sábado, 17 de outubro de 2009

Story in progress...

IV

Esta agora! Mas isto não deve querer dizer nada. Ou será que sim?
Não se coibiu de ir à porta ver se estava lá alguém e à janela a ver se alguém o estava a observar. Não esperava ver ninguém, mas alguém ali tinha ido e plantado aquele enigma, bolas! E teve de ser alguma coisa premeditava, porque ninguém inventa um enigma e escreve um código em 10 minutos...
Lembrou-se de ir mostrar à Yvonne. Copiou a estranha mensagem para um e-mail e enviou-o. Depois subiu.
— Yvonne, regard ça!
Raramente falava francês, até porque tinha consciência de que falava mal, mas aquilo saiu-lhe. E a resposta foi silêncio: a Yvonne não estava na sala. Lá estava a torre de computador escavacada e o laptop, mas desligado e fechado. Também ali estava a mochila dela...
— Onde é que ela se meteu?
Talvez na casa de banho, mas se tivesse saído por pouco tempo não teria desligado o laptop que demora tanto a reiniciar. E não foi para casa porque teria levado a mochila — e teria ido lá abaixo despedir-se dele...
Nisto ouviu um barulho na escada. Afinal sempre lá estava mais alguém, fosse Yvonne ou não. Correu para a escada, espreitou por cima do corrimão para o vão. Não viu ninguém.
Teve a fantasia de ir espreitar a casa de banho das senhoras, mas reprimiu o pensamento.
— Devem estar a gozar comigo...
Assomou ainda à sala de Yvonne mas decidiu voltar para baixo.

Due poesie da due opere...


Rinaldo:
Cara sposa, amante cara,
Dove sei?
Deh! Ritorna a' pianti miei!

Del vostro Erebo sull' ara,
Colla face dello sdegno
Lo vi sfido, o spiriti rei!

(Rinaldo, da George Friderick Handel)

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Serpina:
Il martellin d' amore
Che mi percuote ognor.

Uberto:
Mi sta per te nel core
Con un tamburo amore
Che batte forte ognor.

Serpina:
Deh! senti il "tipiti"?

Uberto:
Lo sento, è vero, si!
Tu senti il "tapata"?

Serpina:
E vero, il sento già!

(a due):
Ma questo ch' esser puo???

(La serva padrona, da Giovanni Battista Pergolesi)

Ainda Mais Citações Avulsas


"Si le Congrès danse, ne marche pas." Charles-Joseph de Ligne, à Talleyrand

"As larvas da lua / digerem a noite com mandíbulas certas"
Fiama Hasse de Pais Brandão, poetisa

"— E vós nunca cometeis erros?
— Frequentemente — respondeu. — Mas, em vez de conceber um só, imagino muitos, assim não me torno escravo de nenhum."
Umberto Eco, in O Nome da Rosa

"Vivemos numa época com realidade a mais." Fernanda Freitas, in Círculo de Leitores 187

"We are drowning in information, while starving for wisdom". E. O. Wilson, in Forensic Science mag Dec'08/Jan'09

"E pronto... andamos todos entretidos com isto. Ao menos não andamos metidos na droga." Ricardo de Araújo Pereira, in Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios 12, 30/09/2009

"Low input, high throughput, no output!" Sydney Brenner, 23 May 2009 at IGC

"You cannot clone a mountain!" (because a mountain is not alive!) Sydney Brenner, 23 May 2009 at IGC

"Seja qual for o defeito do seu computador, ele vai desaparecer na frente de um técnico, retornando assim que ele se retirar." uma Lei de Murphy, in Facebook

"e um olhar perdido é tão difícil de encontrar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar"
Ruy Belo, poeta

"Quando me falaram em casamento homossexual disse logo que era contra. Mas depois mudei de opinião quando me explicaram que, afinal, não seria obrigatório e que eu podia continuar casado com a minha mulher.” Jon Stewart, comediante

"Se eu estiver certo, os alemães dirão que sou alemão, e os franceses dirão que sou filho da humanidade. Mas se eu estiver errado, para os franceses serei um alemão; e para os alemães não passarei de um judeu.” Albert Einstein


"Questo nero la notte pare lo faccia per le lucciole." Luigi Pirandello, in I gigante della montagna

"Because when you're in love you think you're invincible... It blinds you, and you don't seem to care..." Agatha Christie's Miss Marple, in The Body in the Library

"... E as árvores... quem não viu as árvores da minha terra, nunca viu árvores..." Beresford, in Felizmente há luar, de Luís de Sttau Monteiro

"Amiga amor amante amada eu morro" David Mourão-Ferreira, poeta
Amiga. Amor? Amante! Amada... Eu morro!... (minha versão)

domingo, 11 de outubro de 2009

Cecilia Bartoli canta Nicola Porpora

Ária "In braccio a mille furie" da ópera "Semiramide"
(retirada do novo álbum Sacrificium)Tremendo. Qualquer coisa que ela cante é assim, anyways... Até podia muito bem pôr aqui ela a cantar Vivaldi ou Salieri, à mesma com Giovanni Antonini & Il Giardino Armonico, que era sempre t of the ts.

