quinta-feira, 19 de março de 2026

Escritas...

Contrato entre o Infante Dom Henrique e Diogo de Teive, 1452. In Mendes Ferrão (2005) A Aventura das Plantas, p. 34.


        ⸿ comtrauto que foy feyto Emtre 
        ho ymfamte Dom Emrrique E 
        Dioguo De teue Sobꝛe ho
        faʒimemto Do açuquaꝛ 
Eu o ymfamte dom Amrrique duque de viſeu E 
Snnoꝛ De coujlham faço Sabeꝛ A vos Joham gomçalueʒ 
meu caualleyꝛo E capitam por mjm na mjnha ylha d’ama 
Deyꝛa E a outro quall queꝛ a que eſte meu comtrauto foꝛ 
moſtrado que Eu comtraytey com Diogo detteiue meu 
eſcudeyꝛo que elle mamde hy faʒeꝛ hum Emgenho dau 
gua Em lugaꝛ que nam poſſa faʒeꝛ nojo a outrem peꝛa 
ſe nelle faʒeꝛ açucaꝛ Com eſtas comdiçoees ⁊ uſo eſkꝛitas 
ytem que De todo ho açucaꝛ que ſe Em elle feʒeꝛ elle 
me De ateꝛça paꝛte Sem lhe Eu Daꝛ njhũa couſa /. 
ytem com comdiçam quedamdo elle com ho Dito Seu 
Emgenho Eo meu lagaꝛ Deſpacho A todos hos ca 
uancaeês que nom fique njhũa couſa poꝛ faʒeꝛ / que 
Eu nom De logaꝛ a njguem que poſa faʒeꝛ outro Se 
melhamte E nom ſe podemdo todo faʒeꝛ que  Eu dey 
lugaꝛ aquém me pꝛouueꝛ que faʒa outro / 
Com comdiçam que o meu Almoxarife Reçeba delle 
o meu teꝛço Do Dito açucaꝛ que me ha De Daꝛ aſy 
ho Das foꝛmas como De panella apurado Ao quall 
poꝛ eſta pꝛeſemte mamdo que logo como Aſy apuꝛado 
foꝛ o Reçeba E rrecade peꝛa mj . E poꝛem vos mamdo q̃ 
lhe leyxes Aſy faʒeꝛ /o Dito Emgenho omde lhe pꝛouueꝛ 
E lhe nom ponhaes neelo embaꝛgo algum feyto em 
allbufeyꝛa v. Dias De Dezembꝛo Joham De moꝛaa
es /o feʒ Anno Do Sennoꝛ De mjll iiij lij. 



Da última página do Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende, Lisboa 1516

https://purl.pt/31247/2/

 ACabouſſe de empꝛemyr o cançyoneyro geerall. Com pꝛeuilegio do muyto alto ⁊ muyto poderoſo Rey dom Manuell nosso ſenhoꝛ. Que nenhũa peſſoa o poſſa empꝛemir nẽ troua que nelle vaa. ſob pena de doʒentos cruʒadꝰ ⁊ mais perder todollos volumes que fiʒer. Nem menos o poderam traʒer de foꝛa do reyno a vender ahynda q̈ la foſſe fejto ſo[b] a meſma pena atras eſcrita. Foy oꝛdenado ⁊ emẽdado poꝛ Garçia de Reeſende fidalguo da caſa del Rey noſſo ſenhoꝛ ⁊ eſcriuam da faʒenda do pꝛinçipe. Começouse em almeyrym ⁊ acabouse na muyto nobꝛe ⁊ ſempꝛe leall çidade de Lixboa. Per Hermã de cãpos alemã bõbardeyro delrey noſſo ſenhoꝛ ⁊ empꝛemjdoꝛ. Aos xxviij. dias de ſetẽbꝛo da era de noſſo ſenhoꝛ Jeſu criſto de mil ⁊ quynhentꝰ ⁊ xvi anos.



