sábado, 11 de abril de 2015

PHD Comics are pretty accurate!


http://www.phdcomics.com/comics.php Copyrighted by Jorge Cham

domingo, 1 de março de 2015

Prémios Científicos em Biologia

Este é um pequeno post com exemplos de prémios atribuídas em Biologia, mas apenas aqueles em áreas mais clássicas (Zoologia, Botânica, etc.) e os de Genética e Biologia Evolutiva. Deixo de parte todas aquelas áreas hoje bem estabelecidas na Biologia mas que implicam a destruição da Vida para ver o que está lá dentro (áreas bioquímicas, biologia molecular, omics e do campo da saúde)... Abstenho-me também de mencionar o Prémio Nobel da Fisiologia, que é sobejamente afamado (ainda que nem sequer seja o de maior valor pecuniário). Igualmente excluo todos os prémios que gratificam conexões entre as Ciências Biológicas e as Ciências Sociais e Humanas, ou que tentam gratificar aplicações científicas a questões sociais ou de sociedade. Escolhi contemplar apenas os prémios que possam ser atribuídos a qualquer pessoa de qualquer nacionalidade ou, pelo menos, a um grupo vasto e aberto de pessoas (isto é, não incluí aqueles que só são atribuídos a membros de sociedades, ou das universidades especificadas, ou a ex-alunos de uma dada escola, etc.).


GRANDES ÁREAS

Medalha Copley, anverso e reverso
Medalha Copley Copley Medal
Atribuída pela Real Sociedade (The Royal Society), Reino Unido, por realizações notáveis na investigação em qualquer ramo da Ciência, anualmente desde 1731. Actualmente é atribuída quer a um cientista físico (anos ímpares) quer a um cientista biológico (anos pares) alternadamente. [1]

Medalha Lineana, exemplar atribuído a Wallace em 1892
Medalha Lineana The Linnean Medal
Atribuída pela Sociedade Lineana de Londres (The Linnean Society of London), Reino Unido, a um biólogo por serviços à Ciência, anualmente desde 1888. [2]

Ambos os lados da medalha DW de ouro de 1908 (actualmente a medalha é de prata)
Medalha Darwin-Wallace The Darwin-Wallace Medal
Atribuída pela Sociedade Lineana de Londres (The Linnean Society of London), Reino Unido, a pessoas que tenham feito avanços maiores em Biologia Evolutiva, anualmente desde 2010. Tinha sido criada para comemorar o quinquagésimo, o centésimo e o centésimo quinquagésimo aniversários da apresentação do artigo de co-autoria de Darwin e Wallace em 1858 (e portanto atribuído três vezes antes de 2010). [3]

Medalha John C. Marsden The John C. Marsden Medal
Atribuída pela Sociedade Lineana de Londres (The Linnean Society of London), Reino Unido, à melhor tese doutoral em Biologia defendida num único ano lectivo (de Outubro a Setembro), anualmente desde 2012. Está aberta a todos os doutorandos cuja investigação tenha sido levada a cabo enquanto estiveram matriculados numa instituição qualquer do Reino Unido. [4]

Prémio Irene Manton Irene Manton Prize
Atribuída pela Sociedade Lineana de Londres (The Linnean Society of London), Reino Unido, à melhor tese doutoral em Botânica defendida num único ano lectivo (de Outubro a Setembro), anualmente desde 1990. Está aberta a todos os doutorandos cuja investigação em qualquer ramo das Ciências Vegetais tenha sido levada a cabo enquanto estiveram matriculados numa instituição qualquer do Reino Unido. [5]

Prémio Cientista da Vida em Início de Carreira Early Career Life Scientist Award
Atribuída pela Sociedade Americana para a Biologia Celular (American Society for Cell Biology), Estados Unidos, a um cientista notável que tenha defendido a tese doutoral há não mais de 12 anos, e que seja investigador independente há não mais de 7 anos, anualmente desde 1999. [6]

Prémio John Maynard Smith John Maynard Smith Prize
Atribuído pela Sociedade Europeia para a Biologia Evolutiva (European Society for Evolutionary Biology), sedeada nos Países Baixos, a um notável jovem biólogo evolutivo, de dois em dois anos desde 1997. [7]

Medalha do Bicentenário The Bicentenary Medal
Atribuída pela Sociedade Lineana de Londres (The Linnean Society of London), Reino Unido, a um biólogo de idade inferior a 40 anos em reconhecimento por excelente trabalho, anualmente desde 1978. [8]

Medalha Thomas Hunt Morgan Thomas Hunt Morgan Medal
Atribuída pela Sociedade de Genética da América (Genetics Society of America), Estados Unidos, por contribuições durante toda a vida ao campo da Genética, anualmente desde 1981. [9]

Prémio Edward Novitski Edward Novitski Prize
Atribuído pela Sociedade de Genética da América (Genetics Society of America), Estados Unidos, em reconhecimento de um nível extraordinário de criatividade e engenho intelectual na solução de problemas significativos na investigação Genética, anualmente desde 2008. [10]

Medalha Waddington Waddington Medal
Atribuída pela Sociedade Britânica para a Biologia do Desenvolvimento (British Society for Developmental Biology), Reino Unido, por conduta de investigação notável e também por serviços à comunidade da Biologia do Desenvolvimento, anualmente desde 1998. [11]

Prémio Internacional para a Biologia 国際生物学賞
Atribuído pela Sociedade do Japão para a Promoção da Ciência (日本学術振興会), Japão, por uma notável contribuição ao avanço da investigação em Biologia Fundamental, anualmente desde 1985. [12]

Prémio Robert H. MacArthur Robert H. MacArthur Award
Atribuído pela Sociedade Ecológica da América (Ecological Society of America), Estados Unidos, a um ecólogo estabelecido que esteja a meio da carreira por contribuições meritórias à Ecologia, na expectativa de continuação de investigação ecológica notável, de dois em dois anos desde 1983. [13]

Prémio Sewall Wright Sewall Wright Award
Atribuído pela Sociedade Americana de Naturalistas (American Society of Naturalists), Estados Unidos, a um investigador activo de nível superior que faça contribuições fundamentais para a unificação conceptual das Ciências Biológicas, anualmente desde 1992. [14]

Prémio Stamford Raffles Stamford Raffles Award
Atribuído pela Sociedade Zoológica de Londres (Zoological Society of London), Reino Unido, por distintas contribuições à Zoologia, aberto a zoólogos amadores ou zoólogos profissionais com contribuições fora da sua área de profissionalização ou especialidade, anualmente desde 1961. [15]

