segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Citações para pensar

“Oscar Wilde said that if you know what you want to be, then you inevitably become it - that is your punishment, but if you never know, then you can be anything. There is a truth to that. We are not nouns, we are verbs. I am not a thing - an actor, a writer - I am a person who does things - I write, I act - and I never know what I am going to do next. I think you can be imprisoned if you think of yourself as a noun.”
― Stephen Fry

Tira de WillTirando, de 24/10/2013

“A painter paints his pictures on canvas. But musicians paint their pictures on silence. We provide the music, and you provide the silence.”
― Leopold Stokowski addressing an audience at the Carnegie Hall, as quoted in The New York Times, 11th May 1967

“Distinct species are not a fact of nature, but of language; they are 'distinct complex ideas with distinct names attached to them.' There are, it is true, differing things in nature, but the differences proceed by continuous gradations: 'the boundaries of the species, whereby men sort them, are made by men.' ”
― Bertrand Russell, in A History of Western Philosophy (1944) [ed. Routledge 2004, p. 654], on Locke's epistemology, Essays (1689), Book III, Chapter VI "On the Names of Substances"

“El físico sabe muy bien que lo que dice su teoría no lo hay en la realidad (...) El hombre de la calle trabaja sobre el plano real y describe fenómenos reales (aquellos que afectan directamente nuestra experiencia sensible o mesocosmos) mientras que el científico trabaja en un plano ideal donde describe fenómenos científicos (relativos al microcosmos y al macrocosmos) que tienen una correpondencia mucho menos estrecha con el mundo experiencial que conocemos. (...) El punto matemático, el triángulo geométrico, el átomo físico, no poseerían las exactas cualidades que poseen si no fuesen meras construcciones mentales.”
― Ortega y Gasset (1964)

“En decir españoles se entiende que no hay diferencia de ésta a aquella nación de las que se comprenden en los límites de España. Y lo mismo que de los catalanes se entiende cuanto a los portugueses.”
― Don Gaspar de Guzmán, conde-duque de Olivares (citado en Elliott (1984), The Revolt of the Catalans, p. 204); afinal não foi o Camões que disse “espanhóis somos todos”
«Sin embargo, en ningún momento [Olivares] compartió los prejuicios de que hacían gala la mayor parte de los aristócratas castellanos, que miraban con desdén a los habitantes de las demás regiones y que les consideraban como ciudadanos de segunda clase. Olivares no tenía tiempo para una actitud de ese tipo y en 1632, en el curso de una reunión del Consejo de Estado, recriminó a aquellos que discriminaban a los catalanes.» Lynch (2005) Edad Moderna - Crisis y recuperación, 1598-1808, p. 95

“Neste roteiro vão escritas muitas coisas que parecem estranhas e impossíveis, as quais escrevi medrosamente, não porque delas não fosse mui certificado, mas por receio que tive de sair da opinião comum.”
― Dom João de Castro, in Roteiros (1538), lido aqui

“Être heureux, c'est apprendre à choisir. Non seulement les plaisirs appropriés, mais aussi sa voie, son métier, sa manière de vivre et d'aimer. Choisir ses loisirs, ses amis, les valeurs sur lesquelles fonder sa vie. Bien vivre, c'est apprendre à ne pas répondre à toutes les sollicitations, à hiérarchiser ses priorités. L'exercice de la raison permet une mise en cohérence de notre vie en fonction des valeurs ou des buts que nous poursuivons. Nous choisissons de satisfaire tel plaisir ou de renoncer à tel autre parce que nous donnons un sens à notre vie ― et ce, aux deux acceptions du terme : nous lui donnons à la fois une direction et une signification.”
― lido no Facebook, 23 Jan 2016 (atribuído ou a Séneca ou a Montaigne)

“La cuisine portugaise se distingue par de subtiles combinaisons de goûts, l'emploi modéré d'épices fortes, mais de beaucoup de fines herbes et d'aromates. Quelques traits généraux ressortent : grande consommation de chou, de riz, de pomme de terre, et de morue ; goût marqué pour les soupes ; nombreux apprêts de poissons et de fruits de mer ; charcuterie renommé ; desserts très sucrés, souvent à base d'oeuf.”
― Le Grand Larousse gastronomique (2007), vertebe “Portugal”, até que em fim uma descrição da gastronomia portuguesa com a qual eu concordo inteiramente!

