector do poeta nos derradeiros anos da vida, manda colocar um lápide tumular. O soneto Os reinos e os impérios poderosos, feito ao herdeiro do ducado de Bragança, Dom Teodósio, terá sido escrito após o regresso deste a Lisboa, o que ocorreu a 15 de Março de 1580, e que parece indicar que Camões seria partidário de Dona Caterina durante a indefinição dinástica. 
Fim do quarto e último período criativo de Camões, o «ciclo final» (1572-1580), após o regresso do Oriente e da publicação d'Os Lusíadas. «A perfeição escorreita da forma comprova exactamente o que o Poeta se propôs demonstrar: a sua virtuosidade no manejo do verso e na construção do soneto» (MLS, Sonetos, p. 250). «(...) gosto rebuscado, complexo, que marca todas as poesias pertencentes aos últimos anos da vida de Camões» (MLS, Sonetos, p. 253). «(...) musculatura lógica do texto, raciocinado, desnudado já da sedução lírica e da vibração dramática das primeiras fases» (MLS, Sonetos, p. 254). Serão deste período 
as elegias:
• Divino, almo pastor.
os sonetos:
• A ti, Senhor, a quem as sacras musas
• De tão divino acento em voz humana
• Dizei, Senhora, da Beleza ideia
• Enquanto quis fortuna que tivesse
• Os reinos e os impérios poderosos (datável de 1580)
• Tal mostra dá de si vossa figura

Principal bibliografia seguida:
• José Hermano Saraiva (1993-2013) Programas vários. RTP.
• José Hermano Saraiva (1978) Vida ignorada de Camões, 1.ª edição. Colecção «Estudos e Documentos» N.º 141. Publicações Europa-América.
• Maria de Lourdes Saraiva (1975) Camões. Sonetos. Colecção «Livros de Bolso» N.º 106 (edição de 1990). Publicações Europa-América.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Paula Rego (1935-2022)

domingo, 3 de abril de 2022

Lygia Fagundes Telles (1918-2022)

"Lygia pertence a uma linhagem em nossa literatura que vem de Machado de Assis — crítica, velada, expressa no bom português de quem sabe escrever e toma a literatura a sério. Nunca facilitou e nunca se mostrou sujeita a modas ou tendências."

― Walnice Nogueira Galvão, no posfácio da edição d'Os Contos de Lygia Fagundes Telles.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Grandes Maestros, lista pessoal (post em curso)

Grande Música Sinfónica (desde c. 1770 ou das Sinfonias de Paris e de Londres de Joseph Haydn)

Arthur Nikisch (1855-1922), Hungarian

Gustav Mahler (1860-1911), Austrian or German-Czech

Arturo Toscanini (1867-1957), Italian

Willem Mengelberg (1871-1951), Dutch

Serge Koussevitzky (1874-1951), Russian

Pierre Monteux (1875-1964), French

Bruno Walter (1876-1962), German

Thomas Beecham (1879-1961), British

Leopold Stokowski (1882-1977), British

Otto Klemperer (1885-1973), German

Nadia Boulanger (1887-1979), French

Adrian Boult (1889-1983), British

Erich Kleiber (1890-1956), Austrian

Karl Böhm (1894-1981), Austrian

Hans Rosbaud (1895-1962), Austrian

Wilhelm Furtwängler (1896-1954), German

George Szell (1897-1970), Hungarian

John Barbirolli (1899-1970), British

Eugene Ormandy (1899-1985), Hungarian-born American

Fritz Reiner (1888-1963), Hungarian

Eugen Jochum (1902-1987), German

Herbert von Karajan (1908-1989), Austrian

Sergiu Celibidache (1912-1996), Romanian

Georg Solti (1912-1997), Hungarian

Ferenc Fricsay (1914-1963), Hungarian

Jeroným Kubelík (1914-1996), Czech-born Swiss

Carlo Maria Giulini (1914-2005), Italian

Leonard Bernstein (1918-1990), American

Wolfgang Sawallisch (1923-2013), German

Neville Marriner (1924-2016), British

Georges Prêtre (1924-2017), French

Charles Mackerras (1925-2010), Australian

Pierre Boulez (1925-2016), French

Colin Davis (1927-2013), British

Kurt Masur (1927-2015), German

Herbert Blomstedt (b1927), Swedish

André Previn (1929-2019), German

Bernard Haitink (b1929), Dutch

Carlos Kleiber (1930-2004), Austrian

Lorin Maazel (1930-2014), American

Claudio Abbado (1933-2014), Italian

Roger Norrington (b1934), British

Seiji Ozawa (b1935), Japanese

Zubin Mehta (b1936), Indian

Neeme Järvi (b1937), Estonian

Yuri Temirkanov (b1938), Russian

Álvaro Cassuto (b1938), Portuguese

Riccardo Muti (b1941), Italian

Daniel Barenboim (b1942), Argentinian

Mariss Jansons (1943-2019), Latvian

James Levine (1943-2021), American

Michael Tilson Thomas (b1944), American

Kent Nagano (b1951), American

Valery Gergiev (b1953), Russian

Riccardo Chailly (b1953), Italian

JoAnn Falletta (b1954), American

Simon Rattle (b1955), British

Marin Alsop (b1956), American

Esa-Pekka Salonen (b1958), Finnish

Antonio Pappano (b1959), British and Italian

Simone Young (b1961), Australian

Paavo Järvi (b1962), Estonian 

Jaime Martín (b1965), Spanish

Susanna Mälkki (b1969), Finnish

Barbara Hannigan (b1971), Canadian

Mikko Franck (b1979), Finnish

Alondra de la Parra (b1980), Mexican

Gustavo Dudamel (b1981), Venezuelan

Karina Canellakis (b1981), American

Mirga Gražinytė-Tyla (b1986), Lithuanian


Música Antiga (até, talvez, à 3.ª Sinfonia de Beethoven)

Gustav Leonhardt (1928-2012), Dutch

Nikolaus Harnoncourt (1929-2016), Austrian

Claudio Scimone (1934-2018), Italian

Christopher Hogwood (1941-2014), British

David Munrow (1942-1976), British

Jordi Savall (b1941), Catalan

John Eliot Gardiner (b1943), British

Ton Koopman (b1944), Dutch

William Christie (b1944), American-born French 

Trevor Pinnock (b1946), British

Andrew Parrott (b1947), British

Jane Glover (b1949), British

Rudolf Lutz (b1951), Swiss

Reinhard Goebel (b1952), German

Jos van Veldhoven (b1952), Dutch

Emmanuelle Haïm (b1962), French

Jean-Christophe Spinosi (b1964), French

Christina Pluhar (b1965), Austrian

Giovanni Antonini (b1965), Italian

Shunske Sato (b1984), Japanese

sábado, 30 de janeiro de 2021

Portugueses conhecidos por nome estrangeiro

Vou aqui listar os nomes de vários personagens históricos a que se atribui, por vezes e erradamente, outra nacionalidade. Alguns serão mesmo estrangeiros e devem ser como tal considerados, mas aqui vou assumir que podem igualmente ser vistos como portugueses; um exercício, admito, algo demagógico, mas enfim. Esta malta é quase toda Renascentista, por isso deixo uma adenda a este post: uma lista breve de personalidades do humanismo renascentista português. Ainda que eu me esforce sempre por incluir bibliografia nos meus posts, desta vez não o vou fazer porque ela teria de ser excessivamente exaustiva e é coisa que dá sempre muito trabalho (e isto não é nem pretende ser um trabalho académico!), mas basta procurar pelos nomes das persoas que fàcilmente se chega a uma bibliografia geral.


Vasque de Lucène / Vasco de Lucena 
(diocese de Coimbra, c. 1435 — Louvain, 1512)
Um dos esquecidos! Provàvelmente o maior humanista português do século XV, mas desconhecido em Portugal. Sabe-se dele pràticamente apenas pelas notícias suas na Corte dos Duques da Borgonha, nos Países Baixos, a começar durante a regência da duquesa Isabel, que tinha muitos portugueses no seu entourage, e onde o filósofo fez grande parte da sua carreira.

Diego Colón / Diogo Colombo 
(Porto Santo ou Lisboa, 1479/1480 — Puebla de Montalbán, 1526)
Mais conhecido pelo nome castelhanizado, nasceu e foi inicialmente educado em Portugal pela mãe, Filipa Moniz, mulher de Cristóvão Colombo, antes de ter sido levado pelo pai para Huelva entre 1488 e 1491, data em que consta num documento do mosteiro de La Rábida. Em adulto, esteve sempre tão ocupado a convencer os reis a darem-lhe a herança do pai, que não consta que o preocupasse muito se era espanhol ou português.