Prémio Indianápolis Indianapolis Prize
Atribuído pelo Zoo de Indianápolis (Indianapolis Zoo), Estados Unidos, por contribuições extraordinárias aos esforços de Conservação que afectem uma ou mais espécies animais, de dois em dois anos desde 2006. [16]

Prémio Kempe para Ecólogos Distintos Kempe Award for Distinguished Ecologists
Atribuído em cooperação pelas Fundações Kempe, pela Universidade de Umeå e pela Universidade Sueca de Ciências Agronómicas (Kempestiftelserna, Umeå Universitet, Sveriges Lantbruksuniversitet), a indivíduos notáveis dentro da ciência da Ecologia, de dois em dois anos desde 1994. [17]

Prémio ECI ECI Prize
Atribuído pelo Instituto Internacional de Ecologia e pela Fundação Otto Kinne (International Ecology Institute, Otto Kinne Foundation), Alemanha, a um ecólogo que se distinga por notáveis e sustentadas realizações científicas, anualmente desde 1986. [18]

Prémio de Ecologia Marsh Marsh Ecology Award
Atribuído em cooperação pelo Fundo Cristão Marsh e pela Sociedade Ecológica Britânica (Marsh Christian Trust, British Ecological Society), Reino Unido, a uma descoberta ou um desenvolvimento notável e recente que tenha tido um impacto significativo no desenvolvimento da ciência da Ecologia ou sua aplicação, anualmente desde 1996. [19]

Prémio Pearl Meister Greengard Pearl Meister Greengard Prize
Atribuído pela Universidade Rockefeller (Rockefeller University), Estados Unidos. a uma mulher cientista em Biologia, anualmente desde 2004. [20]

Prémio Excelência em Ciência da FASEB FASEB Excellence in Science Award
Atribuído pela Federação de Sociedades Americanas para a Biologia Experimental (Federation of American Societies for Experimental Biology - FASEB), Estados Unidos, a mulheres com realizações notáveis nas Ciências Biológicas, anualmente desde 1989. [21]

Prémio Pfizer da Real Sociedade Royal Society Pfizer Award
Atribuído pela Real Sociedade (The Royal Society), Reino Unido, a investigadores em início de carreira e sedeados em África que tenham feito contribuições inovadoras para as Ciências Biológicas em África, anualmente desde 2006. [22]


ÁREAS DE BIOLOGIA CLÁSSICA (HISTÓRIA NATURAL)

Medalha Romer-Simpson Romer-Simpson Medal
Atribuído pela Sociedade de Paleontologia Vertebrada (Society of Vertebrate Paleontology), Estados Unidos, por excelência académica sustentada e notável, e por serviço à disciplina de Paleontologia Vertebrada, anualmente desde 1987. [23]

Medalha Acharius Acharius Medal
Atribuída pela Associação Internacional para a Liquenologia (International Association for Lichenology), sedeada na Alemanha, por realizações ao longo da vida em Liquenologia, de dois em dois anos desde 1992. [24]

Medalha John Hobbs John Hobbs Medal
Atribuída pela Real União Australasiática de Ornitologistas (Royal Australasian Ornithologists Union), Austrália, a um cientista amador por contribuições notáveis à Ornitologia, anualmente desde 1995. [25]

Prémio de Investigação Loye e Alden Miller Loye and Alden Miller Research Award
Atribuído pela Sociedade Ornitológica Cooper (Cooper Ornithological Society), Estados Unidos, para reconhecer realizações ao longo da vida em investigação ornitológica, anualmente desde 1993. [26]

Prémio C. W. Woodworth C. W. Woodworth Award
Atribuído pela Sociedade Entomológica da América (Entomological Society of America), Estados Unidos, por uma realização em Entomologia na região do Pacífico dos Estados Unidos nos 10 anos anteriores, anualmente desde 1969. [27]

Medalha Gilbert Morgan Smith Gilbert Morgan Smith Medal
Atribuído pela Academia Nacional das Ciências (National Academy of Sciences), Estados Unidos, em reconhecimento da excelência por investigação publicada sobre algas marinhas ou de água doce, de três em três anos desde 1979. [28]

Palestra Memorial de Larry Sandler Larry Sandler Memorial Lecture
Atribuído pela Sociedade de Genética da América (Genetics Society of America), Estados Unidos, à melhor dissertação do ano precedente com investigação sobre Drosophila, anualmente desde 1988. [29]

Medalha John Spedan Lewis The John Spedan Lewis Medal
Atribuída pela Fundação John Spedan Lewis (John Spedan Lewis Foundation), Reino Unido, a um indivíduo que faça contribuições significativas e inovadoras à Conservação, particularmente à Ornitologia, Entomologia ou Horticultura no Reino Unido, anualmente. [30]


Referências:
[1] https://royalsociety.org/awards/copley-medal/
[2] http://www.linnean.org/The-Society/awards_and_grants/Medals+and+Prizes
[3] http://www.linnean.org/The-Society/awards_and_grants/Medals+and+Prizes
[4] http://www.linnean.org/The-Society/awards_and_grants/Medals+and+Prizes
[5] http://www.linnean.org/The-Society/awards_and_grants/Medals+and+Prizes
[6] http://en.wikipedia.org/wiki/Early_Career_Life_Scientist_Award; http://ascb.org/early-career-life-scientist-award/
[7] http://www.eseb.org/
[8] http://www.linnean.org/The-Society/awards_and_grants/Medals+and+Prizes; http://en.wikipedia.org/wiki/Bicentenary_Medal_of_the_Linnean_Society
[9] http://www.genetics-gsa.org/awards/thomashuntaward.shtml
[10] http://www.genetics-gsa.org/awards/novitskiaward.shtml; http://www.genetics-gsa.org/awards/pastawards.shtml
[11] http://bsdb.org/awards/the-waddington-medal/
[12] http://www.jsps.go.jp/j-biol/
[13] http://esa.org/history/robert-h-macarthur-award/
[14] http://en.wikipedia.org/wiki/Sewall_Wright_Award
[15] http://www.zsl.org/science/zsl-science-and-conservation-awards
[16] http://www.indianapolisprize.org/sites/prize/sitepages/home.aspx
[17] http://en.wikipedia.org/wiki/Kempe_Award_for_Distinguished_Ecologists
[18] http://www.int-res.com/ecology-institute/eci-home/; http://www.int-res.com/ecology-institute/okf/
[19] http://www.britishecologicalsociety.org/grants-awards/honours_awards_prizes/marsh-award-for-ecology/
[20] http://greengardprize.rockefeller.edu/
[21] http://www.faseb.org/About-FASEB/Awards/Excellence-in-Science-Award.aspx
[22] https://royalsociety.org/awards/pfizer-award/
[23] http://vertpaleo.org/Awards/Award-(7).aspx
[24] http://www.lichenology.org/
[25] http://www.birdlife.org.au/who-we-are/our-organisation/awards-scholarships; http://en.wikipedia.org/wiki/John_Hobbs_Medal
[26] http://en.wikipedia.org/wiki/Loye_and_Alden_Miller_Research_Award
[27] http://en.wikipedia.org/wiki/C._W._Woodworth_Award
[28] http://www.nasonline.org/about-nas/awards/gilbert-morgan-smith-medal.html
[29] http://www.genetics-gsa.org/drosophila/2014/pages/awards.shtml
[30] http://www.linnean.org/The-Society/awards_and_grants/Medals+and+Prizes


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


P.S. Afinal decidi incluir aqui a posteriori alguns prémios internacionais que eu considero importantes nas áreas que eu disse que não iria incluir nesta lista.