Frontispício da Regra da Perfeição da Conversação dos Monges, de Lourenço Justiniano, Lisboa 1531

História da Vida Privada em Portugal A Idade Média, Mattoso (dir.), pg. 319


E Nom he peq̃na a obrigaçam de louuor que teem os preſentes e futuros aos defunctos ſcriptores. Os quaes antepoendo ho proueyto comũ ao proprio: guarnecidos de fee: ſperança. e charidade. perdido o cuydado de ſy martirizando ſuas carnes: conſumĩdo ſuas vidas com continuo ſtudo e occupaçam do ſpiritu: ſoomente ſe contentarom por refrigerio de ſeus trabalhos: cõ o fructo que delles a nos auia de ſer tam proueytoſo. Em numero dos q̈es foy ho glorioſo Juſtiniano auctor da obra preſente que aos monges e ſolitarios deſcobriu tã geytoſo caminho: … e glorificador. E nom menos digna de louuor he a ſenhora iffante dõna Catherina irmaã del Rey dom Afõſo ho quĩto. a qual tanto reſplãdeceu em ſeu tẽpo em virtude e ſabedoria: q̃ eſquecida dos cuidados das outras femeas ſe affirma auer tirado ho veeo a eſta obra: pa que podeſſe ſer cobiçada dos ſimplezes e ſem trabalho entendida dos doctos. tomãdoa de latim em noſſo purtugues: e dandoa em offerta aos religioſos de ſanto elloy: õde ho ſeu corpo he ſepultado. E ſabẽdo ho padre dom Dioniſio prior craſtero do moeſteyro de ſancta Cruz de Coymbra: por ho ſenhor Jffante dom Anrique q̃ tanto theſouro e tam neceſſario aas almas dos deuotos: eſtaua aſſy encarrado e ignoto por falta d’ impreſſam[ com cõſelho do conuento ]ho mandou correger e emp̃mir em ho quarto anno de ſua reformaçam. aa gloria e ouuor de noſſo ſenhor Jeſu chriſto que com ho padre e ſpiritu ſancto: viue e regna em ho ſegre dos ſegres. Amen.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Citações autóctones

«Não se conhecem ao norte do Douro nenhuns vestígios materiais da presença dos mouros e são reduzidos os nomes de lugares de origem árabe. O próprio vocabulário comum se serve de palavras românicas para designar objectos, medidas, operações agrícolas que no Sul se exprimem por vozes arábicas. Em Trás-os-Montes diz-se segada e decrua (lavoura anterior à sementeira), no Alentejo, ceifa e alqueive; no Norte chama-se rasa, libra, cântaro às medidas que no Sul se designam por alqueire, dois arráteis, meio almude; ali diz-se caleira (cano para escoar a água dos telhados), copos, aqui algeroz, alcatruz; a um caminho apertado entre muros ou sebes chama-se quelha no Norte, azinhaga no Sul. Uma pesquisa sistemática mostrou o emprego de umas quinze palavras arábicas no Sul, a que correspondem, no Norte, palavras românicas (ou mais antigas) e mais de um cento de «pares» destas duas origens (...).»
― Orlando Ribeiro (1987) A Formação de Portugal, p. 42.

«Tudo hipóteses gratuitas, meros palpites a que falta a base de encadeamentos e correlações convincentes. A História não pode fazer-se com estas contradições e ausência de rigor, que surpreendem e desorientam.»
― Orlando Ribeiro (1987) A Formação de Portugal, p. 70.

«O autor [Torquato Soares] contrapõe à experiência rural de Avelino da Costa generalidades e afirmações gratuitas; muita falta fazem aos historiadores uns laivos de preparação geográfica!»
― Orlando Ribeiro (1987) A Formação de Portugal, p. 73.

«Mas, sob estes remoínhos [as guerras da Reconquista, sécs. VIII a XIII] que desorganizavam as cidades, as comunicações e as formas superiores de vida social, o essencial dos povoados rurais permanecia ― a despeito da laboriosa e por vezes contraditória argumentação de Sánchez-Albornoz e Torquato Soares.»
― Orlando Ribeiro (1987) A Formação de Portugal, p. 73.

