quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Tópicos sobre a Arte Renascentista

O seguinte foi adaptado dos títulos e dos subtítulos do livro "Petite encyclopédie de la Renaissance", Éditions Solar, 2007, que é a tradução francesa do "Grande Atlante del Rinascimento" de Stefano Zuffi.

O Mundo das Cortes 1390-1470
1450-1500 O gótico internacional
1450-1500 Os deveres dos pintores da corte
1342-1477 O modelo borgonhês
1386-1447 Os Visconti em Milão
1401-1418 Florença: as origens do Humanismo
1401-1450 O nascimento da perspectiva
1400-1450 A redescoberta do Mundo Antigo
1380-1427 As viagens de Gentile da Fabriano
1379-1476 A Provença e a influência de Avinhão
1402-1470 A afirmação progressiva de Bruxelas
1370-1490 As cidades da Liga Hanseática
1450-1500 A miniatura
1414-1450 Viagem ao longo do Reno
1450-1500 A Alsácia do gótico tardio
1400-1500 Espanha no século XV
1432-1482 A escola flamenga
1450-1500 Paris e as deslocações da corte da França

O Humanismo 1401-1510
1424-1425 Sobre os andaimes da capela Brancacci
1430-1480 O retrato falante
1426-1432 Jan Van Eyck
1400-1600 A pintura a óleo
1430-1500 O charme de Bruges
1430-1460 Cosme, o Velho, em Florença
1430-1480 Do políptico ao retábulo
1420-1440 Frescos toscanos
1470-1510 Ferrara da "adição hercúlea"
1460-1480 Urbino dos Montefeltro
1432-1468 Rimini heráldica e zodiacal
1440-1460 Pádua
1430-1470 O estúdio de Francesco Squarcione
1430-1485 Monumentos equestres
1450-1500 Imagens de batalha
1420-1492 Piero della Francesca
1400-1500 A "divina proporção" e a "cidade ideal"
1400-1500 A imitação de Cristo
1400-1500 Ouro e terra de Siena
1447-1466 A arte lombarda
1430-1479 Itinerários mediterrânicos de Antonello da Messina
1400-1500 Os embutidos (marchetarias/marqueterias)
1452-1482 Leonardo no estúdio de Verrochio
1450-1503 O Vaticano e o reavivar de Roma
1450-1490 Veneza na alvorada do Renascimento
1442-1490 Os Aragoneses em Nápoles
1460-1506 Na corte dos Gonzaga
1477-1506 Os últimos faustos da Flandres
1450-1500 A Alemanha

Renascença Tardia (Alta Renascença) 1481-1520
1478-1498 A época de Lourenço, o Magnífico
1485-1510 Uma "língua" comum para a arte italiana
1474-1520 A Reconquista e os Reis Católicos
1452-1508 As ambições de Ludovico, o Mouro, Senhor de Milão
1482-1499 Leonardo da Vinci em Milão
circa 1500 Os desenvolvimentos do retrato
1501-1519 A corte de Maximiliano I de Habsburgo
1450-1516 Bosch: pecado e redenção
1480-1530 A idade de ouro de Nuremberga
1490-1520 Humanismo nórdico
1490-1520 Veneza: os teleri das escolas
1500-1520 O tonalismo veneziano
1483-1508 Formação e primeira atividade de Rafael
1475-1505 Miguel Ângelo jovem
1494-1507 Dürer e a Itália
1495-1521 Portugal: o estilo manuelino
1516-1556 A Espanha de Carlos V
1500-1530 Charme e encantamentos pela natureza
1507-1519 Maturidade e velhice de Leonardo
1510-1549 Vénus deitada
1508-1514 As stanze de Rafael
1508-1513 Miguel Ângelo
1508-1520 Rafael em Roma
1507-1528 Dúvidas e grandeza de Dürer
1510-1520 As paixões do jovem Ticiano
1470-1527 Os studioli dos príncipes da Renascença
1505-1598 A corte de Ferrara na época de Ariosto
1520-1540 A extraordinária temporada de Parma