Cristóbal (ou Christoval) Acosta / Cristóvão da Costa 
(Tânger?, 1515 — Huelva, 1594)
Naturalista, tradutor dos Colóquios de Garcia de Orta para espanhol, que publicou numa versão muito melhorada e aumentada. Um português de "Além Mar em África" que, após anos de serviço no Oriente ao serviço do rei de Portugal, fez a sua carreira médica na Espanha. Ele próprio se diz africanus ao mesmo tempo que se diz lusitanus.


Retrato de Dom Sebastião, rei de Portugal, atribuído a Alonso Sanches Coelho, c. 1575. Imagem do domínio público retirada da Wikimedia. O quadro pertence ao Kunsthistorisches Museum, Viena.


Alonso Sánchez Coello / Alonso Sanches Coelho 
(Benifairó de les Valls, 1531 — Madrid, 1588)
Nasceu perto de Valência, onde os pais, que eram mercadores portugueses, estavam por puro acaso, e fez toda a sua carreira na corte dos reis da Espanha, mas foi criado e educado em Portugal. Quando voltou à Espanha, aos 24 anos, já era um pintor profissional, o que significa que aprendeu o seu mester em Portugal (e na Flandres, para onde o rei Dom João III o mandou estudar).

Francisco Sánchez / Francisco Sanches
(diocese de Tui, 1551 — Toulouse, 1623)
Alcunhado "o Céptico" por ser um precursor (com Francis Bacon e Michel de Montaigne) da noção de dúvida metódica, depois desenvolvida por René Descartes; terá sido o primeiro a usar a expressão "método científico". Claramente minhoto, baptizado em Braga, tem a infeliz ideia de escrever algures que tinha nascido em território tudense, isto é, na cidade de Tui ou no seu termo. Acontece que o termo desta cidade (ou melhor, desta diocese) abrangia a margem esquerda do rio Minho até à reforma de 1513, o que estaria ainda bem presente nas gentes em 1551. Mesmo que tenha nascido na margem direita do rio, fez toda a sua carreira na França e nada teve a ver com a Espanha; não me incomoda, porém, que os galegos o considerem um dos seus grandes, já que, se Tui é Gallæcia, Braga também o é! 

Baruch de Spinoza / Bento de Espinosa 
(Amsterdão, 1632 — Haia, 1677)
Nunca saiu dos Países Baixos, mas parece que a sua primeira língua era a portuguesa, e foi comprovadamente neste idioma que se processaram as formalidades da sua expulsão da comunidade judaica. Antes de de lá ser expulso, tinha inúmeros contactos em Portugal, até família ainda em Portugal (e nenhuma na Espanha), provàvelmente cripto-judeus ou mesmo já cristãos-novos.


Poderia também incluir Diego Rodríguez de Silva y Velázquez / Diogo Rodrigues Velázquez da Silva, que não só era neto de portugueses, como era pejorativamente tachado de português na Corte, mas admito que incluí-lo seria abusivo quando já o seu pai nasceu em Sevilha e o artista não parece ter tido uma educação sequer aportuguesada (Velázquez é o sobrenome da mãe).


GRANDES HUMANISTAS, ARTISTAS E CIENTISTAS DO RENASCIMENTO PORTUGUÊS
Vasco de Lucena (1435-1512), humanista
Nuno Gonçalves (séc. XV), pintor
Gil Vicente (c. 1465-c. 1536), dramaturgo
Tomé Pires (c. 1465-c. 1540), boticário e diplomata
Vasco Fernandes "Grão Vasco" (c. 1475-c. 1542), pintor
Gregório Lopes (1490-1550), pintor
Dom João de Castro (1500-1548), explorador e governador
Garcia de Orta (1501-1568), botânico
Damião de Góis (1502-1574), humanista
Pedro Nunes (1502-1578), matemático
"Amato Lusitano" (1515-1568), médico
Cristóvão da Costa (1515-1594), botânico
Luís Vaz de Camões (1524-1580), poeta
Alonso Sanches Coelho (1531-1588), pintor
João Baptista Lavanha (1550-1624), engenheiro e matemático
Francisco Sanches (1551-1623), filósofo
Pedro Teixeira (1570-1641), explorador
Filipe de Magalhães (1571-1652), compositor

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Contistas de Portugal

Sou um grande apreciador do conto, da narrativa curta, da short story (expressão inglesa que, porém, mais corretamente seria traduzida por novela ou noveleta) e leio bastante do que se tem publicado nessa forma literária na língua portuguesa. Quase todos os grande escritores acabam por escrever um ou outro conto, mas nem sempre um bom romancista ou um bom poeta é também um bom contista. Florbela Espanca, por exemplo, escreveu (e publicou) vários livros de contos, mas a qualidade deles não chega nem de perto à dos poemas da autora. A narrativa curta tem especificidades que requerem um comando exímio da técnica narrativa.

Em Portugal, o "conto literário moderno", como lhe chama Mónica Serpa Cabral, ou "conto de autor" (por oposição ao conto popular, de tradição oral e criação coletiva) é um desenvolvimento do século XIX, e costuma marcar-se o seu início com Herculano. Ao ler o prefácio da Antologia de Salema descobri que, apesar disso, a narrativa curta em língua portuguesa tem antecedentes em Gonçalo Fernandes Trancoso, no século XVI, que publicou um livro com pequenas narrativas de caráter moralizante, muitas baseadas em fábulas ou parábolas pré-existentes, proto-contos fora do gosto literário moderno, mas que tiveram várias edições e que ainda hoje se lêem muito bem. Vale talvez a pena transcrever o que diz Salema sobre o percurso histórico do conto em Portugal: 

"[A] narrativa curta, condensando um episódio, um caso humano ou a perspectivação duma figura e da sua circunstancialidade, teve tradicionalmente grande lugar na literatura portuguesa. Desponta com os relatos lendários, mais ou menos efabulados, que povoam as crónicas medievais, os «livros de linhagens» e as evocações hagiológicas dos frades cistercienses de Alcobaça; ganha forma novelística mais nítida com as narrativas cavaleirescas dos séculos XV e XVI; assume-se definidamente nos Contos e Histórias de Proveito e Exemplo (1575) de Gonçalo Trancoso; prossegue uma trajectória versátil nos séculos XVII e XVIII em narrativas apologéticas como as de Manuel Bernardes e da freira Maria do Céu e nas histórias epigramáticas de vários autores setecentistas. O Romantismo e, logo a seguir, o Realismo e o Naturalismo do século XIX renovaram e enriqueceram numerosamente o género nas temáticas e nos estilos..." (p. 7)

Aqui neste post vou fazer uma listagem dos melhores contistas em Portugal (vou deixar as restantes literaturas lusófonas para depois). Baseio-me tanto em antologias (ver a bibliografia no fim do post), como no meu gosto e experiência pessoal como leitor. Por exemplo, escolho não incluir a escritora Ana de Castro Osório, porque acho que os textos que publicou como contos são de escassa qualidade e pouco interesse. Por outro lado, incluo José Saramago, que não costuma ser primàriamente reconhecido como contista, porque concordo com ele ao considerar que A Viagem do Elefante (uma obra brilhante) tem a estrutura de um conto. Ver também o projeto de investigação Bibliografia do Conto Português (séc. XIX- XX).

1482-1552 Bernardim Ribeiro
1496-1570 João de Barros
1500-1572 Francisco de Morais Cabral
1515-1585 Gonçalo Fernandes Trancoso
1515-1585 Jorge Ferreira de Vasconcelos
1520-1561 Jorge de Montemor
1522-1591 Gaspar Frutuoso
15??-15?? Diogo Fernandes
1540-1595 Fernão Álvares do Oriente
15??-1606 Fernão Rodrigues Lobo Soropita
15??-16?? Baltasar Gonçalves Lobato
1576-1660 Diogo de Paiva de Andrade
1580-1622 Francisco Rodrigues Lobo
159?-165? António Henriques Gomes
1604-1674 Diogo Ferreira Figueiroa
1608-1666 Francisco Manuel de Melo
1644-1710 Padre Manuel Bernardes
1658-1753 Sóror Maria do Céu
Morgado da Silveirinha
Elói de Sá Sotto Maior
Francisco Soares Toscano
Francisco Saraiva de Sousa
Gaspar Pires Rebelo
João Nunes Freire
1695-1753 Alexandre de Gusmão
1722-1804 Padre Teodoro de Almeida

Página do primeiro conto da edição original de 1575 dos Contos de Gonçalo Trancoso.