domingo, 7 de outubro de 2018

1 década + 1 ano de Gaveta com Saber


Eis um post comemorativo. Faz este mês de Outubro 10+1 anos desde a abertura da gaveta. Onze anos nos quais, na prática, apenas o primeiro (e talvez também 2014-2015) foi verdadeiramente activo. A tentativa de o reavivar em 2014 desembocou no anticlímax de 2016-2017, onde publiquei ainda menos posts do que em 2012-2013, quando pensei que tinha mesmo batido no fundo. (E este post comemorativo devia ter saído em 2017, mas  que querem?  esqueci-me...)

Agradeço vivamente a quem por aqui continua a passar, sinal de que os velhos posts continuam a interessar e a ser úteis. Por ver o Saber contado a aumentar, decidi manter o blog, não o apagar, e tentar postar de vez em quando qualquer coisa (tenho vários rascunhos em espera há anos). Vou, talvez, reduzir as expectativas, minhas e dos leitores, e assumir que não hei de conseguir publicar senão dois ou três posts por ano, porque há muita coisa para fazer na realidade material.

terça-feira, 21 de março de 2017

Coleções de História Natural em Portugal

Segundo um primeiro levantamento das coleções de história natural, organizado pelo NatCol (que viria a ser designado em 2014 PRISC [1]), existiam um total de 2 113 619 espécimes nos acervos dos museus e universidades em Portugal [2]. Nesse levantamento este número repartia-se da seguinte maneira, por disciplinas:

Herbários........................ 1 501 948                                                   
Zoologia........................ 0 450 061                                                   
Geologia........................ 0 122 029                                                   
Arqueologia........................ 0 021 702                                                   
Antropologia........................ 0 017 879                                                   

Gosto de pensar que estes são número preliminares, estimados por baixo, porque uma grande parte das coleções não estarão sequer inventoriadas, enquanto muitas outras, pequenas porém importantes, estarão dispersas por museus municipais, institutos, escolas e privados. Segue uma listagem dos maiores acervos por instituição, com números a mor das vezes retirados dos websites das mesmas, suavemente atualizados em relação aos do PRISC. Em 2015 o IICT foi extinto e as suas coleções foram integradas na Universidade de Lisboa (fusão da Universidade Técnica com a Universidade Clássica em 2013), mas nesta lista eu considero-o ainda como instituição em parte inteira.


1. Universidade de Coimbra, Coimbra
Cerca de 1 348 400 objetos [3]. O Herbário tem cerca de 800 000 exemplares. O Museu da Ciência tem cerca de 548 400 objetos. A coleção do Museu reparte-se da seguinte maneira:

Zoologia ................ 500 000                  
Mineralogia e Geologia ................ 020 000                  
Antropologia ............. ~ 014 000                  
Medicina ............. > 005 000                  
Botânica (excl. o Herbário) ................ 003 400                  
Física ............. ~ 003 000                  
Química ............. > 001 000                  
Astronomia (+ 30 000 espectros solares) ............. > 001 000                  
Farmácia ............. ~ 001 000                 

Como só as disciplinas de Zoologia, Geologia, Antropologia e Botânica são tradicionalmente consideradas História Natural, só haverá 537 400 objetos de História Natural sensu stricto no Museu. Mas mesmo assim, com mais de 1 milhão de objetos entre o Museu e o Herbário, a Universidade de Coimbra tem as maiores coleções de História Natural do país. E tem ainda a Algoteca, isto é, a coleção de algas vivas, que contém cerca de 4 000 tubos de cultura, para não falar das coleções que existem forçosamente nos departamentos e faculdades e que não foram integradas no museu.