Entre Guerras e Descobertas 1492-1543
1517-1527 Sacrifício e salvação
1517-1542 A Reforma e a arte sacra
1520-1530 A morte de Rafael e o retorno de Miguel Ângelo a Florença
1520-1550 A maneira moderna
1510-1540 A influência de Leonardo
1514-1550 A etiqueta do cortesão
1500-1540 Os italianistas do Norte
1524-1546 Giulio Romano e a nova Mântua
1509-1547 Henrique VIII, um monarca fora da norma
1520-1550 Os "châteaux de la Loire"
1515-1547 A corte de Francisco I
1512-1543 Mestres inquietos da Renascença paduana
1520-1550 Realismo e devoção na Lombardia
1534-1549 A época de Paulo III Farnese
1500-1600 A anatomia revelada
1531-1555 Ticiano e a corte de Espanha

Maneirismo e Contra-Reforma 1543-1606
1530-1580 A escola de Fontainebleau
1539-1560 O classicismo desembarca na lagoa
1500-1576 O crescimento de Antuérpia
1526-1569 Ironia e desencanto
1528-1560 Génova no tempo de Andrea Doria
1545-1564 Os últimos anos de Miguel Ângelo
1539-1587 Florença dos grãos-duques
1550-1600 O jardim "à italiana"
1542-1570 A civilização das ville venezianas
1554-1580 Palladio em Veneza
1570-1576 O final de Ticiano
1560-1590 O estilo dos jesuítas
1556-1598 A Espanha de Filipe II
1541-1614 Domenikos Theotokopoulos torna-se "El Greco"
1550-1600 O teatro
1576-1590 A Sereníssima: declínio da Renascença
1563-1590 As instruções para a arte sacra de Carlos Borromeu
1550-1600 A cena de género e a natureza morta
1550-1610 Da sensualidade ao erotismo
1550-1610 O nascimento da paisagem
1550-1600 Os Países Baixos e sua luta pela independência
1583-1618 Rudolfo II e a corte de Praga
1588-1603 A Inglaterra de Isabel I
1550-1600 Wunderkammern e colecionismo
1560-1592 Os Carracci e o natural
1585-1590 A Roma renovada de Sixto V
1571-1610 Caravaggio em Roma


Artistas Importantes na Europa do Século XVI:
1450-1516 Hieronymus/Jheronimus Bosch [Jeroen van Aken] (es "El Bosco")
1460-1529 Peter Vischer
1460-1531 Tilman Riemenschneider
1466-1530 Quentin Metsys
1471-1528 Albrecht Dürer
1472-1517 Fra Bartolomeo di Paolo del Fattorino [Baccio della Porta]
1473-1531 Hans Burgkmair
1473-1553 Lucas Cranach, o Velho
1475-1546 Gaudenzio Ferrari
1475-1554 Sebastiano Serlio
1475-1564 Miguel Ângelo [Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni] (fr Michel-Ange, es Miguel Ángel, la Michael Angelus)
1478-1510 "Giorgione", Giorgio/Zorzi Barbarelli da Castelfranco
1478-1532 "Mabuse", Jan Gossaert
1480-1528 Matthias Grünewald
1480-1538 Albrecht Altdorfer
1480-1548 Giovan Gerolamo Savoldo
1480-1557 Lorenzo Lotto
1483-1520 Rafael [Raffaello Sanzio] (en Raphael, fr Raphaël, nl Rafaël, de Raffael)
1484-1545 Hans Baldung Grien
1485-1524 Joachim Petenier
1485-1540 Joos Van Cleve [Joos van der Beke]
1485-1540 Jean Clouet
1485-1547 Sebastiano del Piombo
1486-1517 Hermann Vischer
1486-1531 Andrea del Sarto [Andrea d'Agnolo]
1486-1542 Dosso Dossi [Giovanni di Niccolò Luteri]
1486-1561 Alonso González Berruguete
1486-1570 Jacopo Sansovino [Jacopo Tatti]
1488-1576 Tiziano Vecellio (pt/es "Ticiano", cat "Ticià", fr "Titien", en "Titian", de "Tizian", nl "Titiaan", la "Titianus")
1489-1533 Lucas Hugenszoon van Leyden
1489-1534 "Il Correggio" (fr "Le Corrège"), Antonio Allegri da Correggio
1490-1561 Jean Cousin, o Pai
1494-1557 "Il Pontormo" (fr "Le Pontormo"), Jacopo Carrucci
1499-1546 Giulio Romano (fr Jules Romain) [Giulio Pippi de Giannuzzi]
1495-1540 Rosso Fiorentino [Giovan Battista di Jacopo]
1495-1562 Jan Van Scorel
1497-1543 Hans Holbein, o Jovem
1498-1574 Maerten Van Heemskerck
1500-1567 Ligier Richier
1500-1571 Benvenuto Cellini
1503-1540 "Il Parmigianino" (fr "Le Parmesan"), Girolamo Francesco Maria Mazzola
1503-1572 "Il Bronzino", Agnolo Bronzino [Agnolo di Cosimo di Mariano]
1504-1570 Francesco Primaticcio (fr "Le Primatice")
1507-1575 Pieter Aertsen
1508-1580 Andrea Palladio [Andrea di Pietro della Gondola]
1510-1572 François Clouet
1510-1586 Luis de Morales
1510-1592 Jacopo Bassano [Jacopo da Ponte]
1519-1570 Frans Floris [Frans de Vriendt]
1519-1594 "Il Tintoretto" (fr "Le Tintoret"), Jacopo Robusti [Jacopo Comin]
1520-1576 Antoon/Anthonis Mor van Darshorst (pt António Mouro, es/it Antonio Moro, en Anthony More)
1521-1599 Antoine Caron
1525-1569 Pieter Bruegel, o Velho
1527-1593 Giuseppe Arcimboldo
1528-1588 Paolo Veronese [Paolo Caliari] (fr "Véronèse")
1529-1590 Germain Pilon
1529-1608 "Giambologna", Jehan de Boulogne
1535-1612 Federico Barocci [Federico Fiori] (fr "Le Baroche")
1541-1614 "El Greco", Domenikos Theotokopoulos [Δομήνικος Θεοτοκόπουλος]
1546-1611 Bartholomeus Spranger
1547-1619 Nicholas Hilliard
1560-1609 Annibale Carracci (fr Annibal Carrache)
1560-1626 Adriaen De Vries
1564-1609 Joseph Heintz