1799-1854 Almeida Garrett
1810-1877 Alexandre Herculano
1822-1871 Rebelo da Silva
1825-1890 Camilo Castelo Branco
1835-1863 Rodrigo Paganino
1835-1890 Júlio César Machado
1836-1915 Ramalho Ortigão
1837-1903 Francisco Manuel de Melo Breyner, 4.º conde de Ficalho
1839-1871 Júlio Dinis
1842-1895 Manuel Pinheiro Chagas
1842-1906 Pedro Ivo
1843-1924 Teófilo Braga
1844-1868 Álvaro do Carvalhal
1845-1900 Eça de Queirós
1848-1919 Teixeira de Queirós
1951-1923 António Vasco de Melo, 9.º conde de Sabugosa
1854-1917 Abel Botelho
1855-1911 Bernardo Pinheiro Correia de Melo, 1.º conde de Arnoso
1856-1931 Henrique Lopes de Mendonça
1857-1911 Fialho de Almeida
1859-1916 Cláudia de Campos
1860-1941 Manuel Teixeira Gomes
1861-1908 Trindade Coelho
1862-1934 Brito Camacho
1867-1930 Raúl Brandão
1869-1947 Júlio Brandão
1875-1941 Carlos Malheiro Dias 
1876-1962 Júlio Dantas
1878-1930 António Patrício
1885-1963 Aquilino Ribeiro
1887-1925 António Sardinha
1888-1935 Fernando Pessoa
1890-1916 Mário de Sá-Carneiro
1892-1958 Irene Lisboa
1893-1970 Almada Negreiros
1894-1930 Florbela Espanca
1898-1974 Ferreira de Castro
1899-1982 Maria Archer
1899-1985 João de Araújo Correia
1899-1985 José Gomes Ferreira
1901-1969 José Régio
1901-1978 Vitorino Nemésio
1901-1980 José Rodrigues Miguéis
1902-1963 José Loureiro Botas
1902-1970 Tomás de Figueiredo
1903-1980 Domingos Monteiro
1903-1987 João Gaspar Simões
1904-1993 Armindo Rodrigues
1905-1974 Branquinho da Fonseca
1906-1991 Lília da Fonseca
1907-1995 Miguel Torga
1908-1979 Joaquim Paço d'Arcos
1909-1949 Soeiro Pereira Gomes
1910-1968 Castro Soromenho
1910-1995 José de Lemos
1910-1998 Joaquim Pacheco Neves
1910-2001 Rogério de Freitas
1911-1969 Alves Redol
1911-1991 José Marmelo e Silva
1911-1993 Manuel da Fonseca
1912-1985 Faure da Rosa
1915-2000 Luís Forjaz Trigueiros
1916-1993 Mário Dionísio
1916-1996 Vergílio Ferreira
1918-1993 Maria da Graça Freire
1919-1989 Fernando Namora
1919-2004 Sophia de Mello Breyner Andresen
1919-1978 Jorge de Sena
1920-1975 Ruben A.
1920-2008 Luís Cajão
1921-1981 Carlos de Oliveira
1921-1997 Antunes da Silva
1921-1998 Maria Judite de Carvalho
1921-2010 Matilde Rosa Araújo
1921-2016 Mário Braga
1921-2018 Natália Nunes
1922-2003 Maria Ondina Braga
1922-2010 José Saramago
1922-2019 Agustina Bessa-Luís
1923-1980 Mário-Henrique Leiria
1923-1993 Natália Correia
1923-2006 Mário Cesariny
1923-2013 Urbano Tavares Rodrigues
1924-1986 Alexandre O'Neill
1925-1992 Graça Pina de Morais
1925-1998 José Cardoso Pires
1925-2008 Luís Pacheco
1926-2003 Augusto Abelaira
1926-2007 Fernanda Botelho
1927-1996 David Mourão-Ferreira
1927-2015 Luísa Dacosta
1929-2015 Ana Hatherly
1930-2015 Herberto Helder
1930-2016 Vasconcelos Sobral
1930-2019 Maria Alberta Menéres
1931-2008 Maria Gabriela Llansol
1932-2020 E. M. de Melo e Castro
1933-2015 António Rebordão Navarro
1934-2017 Baptista-Bastos
1936-2002 Álvaro Guerra
1936-hoje Manuel Alegre
1936-hoje Mário Zambujal
1937-2015 Vítor Silva Tavares
1937-hoje Maria Teresa Horta
1938-1997 Dórdio Guimarães
1938-2020 Maria Velho da Costa
1939-2016 Maria Isabel Barreno
1939-2018 Altino do Tojal
1939-hoje António Barahona da Fonseca
1940-hoje Teolinda Gersão
1941-2002 José Martins Garcia
1941-hoje António Manuel Pires Cabral
1941-hoje Mário Cláudio
1942-2014 Vasco Graça Moura
1942-hoje António Lobo Antunes
1943-hoje Alice Vieira
1943-hoje Almeida Faria
1944-hoje Mário de Carvalho
1945-hoje José Viale Moutinho
1945-hoje Teresa Veiga
1946-hoje Lídia Jorge
1946-hoje Onésimo Teotónio Almeida
1949-hoje António Mega Ferreira
1949-hoje Hélia Correia
1949-hoje João de Melo
1949-hoje Nuno Júdice
1950-hoje Vergílio Alberto Vieira
1954-hoje Luísa Costa Gomes
1956-hoje Mafalda Ivo Cruz
1958-hoje Ana Teresa Pereira
1962-hoje Francisco José Viegas
1964-hoje Dulce Maria Cardoso
1965-hoje José Riço Direitinho
1968-hoje António Manuel Venda
1970-hoje Gonçalo M. Tavares
1971-hoje Válter Hugo Mãe
1974-hoje Jacinto Lucas Pires
1974-hoje José Luís Peixoto
1975-hoje Cláudia Andrade

Bibliografia:
- Fernando Ribeiro de Mello (1967). Antologia do Conto Fantástico Português. Edições Afrodite. [2.ª edição revista por E. M. de Melo e Castro (1974)]
- Temístocles Linhares (1968) Antologia do Moderno Conto Português. Editora Civilização Brasileira.
- João Palma-Ferreira (1981) Novelistas e contistas portugueses dos séculos XVII e XVIII. Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
- João Palma-Ferreira (1982) Novelistas e contistas portugueses do século XVI. Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
- Álvaro Salema (1984) Antologia do Conto Português Contemporâneo. Instituto de Cultura Portuguesa
- Maria Saraiva de Jesus (2000) Antologia do Conto Realista e Naturalista (Obras Clássicas da Literatura Portuguesa Séc. XIX, #53). Campo das Letras.
- João de Melo (2002) Antologia do Conto Português. Publicações Dom Quixote. 
- Petar Petrov (2002) Antologia do Conto Português Contemporâneo / Антология на съвременния португалски разказ (edição bilingue Português-Búlgaro). Pet Plus. [link]
- Vasco Graça Moura (2003) Os melhores contos e novelas portugueses. Selecções do Reader’s Digest.
- Zacarias Nascimento (2003) Contos Portugueses. Plátano Editora.
- Autores Vários (2006) Contos de Oitocentos: Antologia Inédita de Contos Portugueses do Século XIX. Fronteira do Caos.
- Maria Isabel Rocheta e Serafina Martins (2007) Conto Português - Séculos XIX-XXI. Edições Caixotim.
- Pedro Sena-Lino (2008) Contos Policiais. Porto Editora.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020)

Quando eu vivi em Lisboa, há uns 12 anos, via-o muitas vezes no metro; fazia o que apregoava: andava de transportes públicos em vez de usar constantemente o poluidor automóvel.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Quino [Joaquín Salvador Lavado] (1932-2020)

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Autoras Portuguesas do Século XIX

É mesmo uma feliz surpresa quando descubro uma grande autora! Estou particularmente impressionado com Claudia de Campos e com a alta qualidade dos seus textos! Tal como para o post anterior, para esta lista excluí autoras cuja produção conhecida se cinge a textos religiosos, ou a apenas um ou dois poemas esparsos, ou a correspondência; excluí as autoras que só são conhecidas porque aparecem com um ou dois poemas em colectâneas; finalmente, incluí autoras cuja produção se efectivou já entrado o século XX, mas nascidas ainda no século XIX. Apesar destes limites que me auto-impus, na centúria de oitocentos já começam a ser muitas as mulheres que, felizmente, conseguem publicar as suas obras (e ser reconhecidas por isso, ainda que muitas mais estejam certamente por redescobrir). Por isso, não consigo fazer uma lista exaustiva. Aconselho a consulta da tese de doutoramento de Elen Biguelini para encontrar muitas outras mulheres que merecem ser incluídas aqui (e que o serão, tenha eu tempo).

