domingo, 25 de abril de 2010

Era il giorno ch'al sol sì scoloraro...

Era il giorno ch'al sol sì scoloraro
per la pietà del suo factore i rai,
quando ì fui preso, et non me ne guardai,
chè i bè vostr'occhi, donna, mi legaro.

Tempo non mi parea da dar riparo
contra colpi d'Amor: però m'andai
secur, senza sospetto; onde i miei guai
nel commune dolor s'incominciaro.

Trovommi Amor del tutto disarmato
et aperta la via per gli occhi al core,
che di lagrime son fatti uscio et varco:

Però al mio parer non li fu honore
ferir me de saetta in quello stato,
a voi armata non mostrar pur l'arco.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Rien de rien...

Não tenho nada para dizer... Mas digo.

Nada

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Rosa Lobato de Faria (1932-2010)


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


Rembrandt: "The Adoration of the Magi"

Mt 2:1-11
1 Now when Jesus was born in Bethlehem of Judaea in the days of Herod the king, behold, Wise-men from the east came to Jerusalem, saying, 2 Where is he that is born King of the Jews? for we saw his star in the east, and are come to worship him. 3 And when Herod the king heard it, he was troubled, and all Jerusalem with him. 4 And gathering together all the chief priests and scribes of the people, he inquired of them where the Christ should be born. 5 And they said unto him, In Bethlehem of Judaea: for thus it is written through the prophet, 6 And thou Bethlehem, land of Judah, 7 Then Herod privily called the Wise-men, and learned of them exactly what time the star appeared. 8 And he sent them to Bethlehem, and said, Go and search out exactly concerning the young child; and when ye have found him, bring me word, that I also may come and worship him. 9 And they, having heard the king, went their way; and lo, the star, which they saw in the east, went before them, till it came and stood over where the young child was. 10 And when they saw the star, they rejoiced with exceeding great joy. 11 And they came into the house and saw the young child with Mary his mother; and they fell down and worshipped him; and opening their treasures they offered unto him gifts, gold and frankincense and myrrh.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Story in progress...

VI

E lá foi ele para a cantina. Achava aquilo tão estranho mas ao menos alguma coisa esperava ele encontrar... Não esperava encontrar ninguém, a cantina estava fechada e não havia quase pessoas no instituto.
Passou a porta e dali viu o bar vazio e com as grades abaixadas.
— Ói! Está cá alguém?
Ninguém respondeu. Ele deu mais um passo, virou um canto da parede e foi então...
— SURPRESA!!! — gritou em coro uma multidão de gente. — PARABÉNS MÁRIO!!!!!!!!
Era o dia de anos dele! Ele sabia bem, tinha-se lembrado ontem à noite. Mas hoje de manhã, ensonado e com tanto para fazer, o facto simplesmente escapou-se-lhe da memória. Era por isso que a sua data de nascimento lhe fazia sentido!...
— Então era isso! Vocês, vocês...
E lá estava a Yvonne, toda sorridente. Tudo tinha sido ideia dela, o código e tudo, que um colega tinha ido escrever no computador de Mário. Abraçou-o e deu-lhe um beijo — na face. Mas ficou agarrada a ele. Ele, os olhos a brilhar, sorria enormemente e começou a cumprimentar toda a gente, um por um, que lhe queria dar os parabéns.
— Mas afinal, what did the code say?
Yvonne deu uma gargalhadinha e respondeu:
— It said: "PARABENS MARIO HAPPY BIRTHDAY"! Each number replaces a single letter, like the riddle said.
— But there was a mobile number, wasn't there?
O grande sorriso dela ficou ainda maior. Ele arriscou:
— Is it... is it yours?
— Sim! — respondeu ela.
E beijou-o outra vez, mas desta vez não na face...

THE END


N. do A. Devo dizer (mais como nota para mim mesmo do que para os leitores) que não gosto nada desta Story in progress... Nunca a devia ter escrito. Foi uma experiência, tudo bem, para ver se eu conseguia escrever capítulo a capítulo um texto coerente. Falhou. Não consigo. Para escrever sem ter já em mente o fim tem de ser texto corrido, escrito de rajada, com curiosidade para saber como acaba, nada de capítulos separados por semanas e meses. Logo no segundo capítulo tive que imaginar todo o resto da estória senão não conseguia avançar! E depois demorei mais de seis meses para escrever o que já tinha na cabeça. Absurdo. E o texto e o enredo estão um nojo. Uma experiência a não repetir.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Story in progress...