ÁREAS INFRA-CELULARES E MOLECULARES (BIOQUÍMICAS)

Grande Prémio Charles-Léopold Mayer Grand Prix Charles-Léopold Mayer
Atribuída pela Academia das Ciências do Instituto de França (Académie des Sciences de l'Insitut de France), França, a investigadores que tenham aprofundado a compreensão em Biologia Celular e Molecular, e em Genómica, anualmente desde 1961. [a]

Medalha E. B. Wilson E. B. Wilson Medal
Atribuída pela Sociedade Americana para a Biologia Celular (American Society for Cell Biology), Estados Unidos, por contribuições significativas e de longo alcance à Biologia Celular durante o decurso de uma carreira, anualmente desde 1981. [b]


ÁREAS COMPUTACIONAIS E MATEMÁTICAS (ESTATÍSTICAS)

Medalha Rohlf The Rohlf Medal
Atribuída pelos amigos e pela família de F. James Rohlf (the friends and family of F. James Rohlf), em reconhecimento pela excelência no desenvolvimento de novos métodos morfométricos multivariados ou sua aplicação em Biologia Evolutiva, Biologia das Populações, Antropologia Física ou Medicina, de dois em dois anos desde 2011. [c]


Existem também prémios para a divulgação da Ciência, para a ilustração científica e para biólogos amadores, como por exemplo (respectivamente), The Linnean Tercentenary MedalThe Jill Smythies Award ou The H H Bloomer Award [d]. Qualquer sociedade académica tem hoje um leque variado de prémios para atribuir.


Referências:
[a] http://www.academie-sciences.fr/activite/prix/gp_mayer.htm
[b] http://ascb.org/eb-wilson-medal/
[c] http://life.bio.sunysb.edu/ee/rohlf_medal/
[d] http://www.linnean.org/The-Society/awards_and_grants/Medals+and+Prizes

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Outros Colégios Universitários - França

Num post anterior (este aqui, muito anterior...) listei os colégios da antiga Universidade de Paris; agora listo os colégios de outras universidades que no ano de 1793 se localizavam em território francês. Genèricamente, pode-se dizer que o colégio universitário na França cingiu-se muito às funções de alojamento e ensino médio [1], ao contrário do que aconteceu na Inglaterra, onde os colégios assumiram em pleno as funções lectivas das universidades a partir da Reforma anglicana, em adição às funções de alojamento e ensino médio [2]. (Na Península Ibérica os colégios quase nem ofereciam o ensino médio, servindo só para alojamento caritativo de escolares pobres [3].) Vou listar por ordem cronológica da criação das universidades francesas e, dentro de cada uma, pela ordem cronológica da criação dos colégios, lembrando que em 1764 todos os colégios jesuítas franceses foram suprimidos e que em 1793 todas as 23 universidades da 1.ª República Francesa foram extintas, levando atrás os respectivos colégios [4]. Salto a da Córsega, que foi criada em 1765 só para ser suprimida em 1768 [5].

1181-1793 Université de Montpellier [6]
1263 Collège Valmagne
1360 Collège de Brescia ou de Pézenas (10 clercs pauvres)
1364 Collège de Saint-Ruf (18 étudiants Chanoines Réguliers)
1368 Collège de Saint-Benoît et Saint-Germain
1369 Collège de Mende ou des Douze-Médecins
1421 Collège de Michael Boel (prévu, pas exécuté)
1460 Collège de Gironne ou d'Aragon ou du Vergier
Collège-couvent des Franciscains
Collège-couvent des Dominicains
Collège-couvent des Carmelites
Collège-couvent des Augustins

1229-1793 Université de Toulouse [7]
1233 Collège de Saint-Raimond (le plus ancien)
1243 Collège de Vital Galtier
1251 Collège de Boulbonne (pour les étudiants de son abbaye)
1286 Collège de Saint-Bernard (cisterciens)
1337 Collège de Verdale
1339 Collège de Montlezun
1341 Collège Bélenger
1342 Collège de Narbonne (12 étudiants)
1359 Collège de Saint-Martial (20 étudiants)
1360 Collège de Périgord ou de Saint-Front (20 étudiants)
1360 Collège de Maguelonne (10 étudiants en droit)
1369 Collège de Montrevel ou de Lectoure
1382 Collège de Saint-Catherine de Pampelune
1417 Collège de Mirepoix
1429 Collège de Saint-Girons
1457 Collège de Foix
1533 Collège de Papillon
1566 Collège des Jésuites (devenu Collège Royal en 1764)
1604 Collège des Doctrinaires de Saint-Rome
1654 Collège de l’Esquile
1??? Collège de Saint-Pierre-des-Cuisines

1303-1793 Université d'Avignon [8]
1379 Collège de Saint-Martial (12 étudiants clunisiens)
1425 Collège d'Annecy
1453 Collège de Saint-Michel
1471 Collège de Jujon ou de Dijon
1476 Collège de Saint-Pierre ou du Roure
1491 Collège de Notre Dame de la Pitié (12 séculiers, 24 dominicains)
1496 Collège de Saint-Bernard ou de Senanque (cisterciens)
1500 Collège de la Croix
...?

1309-1793 Université d'Orléans [9]
Não teve colégios, apenas residências mantidas por estudantes.