ITÁLIA
Românico
Pré-Renascimento--1390-1410
Renascimento-------1420-1510
Alto Renascimento-1481-1520
Maneirismo---------1520-1590
Barroco--------------1590-1720
Rococó-------------

FRANÇA
Românico
Gótico
Renascimento--1490-
Maneirismo-----1550-1620
Classicismo-----1620-1700
Barroco----------1650-1750
Rocaille----------1730-1760
Rococó-----------1750-
Neoclassicismo-1760-

ESPANHA E ULTRAMAR
Românico
Gótico
Plateresco
Renascimento-
Maneirismo-----1550-1620
Barroco----------1620-1750
Rococó-----------1750-
Neoclassicismo-

PORTUGAL E ULTRAMAR
Românico
Gótico
Manuelino------1490-1570
Renascimento--1530-1540
Maneirismo----1540-1660
Barroco---------1680-1760
Rococó---------
Neoclassicismo-1790...

PAÍSES BAIXOS E BORGONHA
Românico
Gótico
Renascimento--
Maneirismo-----
Barroco----------
Neoclassicismo-

INGLATERRA, ESCÓCIA E IRLANDA
Românico
Gótico
Tudor----------------
Renascimento------1600-
Paladianismo-------1610-1660
Barroco-------------1660-1720
Neopaladianismo--1720-1770
Neoclassicismo----1770...

SACRO-IMPÉRIO E TERRAS GERMÂNICAS
Românico
Gótico
Renascimento--
Maneirismo-----
Barroco----------
Neoclassicismo-

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Dilbert, precise and accurate.








A tira diária Dilbert é da autoria de Scott Adams.

domingo, 9 de agosto de 2015

Arquitetura em Portugal entre o Gótico e o Barroco

Tenho estado a ler qualquer coisa sobre História da Arte e experimento alguma dificuldade em compreender os estilos artísticos dos séculos XVI e XVII em Portugal. Parece-me que a cronologia dos estilos não corresponde em nada àquela que se pode encontrar quando se lê sobre o Renascimento Italiano, ou sobre o Maneirismo, um estilo largamente descrito como internacional mas sem que os autores se dignem a explicar porquê... As coisas complicam-se ainda mais pela existência de um estilo exclusivamente português, o Manuelino, que só se costuma aplicar à Arquitectura, e que é substâncialmente diferente tanto do estilo renascentista italiano, como dos góticos [inter]nacionais...

