domingo, 22 de agosto de 2010

Brinquedo

Foi um sonho que tive:
era uma grande estrela de papel,
um cordel
e um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
com ar de quem semeia uma ilusão;
e a estrela ia subindo, azul e amarela,
presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu,
que deixou de ser estrela de papel.

E o menino, ao vê-la assim, sorriu
e cortou-lhe o cordel.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lisboa, Coimbra e Évora...


Tendemos a pensar que só houve uma universidade de facto em Portugal até 1911, a data da formalização republicana das universidades de Lisboa e do Porto. Esquece-se quase sempre a universidade em Évora por ter sido mantida por Jesuítas e não ensinar todas as matérias escolásticas. O certo é que, ainda que o studium generale fosse apenas um único de jure saltitando entre Lisboa e Coimbra, pode-se perfeitamente pensar nas universidades pré-1911 da seguinte maneira:

Universidade de Lisboa
> 1290-1308, 1338-1354, 1377-1537, 1911-hoje












Universidade de Coimbra
> 1308-1338, 1354-1377, (1443-1449), 1537-hoje














Universidade de Évora
> 1559-1759, 1973-hoje














Não acredito que Lisboa tenha perdido inteiramente o ensino, já que em 1537 muitos dos lentes se recusaram a viajar para Coimbra. Não estavam era dentro da universidade de jure. Bom, isto são só especulações minhas... Notas para pensar, pesquisar e quiçá escrever mais tarde qualquer coisa...

domingo, 4 de julho de 2010

Monumento aos bons professores.

Quino, "Mafalda 3"

Ora aqui está um bom post do De Rervm Natura. Coisas de senso comum que, felizmente, os bons professores sabem. Transcrevo apenas algumas frases.

"Ensina-se (...) a «aprender a aprender». Mas não se ensinam os conhecimentos que os alunos precisam de aprender".

"Ensina-se (...) a «aprender a aprender» Matemática. Mas o que é preciso mesmo é aprender Matemática".

"Importante não é o modo como se ensina e aprende, mas o que efectivamente se ensina, aprende e exercita".

"E é só o aprender (...) que potencia a capacidade para aprender mais e diferente".

Frases de Guilherme Valente publicadas na sua crónica no Expresso do dia 3 de Julho de 2010.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Valsa a dois


"Waltz in the Sun," by Jane Jones

Era uma vez um Pas-de-deux que queria ser uma Valsa. Mas, coitado, não conseguia, faltava-lhe um tempo, só tinha dois. E a Valsa, com os seus três tempos, estava acima das suas possibilidades.

Um dia, o Pas-de-deux saiu à rua. Tinha andado a poupar: ia comprar um tempo. Finalmente ia ter três tempos como uma Valsa! Apenas o curto percurso até à loja, para o qual os seus dois tempos bastavam, o separavam de ser uma Valsa. Mas nesse curto percurso encontrou uma bela Bossa Nova, daquelas que fazem os corações palpitar mais forte. Que linda que era! E como sincopava, rebolando.

O Pas-de-deux esqueceu-se do tempo que lhe faltava, esqueceu-se dos seus dois tempos. Foi atrás dela. Era difícil acompanhar o dançar sincopado da Bossa Nova, com aquele quarto tempo maroto que desliza mais além e faz deslizar outras vontades... Tentou acompanhá-la, tentou mesmo. Mas não conseguia e ela afastava-se cada vez mais.

Esteva quase a desistir. Ela parecia indiferente, concentrada nas suas síncopas. Mas então — e naquele instante o Pas-de-deux sentiu-se flutuar no ar! — a bela Bossa Nova virou a cabeça, olhou para ele, sorriu-lhe... e sincopou até ele. O Pas-de-deux estava parado, bloqueado. Sentia-se como num sonho, vendo-a chegar.

E chegando a ele, a Bossa Nova agarrou-o pela cintura e... começou a valsar. Um, dois, três; um, dois, três. Devagar, primeiro, depois mais rápido. Um, dois, três; um, dois, três. E sem perceber como, o Pas-de-deux conseguiu, com o sincopado da Bossa Nova, o seu terceiro tempo. Nunca teria sido preciso ir comprá-lo, sozinho nunca seria capaz de se tornar uma Valsa. Só uma parceira lhe podia dar o tempo que lhe faltava.

E os dois, agora fundidos numa eterna Valsa, dançaram até ao pôr-do-sol.

