sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dia da Implantação da República Portuguesa...

Pavilhão Naval (1830)
Viva El-Rei Dom Miguel I de Portugal e dos Algarves &c.

domingo, 9 de setembro de 2012

Prece (Mensagem XII)

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silencio hostil,
O mar universal e a saüdade.

Mas a chamma, que a vida em nós creou,
Se ainda ha vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a occultou:
A mão do vento pode erguel-a ainda.

Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ancia –,
Com que a chamma do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distancia –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!


Fernando António Nogueira Pessoa
escrito a 1 de Janeiro de 1922
publicado in Mensagem (1934)
versão da 3.ª edição (1945)

domingo, 22 de julho de 2012

José Hermano Saraiva (1919-2012)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Puck

If we shadows have offended,
Think but this, and all is mended,
That you have but slumber'd here
While these visions did appear.
And this weak and idle theme,
No more yielding but a dream,
Gentles, do not reprehend:
if you pardon, we will mend:
And, as I am an honest Puck,
If we have unearned luck
Now to 'scape the serpent's tongue,
We will make amends ere long;
Else the Puck a liar call;
So, good night unto you all.
Give me your hands, if we be friends,
And Robin shall restore amends.

William Shakespeare
after "A Midsommer night's dreame"
Act V, Scene 1 (1600)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Pois bem!

Se um Inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que tas cedi num dote de princesa.
E para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...

E se for um Francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei.
Antes de Montgolfier, um século!, voei.
E do teu Imperador as águias vitoriosas,
fui eu que as depenei primeiro, e às gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear.

E se um Yankee for que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei à orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa;
olhava para mim o vermelho doutor
— eu era então o João Fernandes Lavrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra,
fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói afinal é um tenor;
Siguefredo hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa à tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes, Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.

Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— são estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!

P.S. A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.

Afonso Lopes Vieira
(1878-1946)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Citações Grandes

"Os moralistas do papel almaço ressuscitam um salazarismo em versão Armani e ensinam aos filhos que o importante é a esperteza de serem ricos."
- Inês Pedrosa, in LER 108

"Camilo saiu dos currículos das escolas porque a sua obra é um empecilho para a visão que a elite portuguesa gosta de desenvolver sobre Portugal."
- Henrique Raposo, in

"Não havia que atrair o desejo. Ele estava naquela que o provocava ou não existia. Ou estava lá desde o primeiro olhar ou então não existira."
- Marguerite Duras, in O Amante

"Homem disfarça que comanda, mulher finge obediências. A ordem das coisas: mundo e vida são o inseparável casal."
- Mia Couto, in Na berma de nenhuma estrada e outros contos

"E eles, muito ambos, aconteceram-se. (...) O tuga, militar até aos botões."
- Mia Couto, in Na berma de nenhuma estrada e outros contos

"A gente sente nostalgia é de uma vida que nunca tivemos."
- Mia Couto, in Na berma de nenhuma estrada e outros contos

"La passion fait souvent un fou du plus habile homme, et rend souvent les plus sots habiles."
- François de La Rochefoucauld, in Maximes

"O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei."
- Jesus Cristo, in João 15:12

"Não há nada mais injusto do que o castigo ao justo que pecou, amigos meus, porque ao pior dos pecadores se perdoa até o último dos pecados, enquanto ao justo nem o primeiro."
- Umberto Eco, in Baudolino

"Considerar um jogo como um jogo não queria dizer renunciar a jogá-lo."
- Umberto Eco, in Baudolino

"Quem conta histórias precisa sempre de ter alguém a quem as contar, e só assim pode contá-las também a si próprio."
- Umberto Eco, in Baudolino

"While physics might be considered the science of the inevitable, biology is the science of the improbable."
- Suzanna Rutherford, in BioEssays (editorial) 33: 397, 2011

"Cínico, n. Um malandro cuja visão deficiente lhe apresenta as coisas como elas são, não como deviam ser."
- Ambrose Bierce, in Dicionário do Diabo

sábado, 3 de dezembro de 2011

Kasarova e Spencer interpretam Handel


Ária "Verdi prati" do Acto II da ópera Alcina. Ao piano, no Festival Beethoven 2004. Tantas emoções na simplicidade: um emotivo exemplo de que a verdadeira música está no silêncio.

Verdi prati, selve amene
perderete la beltà.

Vaghi fior, corrente rivi,
la vaghezza, la bellezza
presto in voi se cangerà.

E cangiato il vago oggetto
all'orror del primo aspetto
tutto in voi ritornerà.

Anónimo (adaptado do Orlando Furioso, de Ludovico Ariosto)