1332-1793 Université de Cahors [10]
1358 Collège de Pellegry
1371 Collège de Rodez
1473 Collège de Saint-Michel

1337-1793 Université d'Angers [11]
[1031-16?? Collège de Saint-Maurice ou de la Porte-de-Fer]
1361-1793 Collège de Fougères (4 étudiants en droit)
1408-1793 Collège de la Fromagerie (4 étudiants)
1424-1793 Collège du Bueil (6 étudiants + Principal et Chapelain)
1509-1793 Collège Neuf ou d'Anjou (oratoriens depuis 1624)
[1604-1764 Collège Royal Henri-le-Grand (à La Flèche ; jésuites)]

1339-1565 Université de Grenoble [12]
Não se tem sequer a certeza se chegou a funcionar; reinstituída em 1543, foi definitivamente incorporada na de Valence em 1565.

1349-1793 Université de Perpignan [13]
1600-1762 Collège Royal Saint-Laurent (jésuites)
1765-1793 Collège Royal
...?

1365-1793 Université d'Orange [14]
Não teve colégios (chegou a ser constituída por um só professor que, como único membro do conselho, se elegia a si próprio Reitor!).

1409-1793 Université d'Aix(-en-Provence) [15]
Não parece ter tido colégios.

1421-1481 Université de Dôle (mudada para Besançon)
1485-1793 Université de Besançon [16]
1494-1793 Collège de Saint-Jérôme (clunisiens)
1498-1793 Collège de Saint-Bernard (cisterciens)
1565-1762 Collège de la Trinité (à Lyon ; jésuites)

1431-1793 Université de Poitiers [17]
1451-1603 Collège de la Vicanne
1461-1603 Collège de la Serenne ou Sirène
1478-1688 Collège de Puygarreau (8 étudiants)
1487-1600 Collège des Lautiers
1487-17?? Collège de Sainte-Marthe (jésuites 1607-1762)
1488-1603 Collège de Saint-Savin*
1488-1603 Collège de Géléasis*
1502-1603 Collège des Moreaux
1503-17?? Collège de Saint-Pierre ou des Deux-Frères
1507-1609 Collège de Montanaris
1???-1603 Collège de Saint-Jacques de Minage
1???-1603 Collège de la Tierie
1???-1603 Collège Ceslani

1432-1793 Université de Caen [18]
1452-1731 Collège du Cloutier, dit d'Enfer ou de Paradis
1460-1786 Collège des Arts
1491-1793 Collège du Bois, Harrington, de Gouvix ou de La Mare
1497-1793 Collège des Droits
1594-1793 Collège du Mont (jésuites 1609-1764)
1786-1793 Collège Royal de Normandie

1441-1793 Université de Bordeaux [19]
1533-1793 Collège de Guyenne
15??-1772 Collège de La Madeleine

1452-1793 Université de Valence [20]
1541-1793 Collège Royal Delphinal
1564-1793 Collège des Arts
1575-1588 Collège des Jésuites
1575-1793 Collège Morel
1575-1793 Collège Montluc
1643-1793 Collège du Saint-Sacrement

1461-1793 Université de Nantes [21]
Faculdade de Direito mudada para Rennes em 1735.
Collège de Launay
Collège de Mellerai
Collège de Saint-Jean

1464-1793 Université de Bourges [22]
1575-1764 Collège de Sainte-Marie (jésuites)
...?

1548-1793 Université de Reims [23]
1546-1793 Collège des Bons-Enfants (existait depuis avant 1245)
1608-1764 Collège des Jésuites

1559-1793 Université de Douai [24]
1561-1793 Collège Anglais de Douai
1562-1793 Collège du Roi
1564-1568 Collège de ... (devenu celui d'Anchin)
1568-1764 Collège d'Anchin*
1568-1793 Collège de Marchiennes
1573-1793 Collège des Écossais
15??-1764 Collège des Jésuites*
1603-1793 Collège de Saint-Patrick des Irlandais
1605-1793 Collège des Bénédictins
1609-1793 Collège de la Motte
1610-1793 Collège de Saint Grégoire (bénédictines anglais)
1615-1793 Collège franciscain de l'ordre des récollets anglais
1619-1793 Collège de Saint-Vaast
1625-1793 Collège franciscain de l'ordre des récollets écossais
16??-1793 Collège de Saint-Thomas-d’Aquin (dominicains)
*incorporados no Collège du Roi

1572-1769 Université de Pont-à-Mousson (mudada para Nancy)
1769-1793 Université de Nancy [25]
1572-1764 Collège des Jésuites (le seul collège, un collège-université)

1621-1793 Université de Strasbourg [26]
1621-1789 Collège de l’Université (Gymnase protestant ; existait 1537)
1681-1793 Collège Royal (catholique)

1722-1793 Université de Dijon [27]
Por ter sido demasiado pequena e tardia, não parece ter tido colégios.

1722-1793 Université de Pau [28]
1722 Collège Saint-Louis (jésuites 1622-1762 ; devient l'université)

Colégios não-universitários já existiam antes das universidades como escolas de gramática independentes (ensino primário e/ou médio). Alguns acabaram por ser incorporados numa universidade próxima, quer aquando da fundação desta, quer por uma decisão política tardia. São exemplos disso o Collège des Bons-Enfants de Reims, o Collège de l'Université de Strasbourg ou o Collège Saint-Louis de Pau. Aquando da expulsão dos jesuítas os seus colégios foram muitas vezes mantidos como colégios mas incorporado às universidades, mesmo quando o colégio jesuíta tinha sido independente e não directamente ligado a uma universidade (como o Collège Royal de Perpignan).