Então decidi coligir uma lista de obras arquitectónicas pertencentes a estes três estilos em Portugal, como referência e para consulta futura. A atribuição das obras a um estilo definitivo nem sempre é consensual, portanto esta lista é o meu consensus, se tal me é permitido no meu blog pessoal (não tem valor académico). As fontes (que não vou listar) são vastas e vão desde simples páginas em linha até artigos científicos, passando pelo excelente site http://www.monumentos.pt/ e por grandes calhamaços de divulgação. No fim, uma lista de arquitectos e escultores que trabalharam no território português no século XVI.

Manuelino (estilo gótico manuelino ou gótico nacional português)
1390-1540 Sé Catedral da Guarda
1490-1510 Mosteiro de Jesus, Setúbal
1499-1533 Sala do Capítulo do Convento de Cristo, Tomar
1501-1528 Arcadas do Claustro Real do Mosteiro da Batalha
1501-1563 Mosteiro dos Jerónimos (igreja, sacristia), Lisboa*
1502-1520 Galeria das Damas, Palácio Dom Manuel, Évora*
1514-1520 Torre de Belém, Lisboa
1514-1538 Convento do Bom Jesus de Valverde, Évora*
1517-1522 Capela da Universidade de Coimbra*
1518-1533 Portal e Entrada das Capelas Imperfeitas, Batalha*
1522-1526 Portal do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra
1523-1523 Casa dos Bicos (portais), Lisboa*

Janela do claustro manuelino escondido por detrás do claustro maneirista. 
Convento de Cristo de Tomar. Foto de Hugo Carriço.

Renascentista (estilo renascentista italiano ou clássico "à antiga")
1513-15?? Jardim e Casas Pintadas, Évora
1517-1541 Mosteiro dos Jerónimos (claustro), Lisboa*
1523-1523 Casa dos Bicos (fachada), Lisboa*
1525-1556 Galeria das Damas, Palácio Dom Manuel, Évora*
1528-1554 Quinta da Bacalhoa, Azeitão
1528-1528 Claustro da Manga, Coimbra
1530-1540 Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra
1531-1537 Aqueduto da Água de Prata, Évora
1533 Loggia (varanda) das Capelas Imperfeitas, Batalha
1535-1573 Ermida de Nossa Senhora da Conceição, Tomar
1537-1540 Igreja da Graça, Évora
1538-1545 Capela e Claustro da Mitra, Convento de Valverde, Évora*
1554-1583 Capela das Onze Mil Virgens, Alcácer do Sal
1558-1562 Portais da Igreja da Misericórdia de Braga
1565-1586 Igreja de São Roque (estrutura e exterior), Lisboa
1583-1635 Fachada Principal do Paço Ducal de Vila Viçosa

Interior da Ermida de Nossa Senhora da Conceição, Tomar. Imagem recortada da página do fotógrafo Sotero Ferreira, onde se pode ver todo o interior em panorâmica. 

Maneirista (estilo renascentista final ou "à maneira italiana")
1528 Portal da Igreja de Atalaia, Vila Nova da Barquinha
1529-1548 Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes
1544~1702 Edifícios dos Colégios Universitários, Coimbra
1550-1609 Sés Catedrais de Leiria, Miranda e Portalegre
1554-1564 Convento de Cristo (clautro de Dom João III), Tomar
1557-1563 Igreja de Santo Antão, Évora
1562-1619 Sé Catedral de Goa, Velha Goa
1565-1656 Azulejos da Quinta da Bacalhoa, Azeitão
1571-1601 Mosteiro dos Jerónimos (capela-mor nova etc), Lisboa*
1572-1657 Ampliações de fortificações militares
1575-1596 Igreja da Luz em Carnide, Lisboa
1580-1759 Igrejas e Colégios da Companhia de Jesus
1582-15?? Igreja do Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa
1585-1594 Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo
1605-1613 Altar e Azulejos da Capela da Universidade de Coimbra*
1610-1622 Parte terminal do Aqueduto da Amoreira, Elvas
1660-1678 Palácio e Jardins dos Marqueses de Fronteira, Lisboa

Fonte com embrechados nos Jardins do Palácio Fronteira, Lisboa. Foto de Franck Ripert.