«(...) Dos "pequenos teatros, animatographos, e variedades" de início do século, (...) o centro de Lisboa assistirá a partir dos anos 1910 à construção de grandes cinemas. (...) A sofisticação destes espaços [grandes edifícios de cinema] assinalava a autonomização do cinema como forma artística de pleno direito, bem como a emergência da cinefilia como prática cultural cosmopolita (...) das classes médias e elites culturais urbanas. (...) O desenvolvimento da produção e da exibição expandira o cinema à elite (...).»
― Luís Trindade (2020) «Dar espetáculo: A cultura em Portugal no século XX», in O Século XX Português, pp. 314-315.

«(...) o uso metonímico do feminino ("a leitora de fotonovelas") para desqualificar as preferências do público popular (...)»
― Luís Trindade (2020) «Dar espetáculo: A cultura em Portugal no século XX», in O Século XX Português, p. 328.

«A insistência dos intelectuais na imagem de fragilidade do público feminino exposto à influência da cultura de massa revelava, como vimos, uma ansiedade que ia muito para lá do perigo de corrupção cultural das mulheres. Os sujeitos sociais [neste caso, as mulheres] e a sua agência política [liberdade para agir, escolher, decidir] assumem frequentemente um valor metonímico [a parte pelo todo] nos valores culturais, como temos visto.»
― Luís Trindade (2020) «Dar espetáculo: A cultura em Portugal no século XX», in O Século XX Português, p. 335.

«Rindo daquilo que constituía a sua principal forma de entretenimento quotidiano [as telenovelas], os portugueses pareciam estar não só de alguma forma a rir-se de si próprios, (...) como também a revelar uma capacidade de distanciamento que os intelectuais conservadores nunca reconheceram ao público dos espetáculos urbanos.»
― Luís Trindade (2020) «Dar espetáculo: A cultura em Portugal no século XX», in O Século XX Português, p. 347.

«(...) mais um exemplo de outro aspeto da nossa história, a da indisciplina que contraria as regras da elite (...) permite-nos também suspeitar de que o que sempre foi verdadeiramente insuportável para a crítica conservadora foi a possibilidade de aquela gente se estar mesmo a divertir.»
― Luís Trindade (2020) «Dar espetáculo: A cultura em Portugal no século XX», in O Século XX Português, p. 351.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Ainda Mais Ligações Desalojadas

Ver também as postagens «Lista de Bookmarks», «Ligações Desalojadas» e «Mais Ligações Desalojadas».

Aqui ficarão, mais uma vez e ainda nostalgicamente, ligações que vou desalojar da lista à direita e do blogalelepípedo porque não são actualizadas há mais de um ano, etc.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Boas Festas


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Os Colégios Jesuítas no Império Português (lista incompleta), 1542-1759

Encontrei esta lista algures nos meus cadernos manuscritos. Penso que a tirei de uma exposição sobre os Jesuítas e o Império Português (talvez no Museu da Ciência em Coimbra? não me lembro). A lista está claramente incompleta, não tenho as fontes de onde isto se comprova, e agora não tenho paciência para ir procurar; portanto, aqui fica só para encher este blog com mais um post irrelevante (e pode ser que um dia me dedique a escrever sobre isto a sério). Ver também este outro post com colégios.