2. Universidade de Lisboa, Lisboa
Cerca de 678 316 objetos [5]. As coleções repartem-se assim:

Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Total 644 236              
ZOOLOGIA.........................................total 303 630                    
Peixes............. ~ 075 000                    
Insectos............. ~ 066 000                    
Crustáceos............. ~ 058 000                    
Invertebrados não-artrópodes............. ~ 045 000                    
Tecidos e ADN............. ~ 026 000                    
Larvas de peixe............. ~ 017 000                    
Mamíferos............. ~ 006 000                    
Aracnídeos............. > 003 000                    
Aves............. ~ 002 700                    
Antropologia................ 001 830                    
Répteis............. ~ 001 700                    
Anfíbios............. ~ 001 400                    
BOTÂNICA.........................................total 251 280                    
Herbário de vasculares.............. 120 000                    
Herbário de briófitas.............. 070 000                    
Líquens.............. 040 000                    
Fungos.............. 012 000                    
Objetos naturais........... ~ 004 000                    
Sementes............. ~ 003 700                    
Carpoteca................ 001 580                    
GEOLOGIA..........................................total 089 326                    
Estratigrafia............. ~ 032 330                    
Coleções didáticas............. ~ 020 000                    
Paleontologia................ 017 989                    
Mineralogia................ 010 699                    
Petrologia................ 008 308                    

Departamentos e Faculdades
Aparentemente fora do MuHNaC, vários Departamentos e Faculdades da Universidade de Lisboa (da antiga Universidade Clássica de Lisboa, in fact) têm coleções de História Natural repartidas pelas disciplinas de Entomologia, Antropologia, Zoologia, Botânica, Petrologia, Farmácia e Medicina, num total de mais de 34 080 objetos [6].


3. Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa

Cerca de 662 000 objetos, dos quais 520 000 espécimes biológicos e geológicos, e 142 000 artefactos arqueológicos e etnográficos [4]. Fora da História Natural, mas para referência (e dada a sua inquestionável importância), o IICT tem ainda 210 000 mapas e cartas, 730 000 fotografias e cerca de 16 km de documentação no Arquivo Histórico Ultramarino.


4. Museu Geológico, Lisboa
Um acervo estimado em 500 000 objetos [7]. As colecções repartem-se por quatro disciplinas principais: Geologia de Lisboa, Paleontologia, Mineralogia e Arqueologia.


5. Museu de História Natural da Universidade do Porto, Porto
Não encontro informação sobre o tamanho do acervo, mas imagino que esteja nas centenas de milhar, por isso incluo-o em 5.º lugar.


6. Museu de História Natural do Funchal, Funchal
Cerca de 41 166 objetos, ou > 47 000 registros (100 000 espécimes) [8].


7. Museu Carlos Machado, Ponta Delgada
O Herbário tem 32 232 exemplares [9].


8. Museu de História Natural de Sintra, Sintra
Cerca de 12 207 objetos [10] das seguintes disciplinas:

Paleontologia ............. 9 416                           
Malacologia ............. 1 347                           
Mineralogia ............. 0 900                           
Petrografia ............. 0 544                         

Possui coleções de paleontologia (fósseis, incluindo trilobites e alguns exemplares raros e bem conservados de dinossáurios), mineralogia (minerais incluindo alguns lapidados), malacologia (conchas de bivalves e gastrópodes), petrografia (rochas, incluindo meteoritos, entre os quais o Meteorito de Nantan (China) cujo impacto com a Terra foi referenciado em documentos do séc. XVI) e uma pequena biblioteca especializada. A principal atração é o esqueleto do dinossáurio Braseodactylus sp. proveniente da Chapada do Araripe (Ceará, Brasil).


#. Museu do Aquário Vasco da Gama, Oeiras (Dafundo)
Não encontro informação sobre o tamanho do acervo.

#. Museu da Lourinhã, Lourinhã
Não encontro informação sobre o tamanho do acervo.

#. Museu Botânico da Escola Superior Agrária de Beja, Beja
Não encontro informação sobre o tamanho do acervo.

#. Museu Maynense da Academia das Ciências, Lisboa
Não encontro informação sobre o tamanho do acervo.

#. Museu de Geologia Fernando Real da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real
Não encontro informação sobre o tamanho do acervo.

#. Museu Oceanográfico Prof. Luiz Saldanha, Portinho da Arrábida
Não encontro informação sobre o tamanho do acervo.

#. Museu Marítimo de Ílhavo, Ílhavo
Malacologia (a maior coleção do país).


Portanto, somando os números conhecidos (incluído o meio milhão do Museu Geológico, talvez demasiado ambicioso - e daí se calhar não!) dá 3 274 412 espécimes, muito acima do total calculado no primeiro levantamento em 2011, ao qual ainda vão ter de ser somados os acervos sobre os quais eu não obtive informação e os vários herbários.