*obras que são uma mistura dos três estilos.

O Barroco em Portugal só existe mesmo no século XVIII, com pouca expressão no século anterior (a Igreja da Divina Providência em Lisboa, segundo planos de Guarini dos anos 1650, parece que nunca chegou a ser construída; a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa começou a ser construída em 1682, mas só foi acabada em 1966...), mas a convivência de estilos clássicos ou classicisantes com o estilo barroco ocorreu ao longo de todo o século XVII fora de Itália (por exemplo, na França de Luís XIV, cf. Vaux-le-Vicomte vs. colunata do Louvre).

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Arquitectos em Portugal no Século XVI
14??-1512 Olivier de Gand
14??-1515 Mateus Fernandes
14??-1519 Jean d'Ypres
14??-1521 Marcos Pires
1460-1527 Diogo Boitaca [Jacques Boytac]
14??-1531 Diogo de Arruda
14??-1547 Francisco de Arruda
1470-1551 Nicolau Chanterene [Nicolas de Chantereyne]
1470-1552 João de Castilho [Juan de Castillo]
1???-1563 Miguel de Arruda
1500-1566 Diogo de Torralva
14??-1574 Diogo de Castilho [Diego de Castillo]
1500-1580 João de Ruão [Jean de Rouen]
15??-1580 Afonso Álvares
1517-1585 Francisco d'Olanda
1520-1590 António Rodrigues
1520-1597 Filipe Tércio [Filippo Terzi]
1560-1630 Baltasar Álvares

sábado, 8 de agosto de 2015

Citações Intelectuais

"Il n'y avait pas à attirer le désir. Il était dans celle qui le provoquait ou il n'existait pas. Il était déjà là dès le premier regard ou bien il n'avait jamais existé. Il était l'intelligence immédiate du rapport de sexualité ou bien il n'était rien."
- Marguerite Duras, in L'Amant, 1984, p. 28.

"(...) mankind, so incomparably better known than any other animal."
- Charles Darwin, in On the Origin of Species, 1859 (1st ed.), p. 67.

"One of the essential lessons, as well as the pleasures, of the study of history is that the past is always changing -- its profile shifts and new features are thrown into relief as the light of each different present catches it."
- David Cottington, in Modern Art: A Very Short Introduction, p. 98.

"Não me interessa ter razão, não tenho apetência para esse tipo de poder, de marcar uma posição, dar um murro na mesa. Se entro numa discussão é à maneira chinesa, simplesmente para sugerir que pode haver outra maneira de olhar para as coisas."
- Mia Couto em entrevista à RA-Rede Angola, 30 de Junho de 2014.

"(...) mas apesar disso lá tinha calcanhar o nosso Aquiles. Era homem como os outros, outros Aquiles andam por aí que são da cabeça aos pés um imenso calcanhar."
- Machado de Assis, in Contos Fluminenses "1. Miss Dolar", p. 7.

"(...) nem só os cegos precisam de bengala (...) um homem não vai menos perdido por caminhar em linha recta."
- José Saramago, in O Ano da Morte de Ricardo Reis, p. 75 (Col. Mil Folhas).

Imagem de autor e local desconhecidos.

"Your function is to establish the fact and reveal its mechanism; you can't obligate it merely by inventing unlikely corollaries."
- Rex Stout, in  Some Buried Caesar, p. 28. Words of Nero Wolfe.

"Since only simply structured explanations can be successfully transfered to students, you are forced to distill your work into a small number of dimensions. The pay off is that not only the students understand what you are doing, but, at last, you do too! If you are not teaching and only present your work to specialists, you can get by with explanations that are a vast tangle of multidimensional jargon and you never really understand what is going on in your work."
- Patrick Cavanagh, in Current Biology 24(7): R260-R262, 2014, Q&A.

"For my part, I have found that when I wish to write a book on some subject, I must first soak myself in detail, until all the separate parts of the subject-matter are familiar; then, some day, if I am fortunate, I perceive the whole, with all its parts duly interrelated. After that, I only have to write down what I have seen."
- Bertrand Russell, in A History of Western Philosophy, 1945, p. 145.