Deixo, porém, uma note to self. Porque vejo aqui padrões (patterns), merecem mais pesquisa e talvez um post cada: as irmãs Souza; as irmãs Moraes Sarmento; as primeiras médicas, a primeira engenheira, a primeira arquitecta; as três primeiras deputadas ao Parlamento; CBA e as primeiras mulheres eleitoras; a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e o Comité Português de La Paix et le Désarmement par les Femmes. Talvez também me ponha a ler sobre a tríade de pintoras de nível mundial Aurelia de Souza, Vieira da Silva e Paula Rego.


Maria Archer (1899-1982)
Maria Emília Archer Eyrolles Baltasar Moreira. Romancista prolífica. [ref1]

Lucinda Pinto (18??-19??)
Joana Joaquina Lucinda Pinto. A primeira mulher goesa formada em Medicina, pela Escola Médico-Cirúrgica de Goa em 1919. [ref1; ref2; ref3]

Sara Barchilon Benoliel (1898-1970)
Médica. [ref1]

Seomara da Costa Primo (1895-1986)
Bióloga. [ref1]

Marta de Mesquita da Câmara (1895-1980)
Usou o pseudónimo Tia Madalena. Escritora. Inúmeras obras publicadas.

Regina Quintanilha (1893-1967)
Regina da Glória Pinto de Magalhães Quintanilha de Sousa e Vasconcelos. Advogada, foi a primeira mulher a exercer em Portugal. [ref1]

Mathilde Bensaúde (1890-1969)
Mathilde Oulman Bensaúde. Bióloga. [ref1]

Maria Evangelina da Silva Pinto (1887-1973)
Médica. Formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1915. [ref1]

Maria Matos (1886-1952)
Maria da Conceição de Matos Ferreira da Silva. Dramaturga e atriz. [ref1]
- África (1935), teatro
- Dizeres de Amor e de Saudade (1935), teatro
- Direitos do Coração (1936), teatro
- A Tia Engrácia (1936), teatro
- Escola de Mulheres (1937), teatro

Virgínia Quaresma (1882-1973)
Virgínia Sofia Guerra Quaresma. Jornalista. [ref1]

Maria Joana de Freitas Pereira, (1880-19??)
Médica, pioneira na área da Radiologia. Terminou o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1905. [ref1]

Sofia Quintino (1878-1964)
Médica. Defendeu a tese “Algumas palavras acerca de Sensibilização de Bactérias” formando-se em Medicina a 13 de Julho de 1905. [ref1]

Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911)
Formou-se em Medicina em 1902 com o tema de dissertação "Prolapsos Genitais" e especializou-se em Ginecologia dez anos depois. Acabou assim por tornar-se a primeira cirurgiã em Portugal e a primeira a operar no Hospital de S. José, em Lisboa. Tornou-se a primeira mulher a votar em Portugal, na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte de 1911. [ref1]

Emilia de Sousa Costa (1877-1959)
Emília da Piedade Teixeira Lopes de Sousa Costa. Escritora, contista e activista do feminismo, considerada pioneira da literatura infantil em língua portuguesa. [ref1; ref2]
- Como eu vi o Brasil, Lisboa: Empresa Diário de Notícias, 1926.
- Quem tiver filhas no mundo..., 1933. Portada criada por Raquel Roque Gameiro.
- Lendas de Portugal, Porto: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.
- No reino do Sol, Porto: Ática, 2.ª edição, 1947. Em colaboração com Ofélia Marques.
- Publicou também inúmeros livros infantis.

Maria Cândida Parreira (1877–1942)
Maria Cândida de Oliveira Parreira. Advogada, política e poetisa. Em 1934, a convite de António de Oliveira Salazar, integrou a lista única de candidatos a deputados à recém-fundada Assembleia Nacional, acabando por vir efectivamente a desempenhar essas funções durante a I Legislatura do Estado Novo, entre Janeiro de 1935 e Novembro de 1938, na companhia de outras duas mulheres, Domitila de Carvalho e Maria Baptista Guardiola, todas elas solteiras e católicas. [ref1]

Cândida Aires de Magalhães (1875-1964)
Cândida Vaz de Carvalho Aires de Magalhães. Escritora. [ref1; ref2]
- Trevas Luminosas, 1919.
- Falam os Meninos, 1927, contos para crianças
- Asas Feridas, 1928.
- Um Português, 1932, um folheto constituído por quatro sonetos e uma balada pela morte de D. Manuel II.
- Gente Pequenina, 1935, livro para crianças.
- Colaborou em periódicos e almanaques.

Mafalda Mouzinho de Albuquerque (1874-1952)
Usou o pseudónimo Modesta. Escritora. [Lopes de Oliveira, p. 134]
- Contos (1906)
- Versos (1907)
- O Coração de um Sábio (1908), romance
- Um Rembrandt (1910)
- Nevadas Penas (1913)
- Ciúme (1918), teatro

Ana de Castro Osório (1872-1935)
Escritora e tradutora. Fundou a associação política Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Compilou, organizou, editou e publicou "Clepsidra", o único livro de Camilo Pessanha, em 1920, na editora por ela criada, Lusitânia. [ref1]
- Publicou vasta obra, principalmente estórias infantis e textos pedagógicos.

Rita de Moraes Sarmento (1872–1931)
Engenheira Civil, a primeira mulher a tirar este curso em Portugal. [ref1]

Domitila de Carvalho (1871-1966)
Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho. [ref1]

Maria Veleda (1871-1955)
Maria Carolina Frederico Crispin; usou o pseudónimo Maria Veleda. Escritora e activista. [ref1]

Guilhermina de Moraes Sarmento (1870-19??)
Médica, uma das primeiras clínicas a nível nacional. [ref1]

Mécia Mouzinho de Albuquerque (1870-1961)
Escritora. [Lopes de Oliveira, p. 135]
- A Tecedeira, poemeto, Lisboa, 1914
- Fragmentos Históricos, versos, Lisboa, 1917
- A Sonâmbula, contos, Lisboa, 1918, traduzidos em espanhol por Rafael Rotlan, Madrid, 1919
- Rainha e Mártir, poemeto, Paris, 1920
- Pela Vida Fora, versos, Lisboa, 1930
- A Guitarra, versos, Lisboa, 1932
- A Sua Majestade El-Rei Senhor Dom Manuel II, poemeto fúnebre, Lisboa, 1932;
- Aventuras de Tomyris, romance, Lisboa, 1943
- A Monja, Lisboa, 19??
- Ao Fim da Estrada, no prelo 1948

Sophia de Souza (1870-1960)
Sophia Martins de Souza. Pintora. [ref1]

Maria Júdice da Costa (1870–1960)
Maria Bárbara Bicker Júdice da Costa. Cantora lírica. [ref1]

Maria Olivia Ribeiro Pessoa Cabral (1870-1955)
Médica. [ref1]

Emília Patacho (1870-1944)
Emília Cândida da Silva Patacho. Médica. Foi directora do Reformatório de Lisboa para o sexo feminino (1909-1931). Nesta Instituição acumulava as funções de médica e assistente de menores. [ref1]
- Monografia do Reformatório de Lisboa (Sexo feminino), Ministério da Justiça e dos Cultos: Serviços Juridicionais e Tutelares de Menores, Vila do Conde, Tipografia do Reformatório de Vila do Conde, 1931.