NOTA sobre as Coleções de História Natural Brasileiras:
Cerca de 26 milhões de espécimes. Dom João VI criou em 1818 a Casa dos Pássaros, que deu origem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro. Em 1866 foram criadas as coleções científicas do Museu Paraense Emílio Goeldi, e em 1886 as do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Hoje, estas três instituições abrigam o maior acervo da diversidade biológica brasileira [11].


Referências
- Cartaxana et al. (2014) Ecologi@ 7: 15-21. http://speco.fc.ul.pt/revistaecologia_7_art_1_1.pdf
[1] MuHNaC lidera consórcio; PRISC - Portuguese Research Infrastructure of Scientific Collections.
[2] Notícia do Público de 04/08/2011.
[3] Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
[4] http://icom-portugal.org/documentos_dm,129,407,detalhe.aspx
[5] http://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecoes
http://memoria.ul.pt/index.php/Especial:Pesquisa/Colec%C3%A7%C3%B5es_do_MNHN
https://midas.revues.org/804?lang=pt
https://www.academia.edu/9384595/As_Cole%C3%A7%C3%B5es_Zool%C3%B3gicas_do_Museu_Nacional_de_Hist%C3%B3ria_Natural_e_da_Ci%C3%AAncia._The_zoological_collections_at_the_National_Natural_History_and_Science_Museum_
[6]http://memoria.ul.pt/index.php/Patrim%C3%B3nio_Hist%C3%B3rico,_Cient%C3%ADfico_e_Art%C3%ADstico_da_Universidade_de_Lisboa
[7] Página do Museu Geológico; Página da DGPC ; notícia do Observador de 28/02/2016.
[8] Colecções do Museu de História Natural do Funchal
[9] http://www.moura.uac.pt/ficheiros/catalogo_exposicao.pdf
[10] http://www.natural.pt/portal/pt/Infraestrutura/Item/137
[11] http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000300017&script=sci_arttext

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Voici que des mages arrivèrent

Mt 2:1-11
01 Jésus était né à Bethléem en Judée, au temps du roi Hérode le Grand. Or, voici que des mages venus d’Orient arrivèrent à Jérusalem 02 et demandèrent : « Où est le roi des Juifs qui vient de naître ? Nous avons vu son étoile à l’orient et nous sommes venus nous prosterner devant lui. » 03 En apprenant cela, le roi Hérode fut bouleversé, et tout Jérusalem avec lui. 04 Il réunit tous les grands prêtres et les scribes du peuple, pour leur demander où devait naître le Christ. 05 Ils lui répondirent : « À Bethléem en Judée, car voici ce qui est écrit par le prophète : 06 Et toi, Bethléem, terre de Juda, tu n’es certes pas le dernier parmi les chefs-lieux de Juda, car de toi sortira un chef, qui sera le berger de mon peuple Israël. » 07 Alors Hérode convoqua les mages en secret pour leur faire préciser à quelle date l’étoile était apparue ; 08 puis il les envoya à Bethléem, en leur disant : « Allez vous renseigner avec précision sur l’enfant. Et quand vous l’aurez trouvé, venez me l’annoncer pour que j’aille, moi aussi, me prosterner devant lui. » 09 Après avoir entendu le roi, ils partirent. Et voici que l’étoile qu’ils avaient vue à l’orient les précédait, jusqu’à ce qu’elle vienne s’arrêter au-dessus de l’endroit où se trouvait l’enfant. 10 Quand ils virent l’étoile, ils se réjouirent d’une très grande joie. 11 Ils entrèrent dans la maison, ils virent l’enfant avec Marie sa mère ; et, tombant à ses pieds, ils se prosternèrent devant lui. Ils ouvrirent leurs coffrets, et lui offrirent leurs présents : de l’or, de l’encens et de la myrrhe.