1542 Goa
1546 Molucas
1547 Congo
1548 Baçaim
1549 Kagoshima
1551 Taná
1560 Cochim
1563 Macau
1570 Tuticorim
1574 Salsete 
1576 Bandorá
1576 Malaca
1578 Cranganor (c.)
1579 Coulão (c.)
1581 Damão
1583 Cantão
1583 Zhaoqing
1584 Vaipicota
1586 Shaoxing
1589 Shaozhou
1595 Nanchang
1599 Nanjing
1599 Siu-Chau
15?? Meliapor
1601 Diu
1601 Pequim
1605 Colombo (c.)
1609 Pegu
1611 Chaúl
1612 Bengala
1615 Cochinchina
1616 Cambodja
1617 Negapatão
1617 Macaçar
1624 Tibete
1626 Tonquim
1626 Sião
1628 Jafanapatão
1630 Agra
1633 Mbalacata
1640 Madurai (c.)
1642 Laos

- Legenda:
Hindustão e Ceilão
China e Japão
Indochina e Ilhas
África
Brasil

terça-feira, 12 de agosto de 2025

75 Prefixos da língua portuguesa

a-, ab-, abs-
a-, ad-
a-, an-
além-
ambi-
ana-
anfi-
ante-
anti-
apo-
aquém-
arqui-, arce-
auto-
bem-, ben(e)-
bis-, bi-
cata-
circum-, circu-
cis-
co-, con-, com-
contra-
de-
des-, dis-, de-, di-
di-
dia-
dis-
ec-, ex-, exo-, ecto-
en-, em-, in-
endo-
epi-
eu-
ex-, es-, e-
extra-
hemi-
hiper-
hipo-
i-, in-, im-
infra-
inter-, entre-
intra-
intro-
justa-
mal-
meta-
mono-
multi-
neo-
ob-, o-
omni-
pan-
para-
per-
peri-
poli-
pós-
pré-
preter-
pró-
pros-
proto-
pseudo-
re-
recém-
retro-
sem-
semi-
sin-, sim-
soto-, sota-
sub-, sob-, su-, so-
super-, supra-, sobre-
tele-
trans-, tras-, tres-, tra-
tri-
ultra-
uni-
vice-, vis-

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Citações de Claudia de Campos, que poderiam perfeitamente ser do Eça

"...a viscondessa de Mello gostava de ser sincera e expansiva com os medicos da sua confiança. Instruidos, adquirindo na intimidade da sciencia uma grande largueza de vistas (...) Cleo encontrava nelles pessoas que a entendiam, a quem podia mostrar todos os seus soffrimentos physicos e muitos dos seus estados moraes, deante de quem podia desvendar parte do seu pensamento e satisfazer essa imperiosa necessidade da alma: a confissão, pois que o confessionario da egreja lhe não merecia fé. Ajoelhava lá por cumprir uma simples formalidade; mais nada. Eram-lhe em geral tão antipathicos os padres como sympathicos lhe eram os medicos. Recusava-se-lhe a intelligencia a acreditar na pretenciosa sabedoria e infallibilidade de doutrinas d'aquelles, que só tinha por verdadeiros quando, sobre os degraus do altar, tomam a sagrada hostia, murmurando: Domine non sum dignus, ao passo que depunha uma relativa e dôce confiança na sciencia humana, limitada, embora, e nos que no coração a ella se dedicavam."
― Claudia de Campos, Elle, pp. 78-79, 1.ª edição, 1899.

"O que a filha de Luiza Fratel [Cleo] comprehendeu n'aquelle transe afflictivo, é que as nossas acções, boas ou más, nos seguem pela vida fóra, e que das suas influencias combinadas se fórma uma grande parte do nosso destino."
― Claudia de Campos, Elle, p. 193, 1.ª edição, 1899.

"...a mentira do casamento, onde o homem faz gala mesmo da sua polygamia, a despeito da monogamia legal, e onde tudo figura excepto o sentimento."
― Claudia de Campos, Elle, p. 197, 1.ª edição, 1899.

"Se nos metamorphoseassemos n'este momento em Adão e Eva, e eu lhe confessasse que tinha, por curiosidade, cravado os dentes no travôso fructo do peccado, o que fazia Paulo? (...) Adão era um grande philosopho (...) Em vez de abandonar-se a coleras impotentes, planeando vinganças tardias, adoptou a unico expediente plausivel... comeu tambem!..."
― Claudia de Campos, Rindo..., p. 75.