V

O melhor era tentar decifrar o código.
— Ora vamos lá ver...
Tentou racionalizar. Havia números e letras; tinha mais números que letras; aquilo parecia não fazer sentido gramaticalmente, portanto não seria uma frase. Tentou trocar os números por letras e as letras por números. As letras "FINDAWAY" parecia mesmo uma data, com o ano primeiro e o A = 0. Parecia mesmo 1984/07/02, a sua data de nascimento. Tinha a sensação, não se lembrava porquê, que aquilo estava certo. Depois, "SOLVETHEMYSTERY" podia ser um número de telefone, tipo, 0035195243129. Já os números... bom, podiam ser so para baralhar, noise para esconder a data e o telefone (mas de quem seria este número de telefone e porque estava associado à minha data de nascimento?). Tentou o alfabeto corrido, fazia sentido.
Escreveu, então, a seguir a "Type the answer:"

ABCDEFGH19840702IJKLM00351952431290NOPQRSTUVWXYZ
E apareceu a seguinte mensagem:

Wrong answer. Try again
— Eh pá, deixa-te de coisas e escreve qualquer coisa — disse, falando para si mesmo.
E escreveu mesmo qualquer coisa, umas teclas ao calhas. Apareceu isto:

Wrong answer.
OK, here's a clue: To each number there is a letter To each letter there is no matter But there is a snag The none is the gag

— O quê??? Each number there's a letter, but the letters don't matter? Mas que raio de coisa é esta?
Estava confuso e demasiado curioso para conseguir pensar. E o que queria dizer snag, anyway? Era melhor mas era escrever mais qualquer coisa a ver se aparecia mais uma pista.
Digitou oura vez ao calhas e apareceu a seguinte mensagem, em bom português:

Es um triste, pah. Nem uma codigozeco consegues decifrar... Vai ter ah cantina jah!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um conto...

sem título

Apetecia-lhe um chá. Era tarde, era quente, era triste, o dia, mas a ela, não sabia explicar porquê, apetecia-lhe um chá. Pôs a chaleira ao lume, no velho fogão a gás, com a chama pouco azul, queimando mal. Ela tinha uma caixa de chás, uma linda caixa de madeira polida, fechada com trinco, que tinha por dentro pequenos compartimentos onde cabia o chá, em sacos ou em folha. Escolheu oolong. Bebia sempre oolong, mas mantinha outros chás não sabia bem porquê. Um saquinho de oolong basta. Tirou o bule do armário, depositou o saquinho.

A água demorava a ferver... Chamou o saci, que veio num turbilhão de vento e apagou o lume! Ela reacendeu-o e o saci riu, e rodou mais e o lume apagou-se outra vez. She frowned, mas não disse nada. Acendeu outra vez o lume, a água estava quase a ferver. O saci interessou-se por outra coisa: a bela caixa de chás. Abriu o trinco sem barulho, espreitou para dentro e os seus olhinhos travessos brilharam. Ela tirou duas chávenas e dois pires do armário, colocou duas colheres na mesa e o açucareiro vienês.

A água ferveu enfim. O saci parecia desinteressado. Ela, com um pano, pegou na chaleira e despejou a água para o bule — que já tinha o saco de chá. Repôs a chaleira ao lume, cheirou o cheiro do oolong, que já subia no ar. Nisto, quase sem ela se aperceber, o saci, rindo, abre a caixa de chás e vira-a ao contrário por cima do bule fumengante; despeja tantos chás quanto pode para dentro do bule! Ela berra, tenta agarrá-lo, a bela caixa cai no chão. Rindo sempre, o saci escapa-se, rodopia e desaparece noutro turbilhão de vento, fazendo folhas de chá voarem no ar e derrubando o bule de chá, que se parte.

E todo o chão ficou coberto com um morno mar de chá... Ela sentou-se na bancada com os pés a balouçar olhando o mar com olhinhos brilhantes. Apetecia-lhe mesmo um chá!

Escrito em Abrantes, a 26 de Dezembro de MMIX