Bible liturgique officielle en français, 2013, http://www.aelf.org/bible-liturgie

domingo, 25 de dezembro de 2016

Or, voici comment fut engendré Jésus Christ

Mt 1:18-25
18 Or, voici comment fut engendré Jésus Christ : Marie, sa mère, avait été accordée en mariage à Joseph ; avant qu’ils aient habité ensemble, elle fut enceinte par l’action de l’Esprit Saint. 19 Joseph, son époux, qui était un homme juste, et ne voulait pas la dénoncer publiquement, décida de la renvoyer en secret. 20 Comme il avait formé ce projet, voici que l’ange du Seigneur lui apparut en songe et lui dit : « Joseph, fils de David, ne crains pas de prendre chez toi Marie, ton épouse, puisque l’enfant qui est engendré en elle vient de l’Esprit Saint ; 21 elle enfantera un fils, et tu lui donneras le nom de Jésus (c’est-à-dire : Le-Seigneur-sauve), car c’est lui qui sauvera son peuple de ses péchés. » 22 Tout cela est arrivé pour que soit accomplie la parole du Seigneur prononcée par le prophète : 23 Voici que la Vierge concevra, et elle enfantera un fils ; on lui donnera le nom d’Emmanuel, qui se traduit : « Dieu-avec-nous » 24 Quand Joseph se réveilla, il fit ce que l’ange du Seigneur lui avait prescrit : il prit chez lui son épouse, 25 mais il ne s’unit pas à elle, jusqu’à ce qu’elle enfante un fils, auquel il donna le nom de Jésus.

Lc 2:1-18
01 En ces jours-là, parut un édit de l’empereur Auguste, ordonnant de recenser toute la terre – 02 ce premier recensement eut lieu lorsque Quirinius était gouverneur de Syrie. – 03 Et tous allaient se faire recenser, chacun dans sa ville d’origine. 04 Joseph, lui aussi, monta de Galilée, depuis la ville de Nazareth, vers la Judée, jusqu’à la ville de David appelée Bethléem. Il était en effet de la maison et de la lignée de David. 05 Il venait se faire recenser avec Marie, qui lui avait été accordée en mariage et qui était enceinte. 06 Or, pendant qu’ils étaient là, le temps où elle devait enfanter fut accompli. 07 Et elle mit au monde son fils premier-né ; elle l’emmaillota et le coucha dans une mangeoire, car il n’y avait pas de place pour eux dans la salle commune. 08 Dans la même région, il y avait des bergers qui vivaient dehors et passaient la nuit dans les champs pour garder leurs troupeaux. 09 L’ange du Seigneur se présenta devant eux, et la gloire du Seigneur les enveloppa de sa lumière. Ils furent saisis d’une grande crainte. 10 Alors l’ange leur dit : « Ne craignez pas, car voici que je vous annonce une bonne nouvelle, qui sera une grande joie pour tout le peuple : 11 Aujourd’hui, dans la ville de David, vous est né un Sauveur qui est le Christ, le Seigneur. 12 Et voici le signe qui vous est donné : vous trouverez un nouveau-né emmailloté et couché dans une mangeoire. » 13 Et soudain, il y eut avec l’ange une troupe céleste innombrable, qui louait Dieu en disant : 14 « Gloire à Dieu au plus haut des cieux, et paix sur la terre aux hommes, qu’Il aime. » 15 Lorsque les anges eurent quitté les bergers pour le ciel, ceux-ci se disaient entre eux : « Allons jusqu’à Bethléem pour voir ce qui est arrivé, l’événement que le Seigneur nous a fait connaître. » 16 Ils se hâtèrent d’y aller, et ils découvrirent Marie et Joseph, avec le nouveau-né couché dans la mangeoire. 17 Après avoir vu, ils racontèrent ce qui leur avait été annoncé au sujet de cet enfant. 18 Et tous ceux qui entendirent s’étonnaient de ce que leur racontaient les bergers.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Zamora, aos 5 dias de Outubro de 1143

Ases de cartas de jogar portuguesas de 1770 representando a Serpe, timbre de Portugal. Ás de ouros (serpe com moeda de ouro), ás de espadas, ás de copas e ás de paus. 
Imagem tirada da Guarda Gozosa.

Na conclusão do encontro entre Dom Afonso Henriques e o seu primo Dom Afonso VII, rei de Leão e Castela, em Zamora, este reconhece aquele como rei (título que, aliás, o mesmo já usava desde 1140) perante o legado do Papa. Conhece-se o evento como Tratado de Zamora, embora talvez nenhum documento tenha chegado a sair desse encontro. A data é 5 de Outubro de 1143. É, para todos os efeitos, uma das datas-chave na história da autodeterminação de Portugal.