"An orderly, upright man with a well-ordered erudition and a gift for communication is more suitable to become a professor that a scholarly monster who labours only for himself and the world or who does little for his students, or a genius who has offensive morals and who does not think it worth the labour to employ diligence on lectures for his students, or a rhapsodic polymath who strews everything together without any connection and has no proper method of instruction."
- L. H. Jacob, 1798 [in W. Ruëgg, A History of the University in Europe, Vol. II, p. 214].

"Nothing I have ever done is of the slightest practical use."
- G. H. Hardy, FRS, mathematician, Copley Medal, etc.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ana Hatherly (1929-2015)

"É preciso compreender", texto visual n.º 9, in "A reinvenção da leitura: breve ensaio crítico seguido de 19 textos visuais", 
Editorial Futura, Lisboa, 1975, p. 38.

domingo, 2 de agosto de 2015

Listas Várias de Várias Coisas

Os Doze Apóstolos:
Simão Pedro
João Evangelista
Tiago Maior
Tiago Menor
Bartolomeu
Filipe
André
Simão Alfei
Judas Tadeu
Judas Iscariotes
Mateus Evangelista
Tomé
[Matias]
[Paulo]

As Três Virtudes Teologais:
Fé (fides)
Esperança (spes)
Caridade (caritas)

As Quatro Virtudes Cardeais:
Fortaleza (fortitudo)
Justiça (iustitia)
Temperança (temperantia)
Prudência (prudentia)

As Cinco Virtudes Intelectuais:
Razão (nous)
Ciência (episteme)
Sabedoria (sophia)
Prudência (phronesis)
Arte (techne)

As Sete Artes Liberais:
Gramática (trivii)
Rètórica (trivii)
Dialética (trivii
Aritmética (quadrivii)
Geometria (quadrivii)
Astronomia (quadrivii)
Música (quadrivii)
[Filosofia Moral]
[Filosofia Natural]

Os Quatro Humores:
Sangue
Fleuma
Bílis Amarela
Bílis Negra

As Nove Musas:
Calíope, musa da Eloquência
Clio, musa da História
Euterpe, musa da Música
Érato, musa da Poesia
Melpómene, musa da Tragédia
Polímnia, musa da Liturgia
Terpsicore, musa da Dança
Tália, musa da Comédia
Urânia, musa da Astronomia

Os Doze Deuses Olímpicos
Zeus > Júpiter
Hera > Juno
Possídon/Possídão > Neptuno
Deméter > Ceres
Atena > Minerva
Apolo > Apolo ou Febo ou Hélio
Artémis/Ártemis/Artemísia > Diana
Ares > Marte
Afrodite > Vénus
Hefesto > Vulcano
Hermes > Mercúrio
Héstia > Vesta
[Dioniso > Baco]
[Hades > Plutão]

A Numeração das Artes Modernas:
1.ª Música (som)
2.ª Dança e coreografia (movimento)
3.ª Pintura (cor)
4.ª Escultura e arquitectura (volume)
5.ª Teatro e mímica (representação)
6.ª Literatura (palavra)
7.ª Cinema (soma de todas as outras)
8.ª Fotografia (imagem)
9.ª Banda desenhada (cor, palavra, imagem)
10.ª Jogos de vídeo
11.ª Arte digital
[Modelismo]
[Televisão]
[Poesia]
[Culinária]

quinta-feira, 30 de julho de 2015

C'est beau l'amour, M'sieur !


Eu caminhava pelo passeio. Do meu lado esquerdo, grandes árvores com folhas novas estavam plantadas a distâncias regulares, separando o estacionamento dos automobilistas do passeio dos pedestres. Era Domingo, não havia ali gente a caminhar para além de mim.

Mas havia gente. No espaço por onde eu teria de passar estavam um miúdo e uma miúda tentando abraçar-se, beijando-se mal, muito adolescentes. Eram um casal muito recentemente casal, coisa de minutos, e era a primeira vez que qualquer um dos dois se via casal.

Como eles estavam mesmo no meio do passeio, eu desviei o rumo, e é então que vejo atrás de uma árvore um outro miúdo (o amigo em comum que certamente potenciou aquele encontro). Eu devia ir a sorrir porque este miúdo olhou para mim e disse: "C'est beau l'amour, M'sieur." Eu assenti e o casal de amoureux separou-se, muito corados, mas sorrindo muito.

C'est beau l'amour !