Aurelia Moraes de Sarmento (1869-19??)
Médica. Matriculou-se na Academia Politécnica do Porto, com apenas 16 anos, nas cadeiras que faziam parte do plano de estudos como sendo obrigatórias para o ingresso na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Licenciou-se em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1891 com a tese Hygiene da Primeira Infancia, tendo sido a primeira mulher a licenciar-se me Medicina na Escola do Porto, seguida da sua irmã mais velha Laurinda Morais de Sarmento. Aurélia e Laurinda abriram um consultório médico privado que se situava no n.º 579 da Rua do Almada, no Porto, o qual estava vocacionado para doenças de senhoras e crianças, e tinha um serviço de partos a qualquer hora. [ref1; ref2]

Laurinda de Moraes Sarmento (1867-19??)
Médica, 1.ª mulher matriculada na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. [ref1]

Emília dos Santos Braga (1867-1950)
Emília Adelaide Xavier dos Santos e Silva Braga. Pintora naturalista, discípula da José Malhoa e professora de Vieira da Silva. [ref1]

Alice Moderno (1867-1946)
Alice Augusta Pereira de Melo Maulaz Moderno. Professora, escritora, tradutora, jornalista, publicista e poetisa, que se distinguiu como feminista e activista dos direitos dos animais. [ref1; ref2]
- Publicou inúmeros romances e outros textos, e colaborou abundantemente em periódicos, alguns dos quais dirigiu.

Adelaide Cabete (1867-1935)
Adelaide de Jesus Damas Brazão e Cabete. Médica, activista feminista. [ref1]

Aurelia de Souza (1866-1922)
Maria Aurelia Martins de Souza. Pintora. [ref1]

Maria Teodora Pimentel (1865-19??)
Médica. Obteve o diploma do magistério primário, tendo sido professora de instrução primária e do ensino secundário. Após ter frequentado a Escola Politécnica de Lisboa transitou para a Escola Médico-Cirúrgica onde defendeu o "Acto Grande" no dia 8 de Novembro de 1895. [ref1]


Retrato da escritora Claudia de Campos, tirado no atelier de Maria Eugenia Reya Campos, em Lisboa. Da mão da escritora pode ler-se "Souvenir de Colette", um dos seus pseudónimos, e a data de 12 de Setembro de 1891. Imagem colectada daqui.

Claudia de Campos (1859-1916)
Maria Claudia de Campos; usou os pseudónimos Colette e Carmen Sylva. Escritora e activista feminista. [ref1; ref2; ref3; ref4]
- Rindo... (contos), Lisboa, Oficina Tipográfica da Empresa Literária de Lisboa, 1892
- Ultimo Amor, Lisboa, M. Gomes Editor, 1894
- Mulheres (Ensaios de psychologia feminina), Lisboa, M. Gomes Editor, 1895.
- A Esphinge, Lisboa, M. Gomes Editor, 1897
- Elle: com retracto da auctora, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1899
- A Baronesa de Staël e o Duque de Palmela, Lisboa, Tavares Cardoso & Irmão, 1901
- Vários ensaios, contos, prefácios e colaborações com periódicos.

Maria Paes Moreira (1857-1941)
Maria Leite da Silva Tavares Paes Moreira. Médica. Foi a primeira aluna a matricular-se na Academia Polytechnica do Porto em 1884. Tinha 27 anos e era a única mulher entre os 206 matriculados. Mas o seu nome não consta da lista alfabética: o tipógrafo não acreditou tratar-se de uma mulher e escreveu Mário em vez de Maria. [ref1; ref2]

Amélia Cardia (1855-1938)
Amelia dos Santos Costa Cardia. Uma das poucas mulheres a exercer Medicina em Portugal na segunda metade do século XIX. Médica, escritora e espírita. [ref1]
- romances "A Judia", "Episódios da Guerra" (contos), "Na Atmosfera da Terra", este último de cariz neo-espiritualista, e "Pecadora: romance psicológico" (1934).

Angelina Vidal (1853-1917)
Angelina Casimira do Carmo da Silva Vidal; usou o pseudónimo Republicana Viseense. Foi uma jornalista, tradutora, professora, olissipógrafa e escritora. Activista pelos direitos dos mais pobres e dos das mulheres, compactuando com a ideologia republicana e socialista. [ref1; ref2]
- Publicou obra vastíssima em romance, conto, teatro e colaborações em periódicos e almanaques, incluindo periódicos no Brasil, em Angola e na Espanha.

Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1851-1925)
Linguísta, professora universitária. Uma das duas primeiras mulheres admitidas como sócias da Academia das Sciencias de Lisboa (junto com Maria Amália Vaz de Carvalho). [ref1]

Maria Amália Vaz de Carvalho (1847-1921)
Escritora, polígrafa e poetisa, activista feminina, autora de contos e poesia, mas também de ensaios e biografias. Uma das duas primeiras mulheres admitidas como sócias da Academia das Sciencias de Lisboa (junto com Carolina Michaëlis de Vasconcelos). [ref1]

Maria Eugenia Reya Campos (1842?-1917)
Fotógrafa, a primeira fotógrafa profissional em Portugal; nascida em Valência de Alcântara, Espanha, filha de pai português. [ref1]

Hermenegilda de Lacerda (1841-1895)
Hermenegilda Teles de Lacerda. Escritora prolífica. [ref1]
- Teatro - Entre dois deveres, A verdadeira nobreza, O apóstolo; Deus existe e Heroismo de mulher.
- Romance: A mariquinhas da gruta; O eremita da ilha do Faial; Uma narrativa ao ar livre, Uma recordação dos 14 anos, Da fatalidade à felicidade, A voz da natureza, Faze bem não olhes a quem e O valle da feiticeira.
- Poesia: Horas crepusculares.

Ana Plácido (1831-1895)
Ana Augusta Vieira Plácido, viscondessa de Correia Botelho; assinava A.A. (Ana Augusta) e usou os pseudónimos Gastão Vidal de Negreiros e Lopo de Souza. [ref1]
- Colaborou em diversas publicações e fez inúmeras traduções e adaptações.
- Luz coada por ferros. Escriptos originaes, Lisboa, na Typ Universal, 1863.
- Herança de Lágrimas, Guimarães, Redacção Vimaranense, 1871.[pseud. Lopo de Souza]

Antonia Getrudes Pusich (1805-1883)
Jornalista, a primeira mulher jornalista em Portugal. [ref1]


Bibliografia Geral
[ ] http://www.escritoras-em-portugues.eu/
[ ] https://debategraph.org/Details.aspx?nid=133376
[ ] Américo Lopes de Oliveira (1983) Escritoras Brasileiras, Galegas e Portuguesas. Braga: Tip. Silva Pereira.
[ ] Américo Lopes de Oliveira e Mário Gonçalves Viana (1967) Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis. Porto: Lello & Irmão.
[ ] https://revistacaliban.net/a-literatura-feminina-em-portugal-480d17ecbe04
[ ] Elen Biguelini (2017) Tenho escrevinhado muito: Mulheres que escreveram em Portugal (1800-1850). Tese de doutoramento, Universidade de Coimbra.

domingo, 21 de junho de 2020

Autoras Portuguesas anteriores a 1800

É sempre uma surpresa quando descubro um texto de um autor do passado que se pode ler com prazer ainda hoje. É uma surpresa ainda maior quando descubro que o texto é de uma autora! Mesmo em manuscrito. Houve muitas autoras que conseguiram publicar os seus textos, mas foram também muitas (talvez a maioria) que não o conseguiu e apenas deixou obra manuscrita. Infelizmente, muitos manuscritos estão por agora desaparecidos... Espero que um ou outro ainda esteja no fundo de uma caixa de arquivo à espero que algum biblio-arqueólogo o vá desenterrar. Para esta lista excluí autoras cuja produção conhecida se cinge a textos religiosos, ou a apenas um ou dois poemas esparsos, ou a correspondência; excluí as autoras que só são conhecidas porque aparecem com um ou dois poemas em colectâneas, como as no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.


Maria Clara Junior (Séc. XVIII)
Escritora. [ref1]
- Lindoro e Palmira ou os amantes perseguidos. Novella Portugueza offerecida ás Senhoras Portuguezas por D. Maria Clara Júnior, Lisboa, Impressão Régia, 1817

Joana Margarida Maurícia Ribeiro da Silva (n. c. 1796)
Escritora. [ref1]
- Collecção nova de poesias, Lisboa, na Imprensa Régia, 1812.
- Obra poetica de D. Joanna, etc., em que se descreve a sua vida. Primeira parte, Lisboa, na Imprensa Regia, 1815.
- Poesias lyricas de D. Joanna, etc., Folheto terceiro, Lisboa, na Imprensa Regia, 1820.
- Composições poeticas em elogio a sua magestade o senhor Dom Pedro IV... Lisboa, na Imprensa Regia, 1826.
- Elogio ao Illmo e Exmo Senhor Wellesley, General em Chefe das tropas britânicas, Lisboa, Imprensa Régia, 1813.