Referências
[1] Hilde de Ridder-Symoens, Chapter 4: Management and Resources, in Hilde de Ridder-Symoens (ed.) e Walter Rüegg (gen. ed.), A History of the University in Europe, Vol. II, Cambridge: Cambridge University Press, 1996, pp. 154-209 (pp. 155-157); Rainer A. Müller, Chapter 8: Student Education, Student Life, in Hilde de Ridder-Symoens (ed.) e Walter Rüegg (gen. ed.), A History of the University in Europe, Vol. II, Cambridge: Cambridge University Press, 1996, pp. 326-354 (pp. 335-337); Gabriel Compayré, Abelard and the Origin and Early History of Universities, New York: C. Scribner's Sons, 1902, pp. 187-198; Maurice Pellisson, entrada "France" no Dictionnaire Ferdinand Buissonedição electrónica, 1911.
[2] Hilde de Ridder-Symoens, Chapter 4... (p. 158); Rainer A. Müller, Chapter 8... (p. 335).
[3] Rainer A. Müller, Chapter 8... (pp. 335 e 337-339).
[4] Jacques Verger, Chapter 2: Patterns, in Hilde de Ridder-Symoens (ed.) e Walter Rüegg (gen. ed.), A History of the University in Europe, Vol. I, Cambridge: Cambridge University Press, 1992, pp. 62-65; Willem Frijhoff, Chapter 2: Patterns, in Hilde de Ridder-Symoens (ed.) e Walter Rüegg (gen. ed.), A History of the University in Europe, Vol. II, Cambridge: Cambridge University Press, 1996, pp. 80-106.
[5] História da actual Università di Corsica Pasquale Paoli, no website da universidade, 2014.
[6] Hastings Rashdall, The Universities of Europe in the Middle Ages, Vol. 2, Parte 1, Cambridge: Cambridge University Press, 1895, pp. 131-132; Gérard Cholvy (dir.), Histoire du Diocèse de Montpellier, Paris: Éditions Beauchesne, 1976.
[7] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, pp. 168-170.
[8] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, pp. 176-177.
[9] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, pp. 147-148.
[10] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, p. 180.
[11] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, p. 157; Pierre Rangeard, Histoire de l'Université d'Angers, Angers: Imprimerie-Librairie de E. Barassé, 1868; Dominique Letellier-d'Espinose e Olivier Biguet, Collège d'oratoriens dit collège neuf ou d'Anjou, puis hôtel de ville, Angers: Ville d'Angers - Service Patrimoine Historique, Inventaire, 1981; Jean-François Bodin, Recherches historiques sur l'Anjou et ses monumens, Tome II, Saumur: Degouy Ainé Imprimeur-Libraire, 1823, pp. 214-247.
[12] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, p. 181.
[13] Joseph Dehergne, Note sur les Jésuites et l'enseignement supérieur dans la France d'Ancien Régime (1560-1768)Revue d'histoire de l'Église de France, Tome 57, N.° 158, 1971. pp. 73-82.
[14] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, p. 182.
[15] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, pp. 185-187.
[16] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, p. 190; Joseph Dehergne, Note sur les Jésuites... op. cit.
[17] Prosper Boissonnade (dir.), Histoire de l'Université de Poitiers : passé et présent (1432-1932), Poitiers: Imprimerie de Nicolas, Renault et Cie, 1932.
[18] Jules Cauvet, Le Collège des Droits de l'ancienne université de Caen, Caen: A. Hardel Imprimeur-Librairie, 1858, pp. 42 e 156; Amédée de Bourmont, La Fondation de l’université de Caen et son organisation au XVe siècle, Caen: Le Blanc-Hardel, 1883, p. 164-182.
[19] Ernest Gaullieur, Histoire du Collège de Guyenne, Paris: Sandoz et Fischbacher, 1874.
[20] Joseph Cyprien Nadal, Histoire de l'Université de Valence, Valence: Imprimerie E. Marc Aurel, 1861.
[21] Hastings Rashdall, The Universities..., Vol. 2, Parte 1, p. 203, nota 1.
[22] M. Fournier, L'Ancienne Université de Bourges Première Période (XVe siècle), Mémoires de la Société historique, littéraire et scientifique du Cher 9, 1893, pp. 1-93; Archives départementales et patrimoine du Cher, Université de Bourges, s/d.
[23] Eugene Ernest Cauly, Histoire du Collège des Bons-Enfants de l'Université de Reims, Reims: F. Michaud, 1885; Patrick Demouy, Histoire du Lycée Clemenceau, 2012.
[24] Enée-Aimé Escallier, L'abbaye d'Anchin,1079-1792, Lille: Librairie L. Lefort,‎ 1852, p. 270; Louis Trénard, De Douai à Lille, une université et son histoire, Villeneuve d'Ascq: Presses Universitaires du Septentrion,‎ 1978, p. 31; Adolphe de Cardevacque, Le Collège de Saint-Vaast à Douai, 1619-1789, Douai: L. Crépin,‎ 1882; Hilde de Ridder-Symoens, Chapter 4... (p. 160).
[25] Histoire de l'université et du collège de Pont-à-Mousson, de sa fondation en 1572 jusqu'en 1650, manuscrit numérisé sur le site de la bibliothèque multimédia d’Épinal; Delphine Fourot, Pont-à-Mousson : d'Hier à Aujourd'hui, L'Histoire de l'Université, s/d (2010?).
[26] Georges Livet e Pierre Schang (eds.), Histoire du Gymnase Jean-Sturm, berceau de l'Université de Strasbourg, Strasbourg: Éd. Oberlin, 1988; René Voltz, La Physique à Strasbourg : regards sur le passé (1621-1918), pp. 7-11.
[27] L'Université de Dijon : Un peu d'histoire, s/d. Não encontro muita informação em relação a esta antiga universidade na Internet.
[28] Joseph Dehergne, Note sur les Jésuites... op. cit.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O Minueto

Ao canto do salão, olhos vagos no espaço,
ele em púrpura e ouro, ela empoada à francesa,
o senhor Cardeal e a senhora Duquesa
assistem, conversando, a um serão do Paço.

Marca Lucas Giovine o solene compasso;
dança o minueto de Haydn a corte e Sua Alteza:
e os dois velhos, lembrando a antiga gentileza
e o tempo em que, amoroso, ele lhe dava o braço,

balbuciam, sorrindo, um tímido segredo,
escondem-se inda mais no biombo, quase a medo,
como fugindo à luz da sala enorme e acesa.

E quando um criado vem servir-lhes os gelados
surpreende a dançar, velhinhos e curvados,
o senhor Cardeal e a senhora Duquesa.

Júlio Dantas (1876-1962)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Os Colégios Jesuítas e as Casas Oratorianas em Portugal e no Império Português 1542-1834

Nestes colégios e casas ensinavam-se os Estudos Menores (médios, actuais básico e secundário, e preparatório), e não Maiores (superiores ou universitários). Estas duas listas foram tiradas essencialmente dos textos de Teresa Rosa [1] (principalmente no que toca a Portugal Continental, Madeira e Açores); no fim de cada lista vou transcrever alguns parágrafos desses textos por falta de tempo para construir um texto meu adaptado. Provàvelmente ambas as listas estão incompletas e, portanto, this post is a work in progress.