FIM

Escrito em York, a 17 de Junho de MMX.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

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sábado, 1 de maio de 2010

As Faculdades da Universidade de Coimbra

Ao longo da sua História, o Estudo Geral, depois Universidade de Coimbra, não manteve a mesma nomenclatura (para não falar do conteúdo) das suas faculdades. Deixo aqui mais uma lista com os nomes das ditas faculdades e o ano em foram estabelecidas. É interessante notar que várias faculdades, apesar da mudança de nome e jurídica, ocorrem numa continuidade: a Faculdade de Direito surge em 1836 da fusão entre as Faculdades de Cânones e de Leis; a Faculdade de Ciências surge em 1911 da fusão entre as Faculdades de Matemática e de Filosofia Natural; e a Faculdade de Letras é a continuação com outro nome da Faculdade de Teologia (os lentes trasitaram todos para a nova Faculdade, ou seja, ficaram onde estavam; até o edifício continuou o mesmo). A situação da Faculdade de Teologia e a da Faculdade de Artes (Colégio das Artes) pode ser lida aqui ou mesmo noutros posts deste blog.

Escadaria do antigo Colégio de Jesus, que alojou o Gabinete de História Natural da Faculdade de Filosofia Natural, depois Museu Zoológico da Faculdade de Ciências (e Tecnologia).

1290
Faculdade de Cânones
Faculdade de Leis
Faculdade de Medicina
Faculdade de Artes

1380
Faculdade de Cânones
Faculdade de Leis
Faculdade de Medicina
Faculdade de Teologia
Faculdade de Artes

1548
Faculdade de Cânones
Faculdade de Leis
Faculdade de Medicina
Faculdade de Teologia
Colégio das Artes

1772
Faculdade de Cânones
Faculdade de Leis
Faculdade de Medicina
Faculdade de Teologia
Faculdade de Matemática
Faculdade de Filosofia Natural

1836
Faculdade de Direito
Faculdade de Medicina
Faculdade de Teologia
Faculdade de Matemática
Faculdade de Filosofia Natural

1911
Faculdade de Direito
Faculdade de Medicina
Faculdade de Letras
Faculdade de Ciências
Escola de Farmácia

1921
Faculdade de Direito
Faculdade de Medicina
Faculdade de Letras
Faculdade de Ciências
Faculdade de Farmácia

1972
Faculdade de Direito
Faculdade de Medicina
Faculdade de Letras
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Faculdade de Farmácia
Faculdade de Economia

1980
Faculdade de Direito
Faculdade de Medicina
Faculdade de Letras
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Faculdade de Farmácia
Faculdade de Economia
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação

1997
Faculdade de Direito
Faculdade de Medicina
Faculdade de Letras
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Faculdade de Farmácia
Faculdade de Economia
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
Faculdade de Desporto e Educação Física

O Jardim Botânico em primeiro plano, com a estufa. Por trás, o antigo Colégio de São Bento, que alojou o Instituto Botânico da Faculdade de Filosofia Natural. À esquerda pode ver-se a torre do Observatório Astronómico e, ao fundo, a Torre da Universidade.

Já agora aproveito e deixo aqui a lista de como eu acho que deviam ser as faculdades da Universidade de Coimbra. Bàsicamente acho que a Faculdade de Ciências e Tecnologia é demasiado grande (um terço da totalidade dos estudantes da Universidade pertence à FCTUC!) e que falta Arte no currículo lectivo da Universidade. E, já agora, please try to keep the names short...

20??
Faculdade de Direito
Faculdade de Medicina
Faculdade de Letras
Faculdade de Ciências
Faculdade de Engenharia
Faculdade de Farmácia
Faculdade de Economia
Faculdade de Psicologia
Faculdade de Artes e Desporto

domingo, 25 de abril de 2010

Era il giorno ch'al sol sì scoloraro...

Era il giorno ch'al sol sì scoloraro
per la pietà del suo factore i rai,
quando ì fui preso, et non me ne guardai,
chè i bè vostr'occhi, donna, mi legaro.

Tempo non mi parea da dar riparo
contra colpi d'Amor: però m'andai
secur, senza sospetto; onde i miei guai
nel commune dolor s'incominciaro.

Trovommi Amor del tutto disarmato
et aperta la via per gli occhi al core,
che di lagrime son fatti uscio et varco:

Però al mio parer non li fu honore
ferir me de saetta in quello stato,
a voi armata non mostrar pur l'arco.