Maria da Felicidade do Couto Browne (1795-1861)
Escritora. [ref1]
- A Coruja Trovadora, s. l. s. d. [184?]
- Soror Dolores, Porto, 1849
- Virações da Madrugada, Lisboa, s. n., 1854
- Na partida do cadaver de S. M. Carlos Alberto, 1849
- Colaborou em vários periódicos.

Delfina Benigna da Cunha (1791-1857)
Escritora. [ref1]
- Collecção de várias poesias, dedicadas á Imperatriz Viuva, Rio de Janeiro, Typ. Un. de Laemmert, 1846
- Poesias, Porto Alegre, 1834
- Poesias offerecidas ás senhoras rio-grandenses por sua patricia, etc, Rio de Janeiro, Typ Austral 1838 – Outra edição, ibi, Typ Imperial e Constitucional de J. Villeneuce e Ca, 1838

Maria da Trindade de Portugal Malheiro e Melo Baiana (n. Séc. XVIII, m. Séc. XIX)
Pedagoga. [ref1]
- Conselhos e avisos de uma Mãe a seus filhos escriptos por D. Maria da Trindade de Portugal Malheiro e Melo Baiana, Lisboa, na Off. de Joaquim Thomaz de Aquino Bulhões, 1812

Maria Luiza de Valleré (1761-1823)
- Eloge historique de Guillaume Louis Antoine de Valleré, lu á la scéance publique de l'Academie Royale des Sciences de Lisbonne, le 20 janvier 1798, par François de Borja Garção Stockler secretaire de l'Academie, membre de la Société philosophique de Philadelphie, etc. Publié de nouveau avec des additions et des anecdotes sur sa vie, et la refutation de l'article qui le concerne, inséré dans la "Bibliothèque Britannique" par M.e L.se de Valleré, sa fille, Paris, Firmin Didot, 1808.
- "Epístolas" Poezias d'Elpino Duriense, pp. 114, 170, 177, 191, 203 e 211
- Cartas manuscritas na Biblioteca Nacional de Portugal.

Anna Sylveria de Vasconcelos (Séc. XVIII)
Pedagoga. [ref1]
- Escola Nova ou thesouro de meninos, em dialogo entre uma sabia mãe e seu filho, Lisboa, 1786

Jerónima Luisa da Silveira (Séc. XVIII)
Escritora. [ref1]
- Nova e verdadeira Historia do Triunfo da Rainha de Volço, onde se trata do firme e honesto Amor de Levina, filha do Rey Latino, Composta por D. Hêronima Luiza da Silveira, Copiada por Antonio Josê de Oliveira aos 24 de Mayo de 1783 (manuscrito na Biblioteca Nacional de Portugal), publicado 2014

Beatriz Brandão (1779-1868)
Beatriz Francisca de Assis Brandão, também assinava como Beatriz de Assis. Escritora e tradutora. [ref1]
- Cantos da mocidade. Volume I. Rio de Janeiro, Typ. de Paula Brito, 1856
- Cartas de Leandro e Hero; extrahidas de uma traducção franceza. Segunda edição. Rio de Janeiro, Typ. e livraria de B. X. P. de Sousa, 1859
- Romances imitados de Gesner. Typ. e livraria de B. X. P. de Sousa (sem data)
- Catão: drama tragico, pelo abbade Pedro Metastasio: traduzido do italiano. Typ. e livraria de B. X. P. de Sousa, 1860
- Lágrimas do Brasil. Poesia em versos hendecassílabos no mausoléu levantado à memória da excelsa rainha de Portugal, dona Estefânia, Rio de Janeiro, 1860.
- As Comendas. Poesias, Rio de Janeiro, s. d.
- Saudação à estátua equestre de S. M. I. o senhor D. Pedro I, fundador do Império do Brasil, Rio de Janeiro, Tip. Paula Brito, 1862.
- Colaborou em vários periódicos.
- Alexandre na India, de Pedro Metastasio, (tradução)
- Semiramis reconhecida, de Pedro Metastasio, tradução, perdida
- José no Egypto, de Pedro Metastasio, tradução, perdida
- Angelica e Medoro, de Pedro Metastasio, tradução, perdida
- Diana e Endemião, de Pedro Metastasio, tradução, perdida
- Sonho de Scipião, de Pedro Metastasio, tradução, perdida
- Dramma per musica á Coroação de S. M. O sr. D. Pedro I, perdida
- Dramma per musica no Nascimento do sr. D. Pedro II, perdida
- Cantata aos annos da imperatriz a sr.ª D. Leopoldina, perdida

Leonor Correia de Sá (1779)
Tradutora de obras francesas, que publicou. [ref1]
- Archambaud e Batilde ou a escrava rainha, Lisboa, Impressão Régia, 1817
- Avisos de uma mãe a seu filho, trad. Marquise de Lambert, Lisboa, Impressão Régia, 1818
- O sítio da Rochella ou o Infortúnio e a Consciência. Novella traduzida do francês, trad. Madame de Genlis, Lisboa, 1808. reed. 1821, 1834
- O sítio da Rochella ou o Infortúnio e a Consciência. Novella traduzida do francês, trad. Madame de Genlis, Lisboa, Typographia de Ant. J. da Rocha, 1842.
- A interessante Agnès, 1830
- A eschola da virtude, 1830
- Os votos temerários ou o entusiasmo, trad. Madame de Genlis, 2 vols., 1819

Joanna Rousseau de Villeneuve (Séc. XVIII)
Pedagoga. [ref1; ref2]
- Aia vigilante ou reflexões sobre a educação dos meninos desde a infância até a adolescência, Lisboa, António Vicente da Silva, 1767

Gertrudes Margarida de Jesus (fl. 1761)
Escritora feminista avant la lettre. Autora de papéis volantes. [ref1; ref2]
- Segunda carta apologetica, em favor, e defensa das mulheres, escrita por Gertrudes Margarida de Jesus, ao irmão Amador do Dezengano, com a qual destroe toda a fabrica do seu Espelho Critico. e se responde ao terceiro defeito, que nelle contemplou. Lisboa : na Officina de Francisco Borges de Sousa, 1761.

Ritta Clara Freyre de Andrade (n. 1758)
Escritora. [ref1]
- Arte Poetica de  Q. Horacio Flaco : Trad. em verso rimado, e dedicada a memoria do grande Augusto por Ritta Clara Freyre de Andrade, Coimbra, Regia Officina da Universidade, 1781

Luiza Todi (1753-1833)
Luiza Rosa de Aguiar; tomou o nome Todi do marido. Cantora lírica. [ref1]
- Pollinia, ópera (1784), escrita a meias com o seu marido Francesco Todi.

Leonor de Almeida Portugal (1750-1839)
Dona Leonor de Almeida Portugal, 4.ª marquesa de Alorna, 9.ª condessa de Assumar; condessa de Oyenhausen-Granvensburg; usou os pseudónimos Alcippe, Laura, Lise e Lilia. Escritora e intelectual. [ref1]
- Poética de Horácio e Ensaio sobre a Crítica de Alexandre Pope por uma portugueza, Londres, T. Harper, 1812.
- De Bonaparte e dos Bourbons, Lisboa, Imprensa Régia, 1814
- Paraphrase a vários psalmos, Lisboa, Imprensa Régia, 1817
- Ensaio sobre a indifferença em matéria de religião, Lisboa, Imprensa Régia, 1820
- Paraphrase dos Psalmos, tomo I, Lisboa, Imprensa Régia, 1833
- Obras poeticas de D. Leonor d'Almeida, etc., conhecida entre os poetas portugueses pelo nome de Alcippe. Lisboa, 1844, com o retrato da autora. Seis volumes.