Colégios Jesuítas fundados nos sécs. XVI e XVII:
1542 Colégio de Santo Antão, em Lisboa
1542 Colégio de Jesus, em Coimbra
1548 Colégio de São Paulo, em Goa, Índia
15?? Colégio de São Salvador, em Coulão, Índia
1549 Colégio de São Vicente, em São Vicente, Brasil
1549 Colégio de Jesus, em Salvador da Bahia, Brasil
1551 Colégio do Espírito Santo, em Évora
1554 Colégio de São Paulo, em São Paulo de Piratininga, Brasil
1555 Real Colégio das Artes, em Coimbra (fundado em 1547)
1560 Colégio de São Paulo, em Braga
1560 Colégio de São Lourenço, no Porto
1561 Colégio do Santo Nome de Jesus, em Bragança
1563 Colégio de São Manços, em Évora
1570 Real Colégio São João Evangelista, no Funchal
1570 Real Colégio da Ascensão de Cristo, em Angra
1573 Colégio de São Sebastião, no Rio de Janeiro, Brasil
1576 Colégio de Nossa Senhora da Purificação, em Évora
1576 Colégio de São Gregório, em Évora
1583 Colégio da Madre de Deus, em Évora
1590 Colégio de São Patrício, em Lisboa
1591 Residência de São Miguel, em Ponta Delgada
1594 Colégio da Madre de Deus (ou de São Paulo), em Macau
1599 Colégio de São Tiago, em Faro
1605 Colégio de São Sebastião, em Portalegre
1621 Colégio de Todos os Santos, em Ponta Delgada
1621 Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Santarém
1644 Colégio de São Tiago, em Elvas
1652 Colégio de São Francisco Xavier, no Faial
1655 Colégio de São Francisco Xavier, em Setúbal
1660 Colégio São Francisco Xavier, em Portimão
1662 Escola da vila de Pernes fundada por uma fidalga, Dona Ana da Silva, que deixou uma renda para se abrir uma escola de latim, anexa ao Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Santarém
1670 Colégio São Francisco Xavier, em Beja
1679 Colégio São Francisco Xavier, em Lisboa
1693 Residência da Santíssima Trindade, em Gouveia

"A obra educativa dos jesuítas situava-se especialmente nos níveis de ensino médio e superior, não sendo o ensino elementar considerado como parte indispensável do seu programa educativo. Ensinar a ler e a escrever seria também considerado obra de caridade; contudo, tal só se verificaria se os inacianos tivessem gente suficiente que pudessem acudir a tudo." [2]

"[O Colégio das Artes] era destinado a administrar o ensino preparatório de ingresso na Universidade de Coimbra e a licenciatura em Artes e bacharelato em Filosofia." [3]

"[Até à sua expulsão em 1759] em Portugal o ensino era maioritariamente ministrado por Jesuítas. O ensino era também ministrado em algumas escolas dos Oratorianos e em escolas geralmente pequenas, a cargo das câmaras, da igreja e de congregações religiosas, nas localidades onde tal ensino não chegava. Nelas eram leccionadas especialmente o latim e as primeiras letras. Podemos considerar ainda a existência de professores particulares." [4]

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Casas Oratorianas fundadas nos sécs. XVII e XVIII:
1645 Casa de Nossa Senhora das Necessidades, em Lisboa
1658 Casa dos Oratorianos, em Freixo de Espada à Cinta
1659 Casa do Espírito Santo, em Lisboa
1685 Casa dos Oratorianos, no Porto
1689 Casa dos Oratorianos, em Viseu
1690 Casa dos Oratorianos, em Braga
1701 Casa dos Oratorianos, em Estremoz

"Por sua vez, a 16 de Julho de 1668, [estabelecia-se] em Lisboa a Congregação do Oratório de São Filipe [Néri]. Esta Congregação, fundada em Roma, em 1550, e introduzida em Portugal pelos Padres Bartolomeu de Quental e Francisco Gomes, revelou-se uma instituição preponderante e charneira na edificação de uma nova matriz cultural em Portugal. Embora quase tão antiga como a Companhia de Jesus, aquela Congregação revelou-se sempre mais permeável às tendências modernas. Não olvidou os seus deveres quando veio a ser participante activa das reformas pedagógicas pombalinas. Ainda antes das Reformas Pombalinas a Congregação do Oratório chegou a ter, em Portugal, casas nas quais também era ministrado o ensino secundário de humanidades e, em várias delas, o de filosofia e de teologia. Destas destacam-se: a Casa do Espírito Santo, fundada em Lisboa, no ano de 1659 e que veio a ser destruída pelo terramoto de 1755; a Casa de Nossa Senhora das Necessidades, em Lisboa, fundada no ano de 1645; em 1658, em Freixo de Espada à Cinta; em 1685, na cidade do Porto; em 1689, em Viseu; em 1690, em Braga; em Estremoz, em 1701. Refere Santos (1982) que estes religiosos não possuíam estabelecimentos especialmente dedicados ao ensino. No entanto [...] esta situação foi alterada pelo Decreto Régio de 9 de Fevereiro de 1745, pelo qual foi atribuído à Congregação o cargo de manter “perpètuamente quatro classes de ensino: doutrina cristã, ler, escrever e contar; gramática e retórica; teologia moral e filosofia” (Adão, 1997)." [5]

Referências
[1] Rosa, T. (2005). O Colégio da Ascensão de Angra do Heroísmo: uma análise pedagógica da Companhia de Jesus. Um contributo para a História da Educação em Portugal. Tese de doutoramento, apresentada na Universidade dos Açores; Rosa, T. (2013). História da Universidade Teológica de Évora (Séculos XVI a XVIII). Lisboa: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa; Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores e as Reformas PombalinasInteracções 10(28):40-54.
[2] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 42.
[3] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 43.
[4] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 45.
[5] Rosa, T. & Gomes, P. (2014). Os Estudos Menores... p. 44; Santos, E. (1982). O Oratório no Norte de Portugal. Contribuição para o estudo da história religiosa e social. Porto: INIC; Adão, A. (1997). O Estado Absoluto e o ensino das primeiras letras. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Colégios Universitários em Évora

Este post vem no seguimento de outros sobre colégios neste mesmo blogColégios Universitários em Coimbra (tradução inglesa em The Lost Colleges of the University of Coimbra); Lista Anacrónica de Colégios Universitários em Portugal (Coimbra e Évora)Colégios Universitários em Coimbra (mais uma actualização...); Colégios Universitários em LisboaUniversidades em Portugal, entre outros. Vale também a pena consultar o post A Alta de Coimbra Reconstituída.


Para minha surpresa, descobri recentemente que a antiga Universidade de Évora (1559-1759) não era uni-colegial... Como se sabe, durante duzentos anos certos, Coimbra não foi a única universidade a funcionar Portugal: em 1558, o Cardeal Infante Dom Henrique (mais tarde Cardeal Rei, nesse ano era 1.º arcebispo de Évora) achou por bem criar uma universidade para complementar a de Coimbra, ideia que já teria existido na mente do Infante Dom Pedro, 1.º duque de Coimbra, no século XV (de facto parece que chegou mesmo a criar uma segunda universidade em Coimbra quando a primeira estava em Lisboa [1]). O Cardeal Infante pediu então autorização ao Papa Paulo IV e estabeleceu uma universidade no Colégio do Espírito Santo em Évora.