As Sem-razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

Escrivães da Puridade (sécs. XIII a XVIII)


Carta de confirmação de El-Rei Dom Afonso IV dos foros e privilégios atribuidos por reis anteriores à cidade de Lisboa

Tenho andado curioso àcerca desde cargo, escrivão da puridade, que se encontra de vez em quando em qualquer biografia de um Rei português. À primeira vista, interpretaria esse cargo como um secretário pessoal do Rei, mas uma análise mais atenta levou-me a perceber que seria não um mero escriturário mas um "quase" primeiro ministro. O escrivão da puridade do Rei, pelo menos da segunda metade do século XIV até ao século XVII, situava-se hierarquicamente acima de todos os outros cargos de Estado, como chanceler-mor, conselheiro de Estado ou vèdor. Pretendo fazer uma pesquisa mais detalhada sobre estes cargos alto-medievais e renascentistas, mas, para já, aqui fica uma listagem dos homens que exerceram o cargo de escrivão da puridade do Rei (a Rainha e os Infantes também tinham os seus próprios escrivães da puridade, mas só o do Rei é que teria funções de Estado), listagem tão completa e accurate quanto possível:

Escrivães da Puridade do Rei:

Dom Afonso III, Petro Petri scriptore secretorum regis
Dom Dinis I, Aires Martins, também vice-chanceler
Dom Dinis I, Martim de Louredo (fl. 1287)
João Domingues de Beja
Estêvão da Guarda
Gonçalo Vasques de Azevedo
Dom Pedro I, Gonçalo Vasques (Vaz) de Goes, Senhor de Góis
Dom Fernando I, João Gonçalves Teixeira (fl. 1383)
João Fernandes
Afonso Pires
Dom João I, Afonso Martins, abade de Pombeiro
1400 Aires Anes de Beja
1415-14?? Gonçalo Lourenço de Gomide*
João Gonçalves de Gomide*, filho do anterior
(Gonçalo Leitão, Rui Galvão, Vasco Martins de Sousa)
Dom Duarte I, Martim Gil de Magalhães
Lopo Afonso de Santarém+
Lopo Afonso (fl. 1446, Regente Dom Pedro)
1453-1464 Diogo da Silveira*; Fernão da Silveira, irmão, foi "vice"
Gonçalo Vaz de Castelo-Branco*, regedor e vèdor
algures entre 1460-81 Dom João Galvão*, bispo de Coimbra
fl. 1475-79 Dom João Fernandes da Silveira*, 1.º barão de Alvito
1481-1484 Fernão da Silveira*, 2.º barão de Alvito, filho do anterior
Henrique Homem
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15??-1532 António Carneiro*
1532-1568 Pedro de Alcáçova Carneiro*, 1.º Conde de Idanha
1568-1576 ?????
1576-1581 Pedro de Alcáçova Carneiro*, 1.º Conde de Idanha, com Manuel Quaresma Barreto e Dom Francisco de Portugal

OU ENTÃO:

1495?-1502 Dom Diogo da Silva*, 1.º conde de Portalegre
1502-1534 Dom António de Noronha*, 2.º conde de Linhares
1534-1542 Dom Miguel da Silva*, bispo de Viseu
1542-1570 (lugar sem provimento)
1570-1576 Martim Gonçalves da Câmara
1576-1581 (sem provimento, Miguel de Moura interinamente)
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Dom Sebastião I acabou com o cargo e instaurou 2 secretarias governativas: Secretaria de Estado (para negócios estrangeiros e guerra) e Secretaria das Mercês e do Expediente (para negócios interiores do Reino). Dom Pedro II criou ainda a Secretaria da Assinatura (1695, para negócios da Casa Real; bàsicamente as consultas das outras duas tinham de passar por esta).

1581-1583 Miguel de Moura*, oficialmente (e enquanto Filipe I esteve em Portugal; depois ficou como membro do Conselho de Regência)

1620-1621 Dom Manuel de Castelo-Branco*, 2.º conde de V. N. de Portimão, enquanto Filipe II esteve em Portugal

Dom Filipe III e Dom João IV não tiveram escrivães da puridade (diz na "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira"). 

Dom Afonso VI, quando quis começar a governar sòzinho, reinstituiu o cargo na pessoa do conde de Castelo Melhor, com atribuições que em Espanha seriam as do "valido del rey" (todos as consultas tinham de passar por ele antes de chegar ao Rei).
1662-1667 Dom Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º Conde de Castelo Melhor

1707-17?? Dom Tomás de Almeida, 1.º Patriarca de Lisboa (escrivão da puridade como título certamente honorífico...)

1731-1750 Alexandre de Gusmão (secretário particular do Rei, com o título de escrivão da puridade só a partir de 1740)

1736 houve a reorganização do governo em 3 Secretarias de Estado (ver post que há de vir...) 
1736-1747 Cardeal Dom João da Mota e Silva (com o título vitalício de "Ministro Universal do Despacho", um autêntico primeiro-ministro sem ser chefe do governo [o Rei é que era o chefe do governo], foi o responsável pela reorganização do governo e depois pela coordenação entre os secretários de Estado)
1736-17?? Frei Gaspar de Encarnação (secretário do Gabinete, portanto secretário do Cardeal da Mota e do Governo)


NB: 1464-1528 Nuno Martins da Silveira* é apontado escrivão da puridade por 3 vezes, mas segundo li foi coudel-mor e não escrivão da puridade.


Bibliografia:
Francisco Manoel Trigoso de Aragão Morato (1837), Memoria sobre os escrivães da puridade dos reis de Portugal e do que a este officio pertence. Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa Tomo XII, Parte I, pp.153-218.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Magdalena Kozena canta Johann Sebastian Bach

Cantata BWV 30 "Freue dich, erlöste Schar"
5. Aria (Alto) "Kommt, ihr angefochtnen Sünder"
Teatralizado. Que giro! (Hoje é Dia Mundial da Música: nada melhor do que comemorar a ouvir muito Bach!)