Catharina de Lencastre (1749-1824)
Dona Catharina Michaela de Souza Cesar de Lencastre, viscondessa de Balsemão; usou os pseudónimos Nathercia, Carinthia, Célia. Poetisa. [ref1; ref2]
- "Carinthia a Mirtillo" (Ode). Dirigida a Luís Raphael Soyé in: Luiz Rafael SOYÉ, Sonho. Poema erótico, Lisboa, na Off. de Francisco Luiz Ameno, 1786, p. VI
- «Acorda, acorda agora do pesado somno» (Ode)  in.: Luiz Rafael SOYÉ, Sonho. Poema erótico, Lisboa, na Off. de Francisco Luiz Ameno, 1786, p. lV
- "Ode ao Marquez de Pombal Sebastião José de Carvalho e Mello", Collecção de Poesias inéditas dos melhores Auctores Portuguezes, Lisboa : Imp. Regia, 1809-1811 (2 vols)
- Sonetos (“Inda existe, cruel, inda em meu peito” e “Vendo amor que há muito tempo” in Miscellanea Poetica – Jornal de Poesias Ineditas, Porto: Na Loja de F. G. da Fonseca, Livreiro e Editor, 1851. Vol 5, 30 Janeiro 1851
- Soneto, feito pouco depois de receber o sagrado viático, Porto, 1824.
- Poesias copiadas em 1793 pelo seu criado Henrique Corrêa. BPMP: MSS 1075
- Apologia das obras novamente publicadas por Francisco Manuel em Paris (impressa, desaparecida)
- Cora e Alonso, ou a Virgem do Sol. Drama em três actos (impresso, desaparecido)
- Fabulas, Colecção de Apologos (impressas, desaparecidas)
- Imitação d’ As Solidões, Poema em dois cantos, do Barão de Cronegk, tradução feita sobre a versão francesa de Huber (impressa, desaparecida)

Francisca de Chantal Álvares (1745-18??)
Soror Anna Ignacia do Coração de Jesus, freira salesiana. [ref1]
- Breve compêndio de Gramática Portugueza para uso das meninas que se educam no Mosteiro da Vizitação de Lisboa, por uma religiosa do mesmo mosteiro, Lisboa, Off.  de António Rodrigues Galhardo, 1786

Theresa de Mello Breyner (n. 1739)
Dona Theresa Josefa de Mello Breyner, condesa do Vimieiro; usou os pseudónimos Tirse, Tirceia. Escritora. [ref1; ref2; ref3; ref4]
- Osmia. Tragédia de assunto portuguez em tres actos, Lisboa, Academia Real das Ciências, 1835
- Osmia Trauerspiel, gekrönt von der Lissaboner Academie der Künste und Wissenschaften aus der Portugiesisch übersetzt von einem Freunde dieser Literatur nebst vorangehender Geschichte der dramatischen Kunst in Portugal, Halberstadt, H. Bogler, 1824.
- Idea de hum Elogio Historico de Maria Thereza Archiduqueza de Austria escrita em Portuguez por M. M***, Lisboa, Francisco Luiz Ameno, 1781, trad. Marie Caroline Murray

Theresa Margarida da Silva e Orta (1711-1793)
Dona Theresa Margarida da Silva e Orta; usou o pseudónimo Dorothea Engrassia Tavareda Dalmira, anagrama perfeito do seu nome (incluindo Dona). [ref1]
- A sua única obra conhecida e publicada foi Aventuras de Diofanes, que teve 3 edições em vida da autora. Na 3.ª edição, de 1790, o frontispício atribui a obra a Alexandre de Gusmão não se sabe porquê. Uma 4.ª edição já após a morte da autora deixa cair os nomes e atribui apenas a obra a "huma Senhora Portuguesa".
-- 1.ª ed. Maximas de Virtude, e Formosura, com que Diofanes, Clymenea, e Hemirena, Principes de Thebas, Vencêrão os mais apertados lances da desgraça, por Dorothea Engrassia Tavareda Dalmira, Lisboa, Officina Miguel Manescal da Costa, 1752.
-- 2.ª ed. Aventuras de Diofanes, ou Maximas de Virtude, e Formosura, com que Diofanes, Clymenea, e Hemirena, Principes de Thebas, Vencêrão os mais apertados lances da desgraça, por Dorothea Engrassia Tavareda Dalmira, Lisboa, Régia Officina Tipográfica, 1777
-- 3.ª ed. Aventuras de Diofanes, imitando o Sapientissimo Fenelon na sua Viagem de Telemaco, por Dorothea Engrassia Tavareda Dalmira. Seu verdadeiro author Alexandre de Gusmão, Lisboa, Régia Officina Tipográfica, 1790
-- 4.ª ed. Historia de Diofanes, Clymenea e Hemirena, Principes de Thebas. Historia Moral escrita por huma Senhora Portugueza, Lisboa, Typographia Rollandiana, 1818

Marianna de Abreu (n. entre 1704 e 1706, m. entre 1721 e 1723)
Escritora. Nascida em Abrantes. A sua obra, manuscrita e nunca publicada, está desaparecida. [ref1; ref2]
- Catálogo de Varões insignes em armas até o tempo de D. João de Castro
- Philosofia Moral
- Rhetorica Moderna

Paula da Graça (n. Séc. XVII, m. Séc. XVIII)
Escritora feminista avant la lettre. Autora de papéis volantes. [ref1; ref2]
- Bondade das Mulheres Vendicada e Malícia dos Homens Manifesta, Lisboa, Officina de Bernardo da Costa Carvalho, 1715
-- Bondade das Mulheres Vendicada e Malícia dos Homens Manifesta, Lisboa, Pedro Ferreira, 1741
-- Bondade das Mulheres Vendicada e Malícia dos Homens Manifesta, Lisboa, Pedro Ferreira,1743
-- Bondade das Mulheres Vendicada e Malícia dos Homens Manifesta,Lisboa, António Gomes, 1793.

Mónica Joaquina Josefa (n. Séc. XVII, m. Séc. XVIII)
Escritora. Deixou obra manuscrita. [ref1]
- Elegia á felicissima chegada da Serenissima Princeza de Castella a Portugal no anno de 1728, poesia (manuscrito).
- Roma illustrada, ou discrição de Roma antiga, e moderna, poesia (manuscrito).
- Virgilio defendido, e Homero acusado, poesia (manuscrito).

Rita Joana de Sousa (1695-1719)
Escritora, cuja obra nunca publicada está desaparecida.[ref1]
- Poesia (apud MACHADO)
- Vários tratados de Filosofia moral (apud PERYM)

Joana Josefa de Menezes (1651-1709)
Dona Joana Josefa de Meneses, condessa da Ericeira; usou os pseudónimos Aonia (anagrama de Joana ou Ioana) e Apolinário de Almada. Escritora. [ref1]
- [Apolinario de Almada pseud.] Despertador del alma al Sueño de la Vida: en voz de un advertido desengano, Lisboa, Manuel Lopes Ferreira, 1695.
- TRADUÇÃO Panegyrico ao Governo da Serenissima Senhora Duqueza de Saboya. Lisboa, Na Officina de Joaõ Galraõ Familiar do S. Officio, Anno de 1680 [apud Innocencio Francisco da Silva: Traduzido por Joana Josefa de Menezes]
- TRADUÇÃO Reflexões sobre a Mizericórdia de Deos em forma de solilóquios, por uma pecadora arrependida, Lisboa, Miguel Deslandes, 1694 [Dedicatória e prólogo da tradutora]
- Vasta obra poética, dramática e de tradução, nunca publicada, cujos manuscritos estão desaparecidos.

Mariana Alcoforado (1640-1728)
Soror Mariana Alcoforado, O.S.C. Suposta autora das famosas e estilìsticamente influentes Cartas Portuguesas. [ref1; ref2]
- Lettres Portvgaises Tradvites en François, A Paris, Chez Clavde Barbin, 1669.

Joana Margarida de Castro (1634-1714)
Escritora. [ref1]
- Poesias líricas, morais, heróicas e afectivas, 1734 (apud FLORES et alii)
- Poesias várias em manuscrito, desaparecidas.

Agostinha Barbosa da Silva (m. 1674)
Usou o pseudónimo Pedro de Albornoz. Escritora. [ref1]
- Tractado de Architectura, e Arithmetica, (pseud. Pedro de Albornoz), impresso em Castela.
- Vidas dos cinco primeiros reis de Portugal (manuscrito)

Leonor de Menezes (c. 1630-1664)
Dona Leonor de Meneses, condessa da Atouguia; usou o pseudónimo Laura Mauricia. Autora de uma importante novela corta barroca, que escreveu em castelhano. [ref1; ref2]
- El desdeñado mas firme, Lisboa, 1665.