Iluminura da cidade de Évora atribuída a Duarte d'Armas. Foral manuelino de Évora, 1501, Arquivo Municipal de Évora. Imagem tirada daqui.

Estava eu, portanto, convencido que a Universidade do Espírito Santo se tinha sucedido jurìdicamente ao Colégio do Espírito Santo, ipso facto, ou que, quando muito, o colégio único tinha existido dentro da universidade da mesma maneira que o Trinitiy College Dublin é o único colégio constituinte da University of Dublin. Porém, ao ler o excelente trabalho de Teresa Rosa [2] descobri que o Colégio do Espírito Santo não só não foi ele próprio transformado em Universidade, como ainda foram criados outros colégios de suporte à dita Universidade. Portanto, não aconteceu um upgrade de colégio para universidade, mas sim uma adição: o Colégio do Espírito Santo continuou a existir dentro da Universidade juntamente com outros colégios. No entanto, poder-se-ia dizer que era a universidade que pertencia ao colégio jesuíta, e não o contrário, já que muitos dos cargos e estruturas eram comuns a ambos e tiveram origem nos do colégio (por exemplo, o Reitor da Universidade era sempre o Superior do Colégio).

Ora, o Colégio do Espírito Santo, como se sabe, foi fundado em 1551 com padres jesuítas do Colégio de Jesus em Coimbra e do de Santo Antão em Lisboa. Foi dotado de rendimentos pelo Cardeal Infante Dom Henrique e começou a escola pública em 1553, sempre com professores jesuítas, e, por isso mesmo, continuou a existir até 1759, ano da expulsão dos Jesuítas do Império Português. Com a criação da universidade logo em 1559, as aulas passaram a não ser apenas preparatórias (ver último parágrafo deste post). Diz Teresa Rosa que "os Jesuítas, estudando em conjunto com estudantes de outras famílias religiosas e leigos, na Universidade, voltavam no fim das aulas a recolher-se no respectivo Colégio (parte destinada aos membros da Companhia)" [p. 51]; presumìvelmente o Colégio do Espírito Santo seria só para jesuítas enquanto os outros acomodariam os escolares das outras ordens religiosas e os leigos. [3]

Um segundo colégio foi o Colégio de São Manços, também chamado "dos Porcionistas", que nunca teve edifício próprio. Instaurado em 1563, ficou a pertencer à universidade (não sei se desde o início), mas desfez-se em 1580 com a morte do Cardeal Rei Dom Henrique, por falta de fundos e de interesse dos Jesuítas em conservá-lo. Destinava-se a recolher quinze estudantes, de entre os quais os filhos dos criados do Cardeal Infante/Rei, os que terminavam as funções de meninos do coro da Sé e, num número indeterminado, os filhos de nobres que pagariam uma “porção”, cuja quantia oscilava entre treze e quinze mil réis anuais. Não confundir com o Colégio de São Manços das Donzelas, que existiu em Évora de 1592 a 1836 [4] e cuja história eu não conheço.

Assinatura do Cardeal Infante Dom Henrique: "Iffs dõ anriq". Entre 1539-1557 (talvez antes de 1546, data em que se tornou cardeal, visto que assina apenas infante, mas isto é pura especulação minha). Arquivo Nacional Torre do Tombo, imagem tirada daqui.

Acontece que, para garantir alunos à Universidade de Évora, o Cardeal Infante quis ainda fundar quatro outros colégios, mas ficando todos sob o controlo jesuíta. Para tal, em 1572 pede ao Papa Gregório XIII a concessão de rendas eclesiásticas suficientes para erigir e sustentar os colégios seguintes:
- Colégio de Nossa Senhora da Purificação, para teólogos “passantes”, que seriam doze, já bacharéis em teologia, com vinte mil réis de renda, destinado à obtenção dos restantes graus académicos;
- Colégio de São Gregório, para quarenta teólogos “cursantes”, ou simples alunos de teologia, já mestres em artes, com dezasseis mil réis de renda;
- Colégio de Santo Agostinho, para sessenta alunos de artes, com quinze mil réis de renda;
- Colégio de São Jerónimo, para cinquenta alunos de humanidades, latim e grego, com renda de doze mil réis.
Acabou por ter dinheiro para criar e dotar apenas dois, o da Purificação e o de São Gregório, em 1579. Nesse ano dotou a Universidade também com um hospital. O Colégio da Purificação, era dirigido por um Vice-Reitor, assistido por outros padres da Companhia, conselheiros sob a imediata e directa sujeição ao Reitor, de quem dependia a sua escolha. Era também ao Reitor que competia prover as 25 bolsas (com o tempo, as bolsas passaram de 50 para 25), escolhendo entre os opositores aprovados, aqueles que considerasse mais adequados. As obras do edifício do Colégio da Purificação só se concluíram em 1605, mas o colégio recebeu os primeiros escolares em 1593; o edifício pertence hoje ao Seminário Maior de Évora [5].

Houve ainda o Colégio da Madre de Deus, que se destinava a treze ou mais colegiais pobres. Autorizada a fundação, por bula do Papa Clemente VIII, em 1595, iniciou-se a construção do edifício de imediato e começou a ser habitado em 1608. Com estatutos inspirados nos do Colégio da Purificação, deveria depender do arcebispado de Évora, embora sob a direcção da Universidade. Tal não foi aceite pelos Jesuítas e os estatutos foram modificados mais tarde. Destinava-se a treze ou mais colegiais pobres que estudassem latim, artes e teologia, e que seriam mantidos com os bens oferecidos (em testamento?) pelo Doutor Heitor de Pina Olival, desembargador e cavaleiro de Cristo, e por sua esposa, Dona Francisca de Brito. O Colégio da Madre de Deus era governado por um clérigo secular, mas cuja escolha incumbia ao Reitor da Universidade. O Reitor tinha igualmente que prover os estudantes porcionistas. [6] Luís António Verney foi aluno deste colégio [7].

 
Luís António Verney (1713-1792) e o frontispício do tomo primeiro da primeira edição do seu "Verdadeiro Metodo de Estudar" (Valença, 1746). Imagens tiradas daqui; a versão digital da obra está disponível na Biblioteca Nacional de Portugal.

Para além dos colégios acima citados, havia ainda o noviciado (estudos para se ser sacerdote) anexo ao (ou integrado no) Colégio do Espírito Santo; não se entende bem no texto de Teresa Rosa se era parte desse colégio, se era um colégio à parte (o mesmo que o Colégio dos Moços do Coro?). Vulgarmente conhecido pelo nome de "Conventinho", os edifícios do noviciado foram começados a construir em 1564 e habitados em Julho de 1567.