Já agora, aqui ficam algumas outras datas-chaves:

24/06/1128, Batalha de São Mamede
25/07/1139, Batalha de Ourique
05/10/1143, "Tratado" de Zamora
23/05/1179, Bula Manifestis probatum
14/08/1385, Batalha de Aljubarrota
01/12/1640, Aclamação de Dom João IV

domingo, 3 de julho de 2016

Livros e Manuscritos de Cozinha em Portugal

"Livro de Cozinha da Infanta Dona Maria". 
Receita de Dom Luís de Moura para os dentes.

1530-1560 Anónimos (pelo menos seis)
Tratado de cozinha portuguesa. [manuscrito]
Conhecido como o "Livro de Cozinha da Infanta Dona Maria." Códice I. E. 33 da Biblioteca Nacional de Nápoles.

1680 Domingos Rodrigues
Arte de cozinha dividida em quatro partes, a primeira trata do modo de cozinhar varios guizados de todo o genero de carnes, e conservas, tortas, empadas, e pasteis. A segunda de peixes, mariscos, frutas, hervaa, ovos, lacticinios, doces, conservas do mesmo genero. A terceira de preparar mezai em todo o tempo do anno, para hospedar principes, e embaixadores. A quarta de fazer pudins, e preparar massas. Cópia digital da edição de 1821 na BNP.
Conhecido como "Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues."

1715 Francisco Borges Henriques
Receitas de milhores doces e de alguns guizados particullares e remedios de conhecida expiriencia que fes Francisco Borges Henriques para uzo da sua caza. No anno de 1715. Tem seo alfabeto no fim. [manuscrito]
Chamado "receituário manuscrito", "manual doméstico" ou "livro de cozinha" de Francisco Borges Henriques. BN Cod. 7376.

1729 Maria Leocádia Monte do Carmo, freira clarissa
Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste convento de Stta. Clara d'Evora. Soror Maria Leocadia Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de 8bro de 1729. [manuscrito]
BN Cod. 10763.

1780 Lucas Rigaud
Cozinheiro moderno, ou nova arte de cozinha, onde se ensina pelo methodo mais facil... / dado a' luz por Lucas Rigaud. Cópias digitais das edições de 1780 e de 1807 na BNP. 

1788 Anónimo
Arte nova, e curiosa, para conserveiros, confeiteiros e copeiros e mais pessoas.
Anunciado na Gazeta de Lisboa em 30 de Dezembro de 1788, supl. 3 de Janeiro de 1789.

18?? Anónimo
"Receitas Culinárias" [manuscrito]
Texto em Inglês. BN Cod. 158.

1836 Anónimo
Receitas de licores e de geleias. [manuscrito]
Textos em Francês e em Português encontrado numa colectânea compilada por Jacob Frederico Torlade Pereira de Azambuja entre 1836 e 1839.

1841 Anónimo [1.º Visconde de Vilarinho de São Romão]
Arte do cozinheiro e do copeiro, compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente, dada à luz por Um Amigo dos Progressos da Civilização.

1870 Paulo Plantier
O Cozinheiro dos Cozinheiros.

1875 O Manual do Conserveiro e Confeiteiro

1876 João da Mata
Arte de Cozinha.

1889 Novíssima Arte de Cozinha

1890 O Manual da Conserveira

1894 O Cozinheiro Indispensável

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

No século XX, os principais livros de cozinha portuguesa teriam sido, talvez, na minha opinião:

1946 Berta Rosa-Limpo e Jorge Brum do Canto
O Livro de Pantagruel (1.ª edição).
Com 1500 receitas.

1981 Maria de Lourdes Modesto
Cozinha Tradicional Portuguesa.

1997 Maria Manuel Limpo Caetano, Berta Rosa-Limpo e Jorge Brum do Canto
O Livro de Pantagruel (49.ª edição).
Com 5000 receitas.

Por fim, é indispensável mencionar a obra de Alfredo Saramago (1938-2008), o maior antropólogo e historiador da gastronomia portuguesa.

Bibliografia sumária para este post:
Livros portugueses de cozinha.
Blog Arpose.