Ignacia Xavier (m. 1647)
Médica e intelectual. Diz Barbosa Machado: "huma das mulheres mais doutas, que floreceo no seculo passado. Foy perita na Rhetorica, Filosofia, Mathematica, Medecina, e na liçaõ da Historia." [ref1]
- Arte de Bem fallar (manuscrito desaparecido)
- Vida de huma Veneravel Matrona sua contemporanea (manuscrito desaparecido)
- Livro sobre as antiguidades de Braga (manuscrito desaparecido)

Mariana de Luna (Séc. XVII)
Escritora. [ref1]
- Ramilhete de Flores à felicidade deste Reino na sua milagrosa restauração por sua Magestade D. João IV de nome, e XVIII em numero dos verdadeiros reis portugueses, Lisboa, por Domingos Lopes Rosa, 1642

Angela de Azevedo (Séc. XVII)
Escritora. Deixou obra manuscrita existente. [ref1]
- La Margarita dal Tajo que diò nombre a Santarem, (comédia)
- El muerto dissimulado, (comédia)
- Dicha, y desdicha del juego, y devoción de la Virgen, (comédia)

Bernarda Ferreira de Lacerda (1595-1646)
Escritora. [ref1]
- Soledades de Buçaco, Lisboa, por Mathias Rodrigues 1634.
- Hespaña Libertada, 1.ª Parte, Lisboa, Of. Pedro Crasbeeck, 1618. (2ª Parte, Lisboa, João da Costa, 1673)
- Soneto em Varias poesias de Pavlo Gonçalvez d’Andrada, Lisboa, Matteus Pinheiro, 1629
- "Soneto Português em louvor da Ulissea de Gabriel Pereira de Castro" e 12 oitavas-Argumentos antes de cada canto in.: Gabriel Pereira de Castro, Vlissea ou Lysboa Edificada, 1630
- "Ritmo Latino", "Cinco Décimas Portuguesas", "Argumentos" in.: Francisco de Sá de Menezes, Malaca Conquistada, Lisboa, Mathias Rodrigues, 1634
- Cazador del Cielo (apud REMÉDIOS, 1914, p. VIII)
- Comedia de S. Eustachio (apud REMÉDIOS, 1914, p. VIII)
- Dos Christãos de Saõ Thome ou Prestes Joaõ
- Diálogos
- Cançaõ à morte de Lope de Vega Carpio, Poeta
- «Ao Autor» (“Colhedo gentil copia de boninas”) (apud ANDRADA, Miguel Leitão de, Miscellanea, Lisboa, Imprensa Nacional, 1867, p. XIII).
- Várias obras hoje desaparecidas, incluindo um volume de comédias.

Tomásia Nunes (m. 1644)
Escritora, cuja obra, manuscrita nunca publicada, está desaparecida. [ref1]
- Ideias Singularissimas (manuscrito)
- Nova Arte de bem fallar (manuscrito)

Antonia de Rojas ou  Roxas (Sécs. XVI-XVII, n. antes de 1580)
Deixou obra manuscrita, nunca publicada. Barbosa Machado menciona-a na Bibliotheca Lusitana. [ref1]
- Intervallo de tristes (Alívio de Tristes apud Barbosa Machado)
- Historias fabulosas em prosa Portugueza, misturada com versos
- Processo da vida e morte de huma amante
- Principio das amargas tragedias da Autora em doze, que chama scenas, prosa e verso Portuguezes
- Tragedia lastimosa de Dona Antonia de Rojas na morte de seu unico filho prosa, e versos, oitavas, sonetos, e outros versos Divinos e Humanos
- Origem authentica de Nossa Senhora de Monserrate traduzida de prosa e verso
- Egloga Pastoril (apud Barbosa Machado)
- Diversas canções e glosas sagradas e profanas (apud Barbosa Machado)

Leonor Coutinho (c. 1575-16??)
Dona Leonor Coutinho, condessa da Vidigueira. Escritora. [ref1; ref2]
- Chronica do Emperador Belliandro, em que se dá conta das obras maravilhosas dos vallerozos acontecimentos, que no seu tempo obrou o Príncipe Bellifloro seu filho, e de Dom Bellindo, príncipe de Portugal, e outros muitos cavalleiros (manuscrito).
-- Crónica do Imperador Beliandro, Livro I (Primera Parte), Biblioteca do Museu Nacional de Arqueologia de Belém (Lisboa), cód. 47.
-- Crónica do Imperador Beliandro, Livro III (segunda mitad de la Segunda Parte), Biblioteca do Museu Nacio­nal de Arqueologia de Belém (Lisboa), cód. 48.
-- Crónica do Imperador Beliandro, Primera y Segunda Parte, Biblioteca do Museu Nacional de Arqueologia de Belém (Lisboa), cód. 81.

Brigida de Alarcão (1572-1622)
Escritora. [ref1]
- Vida, Acções e Morte da Famigerada Judite (manuscrito)
- Vida e Morte do Famoso Sansão (manuscrito)

Publia Hortensia de Castro (1548-1595)
Humanista. Não deixou nada publicado e as seus manuscritos estão desaparecidos. [ref1]
- Psalmos pela victoria e felicidade do Senhor D. Duarte e declaração dos Ditos Psalmos (apud MACHADO o manuscrito conservava-se na Biblioteca Real)
- Flosculus Theologicalis
- Poezias Várias Latinas e Portuguezas
- Cartas Latinas e Portuguezas a várias pessoas

Joana Vaz (Séc. XVI)
Tradutora e humanista. [ref1]
- Várias traduções de textos latinos, que estão desaparecidas.

Isabel de Castro e Andrade (1530-1595)
Poetisa e comentadora de Camões. Defendeu tese em Filosofia diante dos teólogos do convento do Varatojo. [ref1]
- «Muitos versos que, diz Barbosa Machado, fariam um bom volume. Tudo se deve ter perdido com o incêndio do solar da Anunciada no terramoto (...) Dois sonetos que se salvaram são de gosto camoniano» (JHS, Vida ignorada, p. 101).

Luiza Sigeia (n. c. 1520 ou 1530, m. 1560 ou 1569 ou 1570)
Aloysia Sygaea Toletana. Humanista. Usou pseudónimos Christiana Cynthia e Decima Musa. [ref1]
- Duarum Virginum Colloquium - Dialogum de Differentia vitae rusticae, & urbanae - Dialogue de Deux Jeunes Filles sur la vie decour et la vie de retraite, Paris: PUF/ Fundation Calouste Gulbenkian, 1970.
- Vinte e Três Epistolas Latinas
- Versos - POETICA
- Carta ao Pontífice Paulo IV, em cinco línguas; parcialmente e integralmente citada em Silvestre Ribeiro, Luiza Sigéa, pg. 8 e 25-26 respectivamente
- Cartas várias publicadas.

Joana da Gama (c. 1520-1586)
Escritora. [ref1]
- Dictos diversos postos por ordem de Alfabeto com mais algumas Trovas, Vilhancicos, Sonetos, Cantigas e Romances em que se contem sentenças, e avisos notáveis, Évora, André de Burgos, 1555.

Paula Vicente (1519-1576)
Escritora, editora, atriz e música. Filha de Gil Vicente. [Lopes de Oliveira, p. 200]
- Arte de Língua Inglesa e Holandesa para instrução dos seus Naturais
- Várias comédias.

Leonor de Noronha (1488-1563)
Dona Leonor de Noronha. Escritora. [ref1; ref2]
- Coronica geral de Marco António Cocio Sabelico Des ho começo do mundo ate nosso tempo, Coimbra, João de Barreira & João Álvares, 1550
- Este livro he o começo da historea de nossa redençam que se fez pêra consolação dos que nam sabem latim; pede ho autor della aos leitores que se nella acharem lhe digam por amor de deos hu pater noster polla alma, Lisboa, Germão Galharde, 1552
- Coronica geral da eneyda segunda de Marco António Cocio Sabelico des ho começo do mundo ate o nosso tempo, Coimbra, João de Barreira e João Álvares, 1553
- Esta he a segunda parte da historia de nossa redenção: que se fez pêra consolaçam dos que não sabem latim. Coimbra, João de Barreira, 1554


Bibliografia Geral
[ ] http://www.escritoras-em-portugues.eu/
[ ] https://debategraph.org/Details.aspx?nid=133376
[ ] Américo Lopes de Oliveira (1983) Escritoras Brasileiras, Galegas e Portuguesas. Braga: Tip. Silva Pereira.
[ ] Américo Lopes de Oliveira e Mário Gonçalves Viana (1967) Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis. Porto: Lello & Irmão.
[ ] Vanda Anastácio (2013) Uma antologia improvável: a escrita das mulheres (séculos XVI a XVIII). Lisboa: Relógio D'Água. ISBN: 978-989-641358-3 [recensão1; recensão2]