Lista de colégios na Universidade de Évora (1559):
1551-1759 Colégio do Espírito Santo
1563-1580 Colégio de São Manços (ou dos Porcionistas)
1564-1759 Colégio dos Moços do Coro (noviciado?)
1576-1759 Colégio de Nossa Senhora da Purificação
1576-1759 Colégio de São Gregório
1595-1759 Colégio da Madre de Deus
planeado: Colégio de São Jerónimo
planeado: Colégio de Santo Agostinho

Deixo uma nota às capelanias de Vera Cruz e de São João [8]. Ora, para além das preocupações com a subsistência material dos estudantes dos colégios, o Cardeal Infante Dom Henrique tinha preocupações também com a sua subsistência espiritual. Claro que todos ou quase todos os estudantes dos colégios haveriam de ser sacerdotes, mas enquanto não o eram precisavam de ter quem lhes celebrasse missa e lhes desse os sacramentos. Para tanto o Cardeal Infante instituiu duas capelanias, isto é, bolsas para que sacerdotes já formados quisessem complementar os seus estudos e assim também poderiam dar missa etc. Por vezes também confundidos com colégios, as capelanias eram apenas fundos que eram supridos pelas esmolas que os fiéis deitavam aos santos nas respectivas capelas (a de Vera Cruz e a de São João, ambas na Sé de Évora), e eram geridos pelos próprios bolseiros. Em Coimbra havia também capelanias, mas de capelanias hei de falar especìficamente num outro post.

E como nota final sou levado a explicar que a Universidade de Évora, à semelhança de outras pela Europa (nomeadamente no mundo germânico [9]) que estavam sob controlo jesuíta, oferecia cursos apenas no que numa universidade medieval se chamariam a Faculdade de Artes e a Faculdade de Teologia. Se tradicionalmente uma universidade completa tinha 4 faculdades (Artes, Direito, Medicina e Teologia; em Coimbra a de Direito estava dividida em duas: Leis e Cânones) [10], na de Évora não se ensinava nem Direito nem Medicina [11]. Na verdade, Évora estava também organizada em 4 faculdades (Latinidades ou Humanidades; Artes; Teologia Moral ou Casos de Consciência; e Teologia Especulativa ou Sagrada Escritura), mas o que se ensinava na totalidade não fugia ao âmbito tradicional daquelas duas [12]. As Humanidades e as Artes seriam sensivelmente o que hoje se chamaria o ensino médio ou básico/secundário, ou preparatório (preparação para a inscrição nas faculdades maiores), e os estudantes que concluíssem o curso de Artes em Évora poderiam inscrever-se directamente nas faculdades maiores não só de Évora, mas também de Coimbra. No reinado de Dom Pedro II modernizou-se o ensino das Matemáticas, nelas se incluindo a Geografia, a Física e a Arquitectura [13]. A história dos estudos em Artes tanto em Coimbra como em Évora (que tanto me interessa!) ficará também para outro post.

Representação da experiência dos hemisférios de Magdeburgo, de Otto von Guernicke (1602-1686), em azulejos da Aula de Física da antiga Universidade de Évora (hoje sala 120 da moderna universidade), 1744-1749. No azulejo vêem-se as palavras em latim "Vacuo resistit" ("o vácuo resiste"). Imagem tirada daqui. [14]

Referências
[  ] Onde não haja indicação da referência, as informações foram tiradas do texto de Teresa Maria Rodrigues da Fonseca Rosa, História da Universidade Teológica de Évora (Séculos XVI a XVIII), Lisboa: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, 2013, ISBN 978-989-98314-0-7.
[1] José Mattoso, O suporte social da universidade de Lisboa-Coimbra (1290-1537), pp. 390, in José Mattoso, Naquele Tempo - Ensaios de História Medieval, Lisboa: Temas e Debates e Círculo de Leitores, 2009, pp. 383-407. Este ensaio foi anteriormente publicado em História da Universidade em Portugal, vol. I, tomo I, Coimbra: Universidade de Coimbra e Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, pp. 305-335; e parcialmente em Penélope. Fazer e desfazer a História, 13 (1994) pp. 23-35.
[2] Teresa Rosa, História da Universidade Teológica..., op. cit.
[3] Muito da história da Universidade de Évora se poderá consultar no fundo documental existente actualmente na Universidade de Coimbra, e também no seguinte blog. V. também Teresa Rosa, História da Universidade Teológica..., op. cit.
[4] Ligação para digitarq.
[5] Ligação para o website do Seminário Maior de Évoraligação para FUNDIS; as andanças do edifício dos Colégios e da antiga Universidade de Évora podem ser seguidas no website Monumentos. V. também Fernando Taveira da Fonseca, A universidade de Évora (1559-1759): história e historiografía. In Salamanca e su Universidad en el Primer Renacimiento: Siglo XV, Miscelánea Alfonso IX, 2010, ligação
[6] Ligação para FUNDIS.
[7] Ligação para Infopédia.
[8] Teresa Rosa, História da Universidade Teológica..., pp. 93-94.
[9] Steve Naragon, List: 18th Century German Universities, North Manchester, Indiana: Manchester University, 2014. Ligação (acedida Dezembro 2014).
[10] A History of the University in Europe, Vol. II.
[11] A ausência da Medicina, das Leis e dos Cânones (na verdade, apenas da sua parte contenciosa), parece dever-se a um desejo expresso de manter o monopólio lectivo destas matérias na Universidade de Coimbra, desejo contemplado na Bula da fundação da Universidade Eborense. V. nota 59 in Teresa Rosa, História da Universidade Teológica..., p. 33.
[12] Ligação para a página da universidade actual; Teresa Rosa, História da Universidade Teológica..., op. cit.
[13] Ligação para a página da universidade actual.
[14] A recente tomada de consciência da importância e da excelência dos azulejos setecentistas como material didáctico, mormente em Coimbra, pode ser seguida no blogue De Rerum Natura e na Scientific American.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Chegaram uns magos do Oriente

André Gonçalves (1685-1754), Adoração dos Reis Magos.
Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra.

Mt 2:1-11
1 Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. 2 E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.» 3 Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. 4 E, reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5 Eles responderam: «Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades da Judeia; porque de ti vai sair o Príncipe que há-de apascentar o meu povo de Israel.» 7 Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido. 8 E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir também prestar-lhe homenagem.» 9 Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. 10 Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; 11 e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.

Versão da Bíblia dos Capuchinhos, da Difusora Bíblica, link aqui e aqui também.